LOTADA NO SENADO 14.09.2026 | 12h59

pablo@gazetadigital.com.br
Reprodução TV Vila Real
O deputado federal e candidato ao Senado, José Medeiros (PL), tem cobrado publicamente uma atuação mais dura do Senado Federal diante do Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, suas exigências poupam o homem que controla justamente a pauta da Casa: o presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
A relação entre os dois tem um componente que atravessa os últimos sete anos. A esposa de Medeiros ocupa desde 2019 um cargo comissionado na estrutura da presidência do Senado. Ruth Shizue Yamamoto Medeiros é servidora efetiva da Prefeitura de Rondonópolis (215 km ao Sul).
Dados do Portal da Transparência municipal mostram que ela ingressou no serviço público em abril de 2002, ocupa o cargo de especialista em saúde e permanece com vínculo ativo. Atualmente, o município registra salário bruto de R$ 16.989,58. O sistema também aponta jornada de 30 horas semanais, das 12h às 18h.
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Apesar de pertencer ao quadro da Prefeitura de Rondonópolis, Ruth está cedida ao Senado Federal desde 2019, mesmo ano em que Medeiros assumiu seu primeiro mandato como deputado federal. E foi justamente Davi Alcolumbre, em sua primeira passagem pela presidência do Senado, quem a nomeou para trabalhar na estrutura da Casa.
Sete anos depois, a situação permanece. Consulta atual ao Senado mostra Ruth como servidora comissionada ativa, na função de Ajudante Parlamentar Júnior (AP-01) e lotada na presidência do Senado Federal. A relação funcional atravessou diferentes comandos da Casa. Ruth foi nomeada durante a primeira presidência de Alcolumbre, permaneceu na estrutura durante a gestão de Rodrigo Pacheco e continua no cargo agora que Alcolumbre voltou ao comando do Senado.
Críticas param antes de Alcolumbre
Medeiros tem adotado um discurso duro contra ministros do Supremo e cobrado providências do Senado. O parlamentar chegou a afirmar recentemente que o STF virou uma “casa da mãe Joana” e defendeu medidas contra integrantes da Corte.
Mas a cobrança não tem sido acompanhada, nas manifestações públicas localizadas, de ataques equivalentes a Alcolumbre, embora seja o presidente do Senado quem detém papel central no encaminhamento político dos pedidos de impeachment de ministros do STF.
A diferença fica ainda mais evidente quando comparada à postura de outros integrantes do próprio PL. O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, já responsabilizou nominalmente Alcolumbre pela falta de avanço do impeachment de Alexandre de Moraes e afirmou que “o Senado Federal não está fazendo sua parte”.
Medeiros, por outro lado, já fez declarações públicas de confiança em Alcolumbre. Em discurso na Câmara, apoiou o presidente do Senado em relação às críticas ao STF. “Tenho certeza de que, com a experiência que tem, o senador Davi Alcolumbre vai restabelecer o equilíbrio no país”. Alcolumbre já se posicionou publicamente contra a utilização do impeachment como resposta aos conflitos com o Supremo.
Outro lado
Procurado, José Medeiros afirma que não possui qualquer vínculo funcional ou administrativo com o Senado e que a cessão de Ruth é um procedimento regular da administração pública. Segundo sua defesa, o vínculo é antigo, público e formal, sem qualquer fato novo ou irregularidade.
A campanha também acusa adversários de tentar atingir o candidato por meio da exposição da mulher em período eleitoral. Classifica a abordagem como “ataque político” e afirma que transformar a trajetória profissional de Ruth em instrumento de disputa contra o marido seria constrangimento e desqualificação pessoal por razão de gênero.
A questão, porém, permanece essencialmente política: Medeiros cobra do Senado enfrentamento ao STF, mas poupa o presidente, que decide o que avança, enquanto sua esposa segue há sete anos na estrutura comandada por ele.
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