DEU EM A GAZETA 26.10.2026 | 06h58

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Chico Ferreira
Mato Grosso também contribuiu para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar da força do bolsonarismo no estado. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que venceu o primeiro turno da disputa presidencial, praticamente manteve seu percentual de votação, passando de 65,1% para 66%, com quase 1,3 milhão de votos, o petista avançou de 29,1% para 33,9%, somando 694.167 votos - 19% a mais no comparativo com o primeiro turno.
Na prática, Lula conseguiu concentrar os votos dos candidatos adversários que ficaram pelo caminho na etapa inicial da eleição. Outro fator fundamental para o avanço do presidente foi a queda da abstenção. No dia 4 de outubro, 585.668 eleitores deixaram de comparecer às urnas em Mato Grosso, o equivalente a 22,2% do eleitorado. No segundo turno, realizado ontem, o contingente recuou para 552.476 pessoas, ou 20,9%, ampliando a participação dos mato-grossenses na definição do resultado nacional. Assim como em todo o país, a prorrogação do horário de votação das 16h para as 18h no estado gerou questionamentos.
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes, explicou que a decisão foi recebida às 16h20, após o encerramento do horário habitual, e comunicada aos juízes eleitorais cinco minutos depois. “Às 16h25 informamos todos os juízes que deveriam cumprir na íntegra a decisão do superior, que era transmitir as urnas que já haviam fechado e as que estivessem abertas que aguardassem até as 19 horas”.
Segundo a magistrada, a determinação foi cumprida integralmente, com o encerramento da votação às 18h em Mato Grosso. Ela classificou a organização do pleito como um “case de sucesso’, sem incidentes graves ou situações extraordinárias, e agradeceu à imprensa pelo trabalho de informação à sociedade. O salto do PT era visto como improvável diante da força do bolsonarismo em Mato Grosso e de uma campanha que demorou a se mobilizar em nível estadual.
No primeiro turno, embora tenha mantido seus dois representantes na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com a reeleição dos deputados estaduais Lúdio Cabral e Valdir Barranco, e elegido Rosa Neide para a Câmara dos Deputados, o partido sofreu uma derrota de peso com a derrota do senador Carlos Fávaro (PSD). O avanço petista ocorreu em meio à mobilização maciça de lideranças políticas em torno de Flávio Bolsonaro.
Entre os principais aliados do senador no estado estão o ex-governador Mauro Mendes (União), eleito senador, e o deputado federal José Medeiros (PL), também eleito para o Senado. Mauro chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Agricultura e Pecuária ou o de Minas e Energia em um eventual governo do liberal.
A força da articulação bolsonarista também se refletiu na Assembleia Legislativa: 21 dos 24 deputados estaduais aderiram à campanha de Flávio. Além de Lúdio e Barranco, o deputado Wilson Santos foi uma das exceções e não embarcou no projeto.
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