15.10.2026 | 11h10
divulgação
Fortemente atrelado à história da humanidade, com presença marcante entre antigas civilizações, citado em várias passagens da Bíblia, o azeite é um produto que permeia a vida, a mitologia e a simbologia do humano há milênios.
Embora no Brasil, o cultivo de olivais seja bastante recente - até porque, em termos de história da humanidade, somos ainda bastante jovens -, a olivicultura se desponta como promissora e diversos azeites brasileiros vêm sendo premiados em concursos internacionais e sendo reconhecidos pelos maiores entendedores do assunto.
Existem no País mais de 300 marcas de azeite de boa qualidade. Os extravirgens são produzidos sobretudo no Rio Grande do Sul, na Serra da Mantiqueira (entre Minas Gerais e São Paulo), na Bahia e no Espírito Santo.
Em 2026, a produção de azeite extravirgem no Brasil atingiu o recorde histórico de 1,434 milhão de litros, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). No entanto, o volume interno atende apenas 1% da demanda, de tudo que consumimos, 99% é importado.
Talvez o fato explique a valorização dos azeites importados por parte dos brasileiros, mas o cenário agora é outro. A sommelière de azeite, Chania S. Chagas, enfatiza que a participação de azeites brasileiros e os resultados dos concursos são a prova disso. Tradicionalmente, espanhóis, gregos e italianos ganhavam, agora o brasileiro está ganhando tudo, afirma categórica.
Ela esteve em Cuiabá participando da programação do Pantanal Cozinha Brasil, conduzindo uma degustação de azeites brasileiros especiais.
Ela relembra que quando fundou o Empório do Azeite, em 2013, em Gramado, a única marca comercial de azeite que existia era Olivas do Sul, o precursor do azeite extravirgem brasileiro. A partir dali a gente já começa a ver a chegada de várias marcas brasileiras, ano a ano, sendo introduzidas no mercado.
E ressalta que hoje temos produtores que fizeram grandes investimentos no azeite com foco em qualidade e não quantidade. A qualidade pede investimento em lagar, em operação de colheita, tratamento adequados dos olivais, porque a olivicultura no Brasil depende de um tratamento de solo, temos um clima instável, descreve, acrescentando que o custo de produção e a profissionalização de toda a cadeia produtiva é muito caro. Quando a gente fala em preço de produto não dá para ter um azeite de qualidade barato, constata.
Segundo Chaina, o consumidor ainda olha muito para a questão do preço, o que ainda é uma grande barreira, visto que os azeites brasileiros ainda não têm preços competitivos.
Apesar disso, o consumidor está começando a entender que um bom azeite vai ter um custo mais elevado. Assim como o vinho, um bom azeite não é barato e me pergunto: porque as pessoas pagam mais de R$ 100 por uma garrafa de vinho e não pagam isso num azeite, que vai durar 2 a 3 meses em casa, usando todos os dias, trazendo benefícios à saúde, realçando o sabor do prato?
Um bom azeite reduz as doenças cardiovasculares, tem um conteúdo de ácidos graxos monoinsaturados que fazem muito bem para o nosso organismo, possui vitamina E, ajuda a reduzir o colesterol ruim (LDL) e aumenta o HDL (colesterol bom).
Como escolher e guardar
Na hora da compra, o consumidor precisaria buscar referência sensorial para entender o que é um bom azeite bom, o que nem sempre é fácil. Mas ela explica que, à medida que a pessoa degusta azeites de boa qualidade, a referência sensorial muda, o paladar é outro e paladar não retrocede, garante a expert. No momento em que a gente começa a provar produto de qualidade, a gente nunca mais vai querer produto ruim.
O maior inimigo do azeite é a luz, então a garrafa precisa ficar bem protegida e é indicado optar por garrafas escuras. Segundo ela, o produto precisa ser bem armazenado e depois de aberto, o ideal é consumir, no máximo, em três meses. Se a pessoa compra uma garrafa de 500 ml e demora muito para consumir, o melhor é comprar garrafas de 250 ml para que o azeite se mantenha a estabilidade.
Em Cuiabá, por causa das altas temperaturas, pode guardar o azeite na geladeira.
Usos múltiplos
O azeite é a melhor gordura para se cozinhar hoje, portanto, dizer que não se deve cozinhar com azeite é um mito. Ele tem estabilidade em altas temperaturas altas, o que não se pode fazer com azeite ou qualquer outra gordura é queimar a ponto de fumaça, embora ele não vire ácido graxo saturado, como dizem, garante Chaine.
Pode-se usar o azeite extravirgem na finalização de pratos e também como ingrediente. No caso do uso como ingrediente, é preciso emulsificar o azeite com os outros ingredientes. Se o uso for em um bolo ou sobremesa, é importante não pegar um azeite muito amargo e picante.
O melhor uso do azeite extravirgem é cru, em saladas e para finalização de um prato. Já o azeite virgem ou tipo único é indicado para cozinhar, fritar, grelhar, visto que o custo-benefício será melhor.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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