ESQUEMA DE EMENDAS 23.06.2026 | 15h50

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Fred Moraes/ GD
Pré-candidato ao Senado por Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante), denunciou que prefeitos do interior estariam sendo pressionados a devolver parte dos recursos recebidos por meio de emendas parlamentares, prática que classificou como a “lei do retorno”. Segundo ele, há relatos de gestores que recusaram verbas por não aceitarem pagar a suposta “taxa” exigida para liberação dos recursos.
Durante entrevista à Rádio Cultura FM, Galvan afirmou ter ouvido de prefeitos e ex-prefeitos que há casos em que parlamentares exigiriam a devolução de 30% a até 50% do valor das emendas destinadas aos municípios. Segundo o pré-candidato, alguns prefeitos acabam sendo criticados publicamente por recusarem recursos, quando, na realidade, teriam rejeitado as emendas por não aceitarem as condições impostas.
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“Eu ouvi de ex-prefeitos que o parlamentar sai dizendo na cidade que trouxe recurso e o prefeito não quis pegar. Não quis por quê? Porque tinha que pagar taxa. E é alta. Casos de 50% de volta. 30%. A prefeitura já tem que colocar contrapartida e ainda pedem outra parte do valor para liberar o recurso. Aí o prefeito não pega e depois dizem que ele recusou a emenda”, declarou.
O pré-candidato também criticou o modelo de distribuição de emendas parlamentares, afirmando que a prática alimentaria esquemas de corrupção e comprometeria a qualidade das obras executadas.
“Quando você vê uma obra mal feita, onde foram parar os 100% dos recursos que eram para fazer aquela obra? Onde está toda essa sujeira da política? Nessas malditas emendas”, disse.
Galvan ainda afirmou que políticos estariam utilizando contratações no interior para fortalecer bases eleitorais antes das eleições. Sem citar nomes, declarou que “todos os que estão eleitos hoje têm contratação no interior” e questionou a atuação dos órgãos de fiscalização.
“Tem gente mal-acostumada, que já teve oportunidade e quer voltar usando muito dinheiro na política. Eu queria saber onde está o Ministério Público e quem fiscaliza, porque o que tem de gente contratada pelo interior pagando é uma barbaridade”, afirmou.
Apesar das fortes denúncias, Galvan não quis revelar nenhum nome dos possíveis deputados e, ou senadores, que orquestram o esquema. Essa não é a primeira vez que o assunto vem à tona. Em março desse ano, o então vice-governador Otaviano Pívetta (Republicanos) afirmou que, no interior do estado, exalava a lei do retorno. Também, sem citar nomes, Otaviano criticou o modelo dos políticos.
Adversários como o senador Jayme Campos (União) e Wellington Fagundes (PL) defenderam que, se fosse verdade, Pivetta denunciasse e não prevaricasse.
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