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MORTE DE VERDUREIRO 09.05.2019 | 10h45

Defesa acusa delegado de usar caso como "trampolim político"

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

O advogado Giovanne Santin, defensor da médica Letícia Bortolin, acusa o delegado Cristian Cabral, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran), de impessoalidade na condução da investigação do atropelamento que tirou avida do verdureiro Francisco Lúcio Maio, causado pela médica Letícia Bortolini.

 

O advogado acusa o policial de usa o caso como “trampolim político”, transformando a apuração em “luta de classes”, como consta em documento encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE).

 

Leia também - Juiz nega pedido de defesa e manda acionar delegado na Corregedoria da polícia

 

As irregularidades apontadas pela defesa foram encaminhadas ao juiz Flávio Miraglia, da 12° Vara Criminal, que as remeteu para manifestação do MPE, conforme decisão do dia 23 de abril. Na ação, a defesa também pede a remessa dos autos para a Corregedoria da Polícia Civil, para que investigue a conduta do policial. Requerimento que foi negado pelo juiz, uma vez que o advogado deve solicitar a apuração.

 

Conforme o documento, o advogado aponta pelo menos 7 irregularidades que teriam sido cometidas pela autoridade policial. Entre elas a quebra de sigilo do inquérito, contratação de laboratório particular e falta de competência da Deletran para investigar o caso. Classificado como homicídio doloso, o crime deveria ser apurado pela Delegacia de Homicídio e Proteção à pessoa.

 

O primeiro laudo realizado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi inconclusivo para determinar a velocidade em que o carro da médica estava no momento em que atingiu o verdureiro. Porém havia estimativa de que ela dirigia a 30 km/h.

 

Na época, o delegado solicitou ao laboratório Forense Lab uma nova análise, que resultou estimou que a médica estaria a 95km/h. A contratação de uma empresa particular seria ilegal para a apuração, conforme conta nos autos. Uma vez que haveria a quebra de sigilo do inquérito. O advogado também alega, na ação, que a Deletran não poderia pagar pelo serviço sem seguir os trâmites burocráticos para contrato com instituições públicas.

 

Quando ficou pronto, tal laudo foi disponibilizado pelo delegado em um grupo de whats app. A mensagem a qual o Gazeta Digital teve acesso, mostra o policial citando passagem bíblica logo abaixo do anexo do laudo. Pessoas que faziam parte do grupo estranharam a conduta e questionaram quem teria pago pelo serviço. Ao que o delegado responde “foi solicitado. Free. O laboratório fez em razão da visibilidade que vai ganhar, obviamente. Polícia não paga nem borracheiro”.

 

Na ação, a defesa ainda aponta que a investigação tem o direcionamento de “responsabilizar a denunciada da forma mais severa possível [...] minorando a conduta da vítima, alimentando-se no imaginário do quadro mental paranoico a luta de classes”, diz trecho da petição.

 

No documento, a defesa ainda diz que o delegado se põe como “Cristo” e talvez, em um futuro, “o candidato que salvará a população da violência e da criminalidade, como outros que fazem escola nesta terra de Rondon”.
O documento foi encaminhado ao juiz no dia 12 de abril.

 

No fim de abril, o delegado se filiou ao Pros e a sigla já o cogita para disputar a Prefeitura de Cuiabá, no próximo ano.

 

Outro lado

 

O delegado Cristian Cabral afirma que não há nada de irregular na condução da investigação.

 

“Não há como se questionar as evidências robustas que comprovam a responsabilidade da Letícia pelo crime cometido, o fato dela estar embriagada, em excesso de velocidade e de ter fugido do local do acidente, omitindo socorro a vítima não são fantasias da minha cabeça”, disse ao Gazeta Digital.

 

O delegado pontua que o laudo particular, posteriormente, foi confirmado por outra avaliação da Politec. Explica que não houve contratação do Forense Lab, mas uma solicitação e isso é regular, muito comum no interior onde não há Politec.
Conforme Cabral, todas as diligências solicitadas pela defesa foram realizadas.

 

“As novas alegações de que eu teria usado o caso para promoção política, revela que a defesa da médica está acometida da síndrome do rei sol, achando que tudo gira em torno dela”, assevera.


O caso

O verdureiro Francisco Lúcio Maia foi atropelado pela médica no dia 14 de abril de 2018, na avenida Miguel Sutil, em Cuiabá.
Imagens de câmeras de segurança da avenida mostram o momento em que o homem é arremessado contra uma árvore. A investigação aponta que a médica estava em alta velocidade e dirigia sob efeito de álcool.

 

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Comentários

Carlos - 09/05/2019

Vai seguir os caminhos da ex-juíza Selma?

ana - 09/05/2019

se ele fez isso não foi o primeiro e não sera o ultimo. mas voltando ao caso .... o que o conselho de medicina fala sobre uma medica que atropela e não presta socorro??? li em outro site que a defesa alega para a seguradora bradesco que um carrinho de verdura bateu no carro dela. carrinho de verdura anda sozinho???

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