deu em a gazeta 01.01.2026 | 08h45

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Ana Clara Abalém / GD
O início das obras de implantação do BRT (Bus Rapid Transit) em Cuiabá completa dois anos no próximo mês e já acumula um ano de atraso para a entrega de todo o projeto. Para 2026, a previsão é de que a população ainda enfrente os transtornos provocados pelo empreendimento ao longo de todo o ano, pois o cronograma da Secretaria do Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) prevê que tudo esteja pronto até dezembro. Enquanto alguns têm esperança, outros seguem desacreditados. A cidade continua um canteiro de obras, pois além das intervenções do modal, as obras do Complexo Viário do Jardim Leblon, na avenida Miguel Sutil, também têm impactado o trânsito e acumulado prejuízos à população. O cenário é composto por contornos improvisados, sinalizações confusas e faixas reduzidas. Os veículos disputam cada centímetro de asfalto com pedestres que se arriscam em meio ao caos.
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A cada dia isso aqui piora. Esse aqui o governo falou que entregava em outubro de 2024 e até agora nada. Aí ficou para entregar em dezembro agora o da avenida do CPA, perto da clínica Femina, e não entregou nada. Não tem nada funcionando, não tem ninguém trabalhando. Eu acho que vai acabar o governo e não vão entregar esse pedaço, desabafa João Nunes de Castro, de 68 anos, que estava em frente ao Centro de Referência em Média e Alta Complexidade de Mato Grosso (Cermac), na avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha).
Morador do bairro CPA, João é usuário do transporte coletivo e não tem qualquer esperança de que a situação melhore neste novo ano. "Antes eu gastava do CPA até aqui (Cermac) uns 30 minutos, hoje a gente gasta 1h15, 1h20 para chegar. É um absurdo! É o nosso dinheiro que vai embora e a obra mesmo não sai".
Também na Prainha, o vendedor Bruno Henrique afirma que não acredita que as coisas vão melhorar em 2026. "Eu vi no jornal o secretário falando da previsão, se não me engano, para julho. Os caras trabalham um dia, depois fica uma semana sem aparecer ninguém. Eu não vejo expectativa de melhora para o ano 2026, pode até piorar. Ali na frente estão com a via reduzida, acredito que quando for fazer alguma estrutura para cá, vão reduzir também. Aí, sim, que vai ficar uma maravilha", ironiza Bruno Henrique.
O vendedor conta que as obras na região começaram em meados de agosto e também têm afetado as vendas. Clientes evitam ir até a região e a poeira compromete a mercadoria da loja.
"Eles retiraram a parte da terra e colocaram pedras, aí retiraram as pedras, depois colocaram de novo e agora estão retirando novamente. Nesse vai e volta de pedra ficou uns 60 dias parados, sem ninguém aqui. Eles falam estão trabalhando na região da Prainha, mas não tinha ninguém trabalhando aqui. Ficou sem máquina nenhuma".
Incertezas e prejuízos
Mesmo que a implantação do BRT na avenida XV de Novembro ainda não tenha começado, comerciantes demonstram preocupação com o andamento das obras e temem os resultados negativos do projeto na região. "As obras não estão acontecendo, a verdade é essa. Na Prainha já está indo para quatro meses que abriram um trecho e não foi feito nada até agora, as obras estão paradas. Falaram em iniciar os trabalhos na XV, mas não justifica iniciar aqui, sendo que a própria Prainha não está interligada em outro trecho e nem terminaram na parte do CPA. A nossa preocupação é iniciar e não terminar", conta Valter Evaristo Pereira, comerciante na região há 18 anos.
Valter explica que foram realizadas reuniões com a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) e com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), onde foi informado que as obras na XV de Novembro são mais rápidas, por causa do tipo de material. Mas até o momento não foi informado quando as obras começam efetivamente e a previsão de término.
"Esse trecho da Prainha já causa transtorno ao trânsito e o cliente, automaticamente, se está interditado com obra, procura outro destino para fazer as compras. Aqui na XV vai afetar principalmente para nós que estamos no lado esquerdo da avenida. O corredor não descerá pelo centro, vai ser pelo lado esquerdo. A gente não tem noção, mas sabe que o impacto vai ser muito grande. Se o cliente não chegar até você, não tem nem como entrar no estacionamento, como vou atender?".
Cronograma do BRT
Em 2023, foram iniciadas as obras de implantação do BRT em Várzea Grande, com previsão para julho de 2024. Em janeiro de 2024, foram iniciadas as obras em Cuiabá, com previsão de entrega para fevereiro de 2025.
Em fevereiro do ano passado, Mauro Mendes anunciou a rescisão unilateral do contrato, pois o Consórcio BRT não seguiu o cronograma e foi notificado 54 vezes pela Sinfra. A obra estava apenas 18% concluída em mais de dois anos do seu início.
Um novo consórcio foi contratado para concluir o projeto. Em outubro, o secretário Marcelo de Oliveira afirmou, em audiência pública na Assembleia Legislativa, que as obras no corredor da Prainha, entre a Praça Ipiranga e a avenida XV de Novembro, serão entregues em fevereiro deste ano. Já o trecho total do CPA até Várzea Grande, com todos os terminais e estações prontas, deve ser finalizado até junho de 2026. No trecho Coxipó, as obras devem começar este ano, com previsão de entrega até dezembro.
Complexo Leblon
Iniciadas em 2024, as obras do Complexo Viário Jardim Leblon estão com 47% do empreendimento executado e com previsão de término no 2º semestre deste ano. O empreendimento também tem provocado prejuízos à população. Comerciante na avenida Miguel Sutil, José Carlos Rodrigues acredita que o projeto vai trazer muitos benefícios após sua conclusão, porém acredita que vai ter que mudar pela segunda vez o ponto de seu estabelecimento. "Eu tive a outra loja na esquina desapropriada e demolida. Mudei para esse outro local e estava bom, mas chegaram lá e demarcaram que vai ter que fazer asfalto em cima da calçada, onde a gente faz estacionamento para os clientes?".
José desabafa que clientes evitam a região por causa do trânsito intenso, o que preocupa sobre como manter as portas abertas.
No trânsito, o motorista Gustavo Martins Cerqueira destaca os problemas. "Apesar das obras serem uma melhoria, é muito trânsito, muita dor de cabeça. O pessoal fica muito perdido, de semana em semana tem região que eles mudam sentido de via, mudam alguma coisa que acaba atrasando todo mundo no dia a dia. Então, é bem complicado".
Apesar de todos os problemas, ele afirma ter esperança de que os prazos sejam cumpridos e a obra seja finalizada este ano.
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