06.07.2006 | 03h00
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas do Congresso vem a Cuiabá, na próxima semana, ouvir os donos da Planam, Darci José Vedoin e seu filho Luiz Antônio Trevisan Vedoin, além da ex-funcionária do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino. Ontem, a CPI aprovou a convocação do quarto acusado de participação nas fraudes deflagradas na operação "Sanguessuga", o empresário carioca Ricardo Waldmann, proprietário da empresa Supre-Rio Comércio de Equipamentos de Segurança e Representação.
Apesar do deslocamento a Mato Grosso, os membros da CPMI podem ficar sem as informações desejadas, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu ao empresário Luiz Antônio Trevisan, apontado como um dos líderes do esquema, o direito de permanecer calado. Segundo o advogado Eduardo Mahon, que defendia a família Trevisan-Vedoin, o benefício de permanecer em silêncio se estende a Darci, Maria da Penha e Ronildo Pereira Medeiros.
Mesmo assim, com a vinda a Cuiabá, os membros da CPMI tentarão garantir o depoimento do empresário Darci Vedoin. O STF concedeu a ele o direito de não se deslocar até Brasília em virtude do seu estado de saúde. Darci está internado no hospital São Mateus desde a semana passada, quando teve crise hipertensa no anexo do presídio Pascoal Ramos.
As decisões do STF são referentes ao último habeas corpus impetrado por Mahon, que deixou a defesa da família nesta terça-feira. No HC ainda há o pedido de suspensão da CPMI, o qual não foi deferido pela presidente do STF, ministra Ellen Gracie, por considerar que este assunto deve ser tratado apenas no mérito e não de forma liminar.
A ministra negou também o pedido de que a imprensa não tivesse acesso aos depoimentos, afirmando ser esta uma questão interna do Legislativo.
Na agenda dos membros da CPMI o depoimento de Maria da Penha, que está em liberdade, será realizado na segunda-feira (10). Já os empresários Darci Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, que continuam presos, serão ouvidos na terça-feira (11).
Fazem parte da delegação que virá a Cuiabá o presidente da Comissão, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), o relator, senador Amir Lando, o vice-presidente, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), o senador Sibá Machado (PT-AC) e os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
Segundo o relator da comissão, os três depoimentos são fundamentais para o aprofundamento das investigações. "São as figuras-chave desse processo. Não poderíamos conceber a CPI sem ouvir as partes que são o núcleo de todo esse processo de desvio de recursos públicos".
A CPI vai requisitar cópia dos balanços da Planam e de outras quatro empresas suspeitas de envolvimento no esquema. (AF)
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