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alta de preços 12.09.2021 | 08h00

Inflação deixa três de cada quatro produtos da cesta de consumo dos brasileiros mais caros

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A maior inflação para meses de agosto dos últimos 21 anos foi motivada pelo aumento nos preços de quase três em cada quatro produtos que compõem o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

 

Do total de 377 itens que fazem parte da cesta de consumo dos brasileiros, 271 (71,9%) ficaram mais caros, 17 (4,5%) apresentaram estabilidade e 89 (23,6%) estão mais baratos em relação ao mês de julho, segundo o indicador que mede a inflação para as famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

 

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O percentual equivale à maior difusão do índice oficial de preços em 2021, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Até então, as altas mais disseminadas haviam sido registradas nos meses de janeiro e abril, quando 65,5% dos produtos e serviços pesquisados ficaram mais caros.

 

"Não há o que não esteja subindo no momento. Sabemos que alimentação, energia e combustíveis estão puxando a alta de preços, mas vieram coisas fora da lista que estávamos imaginando para a inflação de agosto", avalia André Braz, economista responsável pelos índices de preços do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

 

Para Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, a difusão contribui para analisar que a inflação se espalhou por toda a cadeia de bens e serviços da economia brasileira no mês. Ela classifica a movimentação como negativa para a dinâmica dos preços por elevar as preocupações das famílias e empresas.

 

"Estávamos vendo altas identificadas nos últimos dados de inflação, especialmente por conta da gasolina, da energia elétrica ou itens farmacêuticos. O dado de agosto mostrou que a inflação começou a se espalhar de uma maneira mais difundida", aponta Rachel.

 

A difusão fez o IPCA saltar 0,87% em agosto e registrar a maior alta para o mês desde o ano 2000. No acumulado do período de 12 meses, a variação dos preços se aproxima dos 10%, patamar já superado em oito capitais brasileiras.

 

Braz explica que a alta é ainda mais danosa para os mais pobres. "As famílias de baixa renda sempre carregam o piano, porque o que sobe de preço são itens que pesam mais no orçamento dela, como alimentos e energia elétrica", pontua ele.

 

O economista ressalta ainda que as altas do diesel e da energia elétrica provocam um "contágio" na cadeia de preços da economia, o que deve manter a inflação em nível alto devido à adoção da bandeira tarifária de "Escassez Hídrica", que trará aumento de 6,78% na tarifa média das contas de luz. “Esse aumento do preço da energia pode contaminar o preço de uma série de produtos e serviços consumidos no dia a dia”, afirma.

 

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