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Cuiabá, Quarta-feira 29/04/2026

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'ATROPELAMENTO NAO É CRIME' 29.04.2026 | 10h43

Ouça os áudios - Secretária é alvo de misoginia e ameaças de morte por WhatsApp

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Divulgação

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A secretária municipal de Educação de Mirassol D’Oeste (300 km a oeste de Cuiabá), Rosana de Cássia Botelho de Carvalho, 57, foi alvo de calúnias, misoginia e recebeu até ameaças de morte em um grupo de WhatsApp criado para tratar sobre o transporte escolar no município. O suspeito já foi identificado. Polícia Civil investiga o caso. 

 

Nas mensagens de voz que estão circulando em grupos de moradores, o agressor, identificado pelas iniciais F.A.A.P. instiga a população a cometer violência contra a gestora, sugerindo que ela seja atingida por “bala perdida” ou atropelamento, alegando que isso não seria crime e afirmando que a morte dela seria a única solução para a cidade.

 

Em entrevista ao , Rosana relatou que nunca teve contato com o suspeito e que ele sequer seria morador do município. Ela registrou um boletim de ocorrência, assim que ficou ciente das ameaças. Segundo ela, o sentimento não é de medo, mas de indignação diante das acusações.

 

“Ele nem sabe quem eu sou, nunca teve contato comigo. O que mais me dói não é nem a ameaça de morte, mas as ofensas, me chamando de vagabunda, desonesta, ladrona. Isso me deixa indignada e emocionalmente abalada pelo fato de ver o meu nome envolvido em algo tão baixo”, afirmou.

 

Os ataques começaram após mudanças no transporte escolar urbano. De acordo com Rosana, o serviço era realizado sem legalidade, sem motorista e sem veículos suficientes, expondo crianças a riscos, como superlotação. Diante disso, a gestão decidiu suspender o transporte, mantendo-o apenas para alunos com problemas de saúde, mediante comprovação.

 

Após a decisão, foi criado um grupo de WhatsApp para discussão do tema. Nesse espaço, o homem identificado pelas iniciais F.A.A.P. passou a usar termos ofensivos e fazer acusações sem provas. Em um dos áudios, afirma que “acidente de carro e bala perdida não são crimes” e questiona por que a população não tomaria atitudes contra a secretária. Em outro momento, chega a recomendar o uso de armas de fogo, insinuando que um “tiro acidental” não é crime.

 

A secretária destaca que, apesar das denúncias, o autor das mensagens ainda não foi identificado oficialmente, o que aumenta a sensação de insegurança e revolta. “Não tenho medo, sou uma pessoa muito devota e acredito que Deus está me protegendo, mas é muito difícil ver meu nome envolvido em uma situação dessas”, completou.

 

Leia também - Ultrapassagem termina em tragédia e mata motociclista em rodovia de Barra do Bugres

 

Em nota, a Prefeitura de Mirassol D’Oeste manifestou repúdio às ameaças e declarou total apoio à secretária. O município classificou os áudios como criminosos, ressaltando que as mensagens incitam explicitamente a violência e propagam acusações infundadas.

 

A administração municipal também condenou o que classificou como violência política e misoginia, destacando a gravidade da incitação ao crime e cobrando rigor nas investigações. Além disso, defendeu a adoção de medidas protetivas para garantir a integridade física da secretária.

 

A Polícia Civil investiga o caso. Reportagem entrou em contato com o suspeito, mas, até o fim desta matéria, não obteve retorno, o espaço segue aberto para manifestação. Leia a nota na íntegra:

 

"A Prefeitura Municipal de Mirassol D’Oeste vem a público manifestar seu mais veemente repúdio às ameaças de morte, calúnias e difamações dirigidas contra a Secretária de Educação, Rosana de Cassia Botelho de Carvalho. Áudios criminosos divulgados em grupos de mensagens incitam explicitamente a violência física contra a servidora pública, acusando-a infundadamente de desvios de recursos. A Prefeitura expressa sua total solidariedade a Rosana e reafirma sua confiança no trabalho dedicado que ela desenvolve à frente da pasta de Educação.

 

Condenamos categoricamente a violência política e a misoginia que se manifestam através de ameaças de morte e campanhas de perseguição contra mulheres em cargos públicos. A incitação ao assassinato é crime grave que deve ser investigado e punido com rigor pelas autoridades competentes. Apoiamos integralmente as investigações da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e exigimos que medidas protetivas imediatas sejam adotadas para garantir a integridade física de nossa secretária". 

 

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