DIÁLOGOS RESERVADOS 20.07.2026 | 11h51

pablo@gazetadigital.com.br
Montagem
O prefeito de Diamantino (208 km a médio-norte de Cuiabá), Francisco “Chico” Mendes (União), transformou-se no principal elo de interlocução entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagem da revista Veja, a ponte construída pelo político mato-grossense permitiu a aproximação de Michelle com o seu irmão, o ministro decano Gilmar Mendes, o que acabou abrindo caminhos decisivos para diálogos reservados com o ministro Alexandre de Moraes sobre a situação penal e o regime de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A articulação dos bastidores políticos, que contou inicialmente com o auxílio da falecida ex-deputada Amália Barros, viabilizou audiências reservadas de Michelle na residência de Gilmar Mendes, em Brasília. Adotando uma postura pragmática, contemporizadora e distante dos embates promovidos pela ala mais radical do bolsonarismo, a ex-primeira-dama apresentou laudos sobre o quadro frágil de saúde do ex-presidente. O método repetido junto a Alexandre de Moraes foi fundamental para assegurar decisões humanitárias e a concessão da prisão domiciliar ao ex-mandatário.
O pano de fundo dessa aproximação improvável entre a família Bolsonaro e o núcleo do STF remonta à campanha eleitoral de 2024. Em abril daquele ano, Jair Bolsonaro viajou a Diamantino para chancelar pessoalmente o apoio do Partido Liberal (PL) à candidatura de Chico Mendes à prefeitura. A coligação resultou na indicação do vice da chapa pelo PL e culminou na eleição de Chico para o seu terceiro mandato no município.
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Naquela oportunidade, em meio às agendas políticas no interior do estado, uma articulação intermediada por lideranças aliadas resultou em um feito até então inédito: Bolsonaro e o ministro Gilmar Mendes conversaram diretamente por telefone, sinalizando um momentâneo gesto de trégua após anos de frequentes atritos e ataques públicos do ex-presidente à Corte.
Mesmo diante do posicionamento firme de Gilmar Mendes, que coleciona críticas públicas ao estilo de governo e aos discursos de extremismo associados ao ciclo bolsonarista, Chico Mendes faz questão de manter uma linha divisória clara entre a atuação da família e a dinâmica das urnas. Recentemente, durante evento alusivo aos 35 anos da Constituição de Mato Grosso em Cuiabá, Chico Mendes reafirmou sua fidelidade política ao ex-capitão, enfatizando a separação entre suas escolhas partidárias e o papel institucional do irmão magistrado.
"A gente faz a tratativa totalmente diferente: ele cuida da parte jurídica e eu da parte política. Eu continuo ao lado do Bolsonaro", declarou o prefeito.
Apesar da estratégia dialogada conduzida por Michelle ter garantido avanços na execução penal de Bolsonaro, interlocutores apontam que episódios de reaproximação com o confronto, como posturas e declarações de aliados e familiares, continuam pondo em risco a estabilidade do benefício da prisão domiciliar do ex-presidente perante o Supremo.
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