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Cuiabá, Terça-feira 10/03/2026

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AO LADO DO MISC 10.03.2026 | 11h30

Abandono leva à demolição de casarão histórico no Centro de Cuiabá

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

João Vieira

João Vieira

Um casarão antigo do Centro Histórico de Cuiabá, que abrigou a antiga 'gráfica Pepe', será demolido às 14h desta terça-feira (10) após apresentar risco de desabamento. O imóvel divide parede com o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC) e poderia atingir construções vizinhas caso a estrutura cedesse.

 

O casarão foi erguido em XIX, e pertenceu ao governador Generoso Ponce e ao intendente de Cuiabá, o Tenente Coronel Avelino de Siqueira, se tornando gráfica apenas anos depois. Ficou mais de 20 anos sem reformas, quando em 2019 recebeu alguns reparos, como a escora que o manteve em pé até os dias atuais, implantada pelo IPHAN. 

 

Ao ser questionado sobre o motivo do imóvel que pertence a diversos herdeiros, o IPHAN explicou que justamente devido a dificuldade de contato com os proprietários, as intervenções no prédio tornaram-se mais burocráticas e difíceis, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, Superintendente do Iphan explicou que foi feita a tentativa de passar o imóvel para a Prefeitura, mas a dificuldade de comunicação com os herdeiros do casarão impossibilitou o trâmite.

 

João Vieira

grafica pep

 


“A gráfica, assim como muitos imóveis aqui no Centro Histórico, eles sofrem de um problema recorrente que é a questão do abandono, e desde o desmoronamneto em 2019, vem se tentando processos para revitalização desses imóveis, porque tem muitos herdeiros então é muito difícil a gente notificar, existe também o nosso processo administrativo de uma tentativa dos herdeiros de destinarem esse imóvel para prefeitura, mas até o momento não tivemos nenhuma manifestação nesse sentido. Então demolição se dá pelo agravamento, estamos em período de chuva bastante intenso e isso ocasionou essa situação crítica na parede, e considerando o risco para o MISC, que é o imóvel vizinho, a gente solicitou que o museu fosse fechado, visando a integridade das pessoas, dos visitantes e dos servidores, e agora a gente está atuando com a prefeitura e outros órgãos como Energisa, e as secretarias do município para tentar fazer o desmonte controlado dessa parede, e a retirada para que ela não ofereça risco para a população”, explicou ao .

 

No Centro Histórico de Cuiabá, outros imóveis também passam por situações parecidas, de abandono, de necessidade de revitalização, A Superientendente também falou que o IPHAN já está fazendo fiscalização em quais imóveis estão em risco, mas salientou que é um processo demorado, que precisa de força conjunta:

 

“A gente vem estabelecendo um primeiro levantamento da variação de risco desses imóveis e já tem o planejamento de fazer essa fiscalização, foi interrompida por essa emergência, mas a gente vai fazer esse levantamento e posterior a isso pensamos em ações conjuntas, é importante dizer duas coisas: uma que isso aqui não tem uma solução rápida, o Centro Histórico precisa de uma ação continuada, uma ação de estado mesmo, onde todos se unam em prol desta situação, porque a gente tem legislações municipais, tem diversos instrumentos que podemos estar utilizando conjuntamente para tentar garantir a preservação do centro histórico", contou.

 

Ela também destaca que "é importante também esclarecer que o tombamento é um instrumento de proteção e de reconhecimento, ele não atua por exemplo com a retirada da posse desses imóveis, esse imóvel ainda é do proprietário, a responsabilidade de conservação é do proprietário, então enquanto IPHAN a gente tem programas de apoio, mas a revitalização e a preservação ela depende de uma ação conjunta que une poder público e comunidade”.

João Vieira

pep

 

 

Para Andrea Barros, 58 anos, Sub-Prefeita do Centro Histórico, foi uma triste despedida, pois o casarão faz parte de um patrimônio histórico de uma série de casarões cuiabanos que se vai deixando poucos vestígios.


“Eu sou apaixonada por história, quando eu viajo a primeira coisa que eu vejo são os centros históricos, e eu fui agraciada para ser a primeira sub-prefeita do centro-histórico nesta gestão, é uma tristeza enorme um falecimento de um prédio, é triste a gente ver isso, mas infelizmente tem que acontecer para evitar perigos com as outras casas, e da população, e a gente se despede de uma história bonita que eu tenho certeza que essa casa viveu”.

 

Segundo a diretoria, o MISC será reaberto assim que a demolição seja finalizada e não haja mais nenhum risco para as pessoas ao redor, e voltará o seu funcionamento normalmente em breve.

 

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