TESTEMUNHA SE EMOCIONA 12.05.2026 | 15h00

maria.klara@gazetadigital.com.br
TJMT
Atualizada 16h50 - O investigador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, protagonizou momentos de emoção e tensão durante o júri popular de Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em Cuiabá. Testemunha presencial do crime, ele entrou em confronto verbal com a defesa após afirmar que a arma usada por Thiago possuía identificação oficial do Estado de Mato Grosso.
Durante o depoimento, Walfredo relatou que apresentou Thiago ao acusado momentos antes da confusão. “Eu apresentei os dois como Mike e Charlie”, disse. Segundo ele, Mário reagiu de forma agressiva ao PM. “Ele pegou no braço do Tiago e falou: ‘Você não é policial, porra!’”, afirmou a testemunha.
O investigador também declarou que o treinamento policial orienta disparos em regiões não letais. “O treinamento é atirar em braço, perna, apenas para conter o avanço”, afirmou. Em seguida, reforçou que o revólver de Thiago tinha o brasão do Estado de Mato Grosso, versão contestada pela defesa, que acusou a testemunha de mentir em plenário e pediu ao juiz que desconsiderasse o depoimento por suposto falso testemunho.
Em meio ao embate, Walfredo se emocionou ao lembrar da amizade com Thiago. “Foi uma amizade tão rápida e sincera que até hoje sinto falta dessa amizade com o Tiago”, declarou. Ele contou ainda que, após os disparos, chegou a pedir perdão à mãe da vítima. “Me ajoelhei na frente dela porque não consegui salvá-lo.”
A testemunha afirmou ainda que os primeiros tiros efetuados por Mário atingiram o teto da conveniência. “Se eu não tivesse dado dois passos para trás, teria levado um tiro no queixo”, disse.
Atualizada 15h50 - O júri popular de Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz em uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá, em abril de 2023, foi suspenso por alguns minutos nesta terça-feira (12) após um bate-boca entre o advogado de defesa Cláudio Dalledone e o promotor Vinícius Gahyva Martins.
A discussão aconteceu durante o depoimento da testemunha Gilson Vasconcelos, que elevou o tom após trocas de provocações entre as partes. Em determinado momento, o promotor afirmou: “O senhor já conseguiu o afastamento da juíza. Agora tá ameaçando o juiz presidente”.
A sessão já foi retomada após alguns minutos.
Atualizada 15h24 - Questionado pelo promotor Vinícius Gahyva Martins sobre a suspeita levantada por Mário em relação ao policial militar Thiago de Souza Ruiz, Gilson disse acreditar que a desconfiança ocorreu pelo “jeito” da vítima. “Ele tava todo tatuado, todo acelerado. Acho que isso causou essa ação do Mário”, declarou. Apesar disso, a testemunha evitou chamar Thiago de “noiado”. “Noiado não. Mas ali era um ambiente de bebedeira, uso de droga, essas coisas eram normais naquele local”, afirmou.
Gilson também confirmou que Mário sacou a própria pistola antes de retirar o revólver calibre .38 que estava com Thiago. Segundo ele, o acusado chegou a dizer que iria acionar a Polícia Militar para averiguar a arma da vítima. “Ele falou: ‘vou chamar a polícia para averiguar sua arma’”, relatou.
A testemunha contou ainda que Thiago reagiu, tentando recuperar o revólver, dando início à luta corporal entre os dois. Conforme o depoimento, a arma da vítima foi retirada da disputa e entregue a outro homem que se apresentou como policial. “A vítima já estava desarmada”, disse Gilson.
Mesmo assim, segundo a testemunha, a briga continuou no chão e Mário acabou sacando novamente a pistola. “O menino pegou o Mário pelo pescoço. Eles estavam brigando. Foi nessa hora que o Mário tirou a arma e atirou”, afirmou.
Retorno da sessão - O júri popular de Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz em uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá, em abril de 2023, foi retomado na tarde desta segunda-feira (12), após intervalo para almoço. O primeiro a depor foi a testemunha Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva, amigo do réu e apontado como uma das pessoas que estavam no local no momento da confusão.
Durante o depoimento ao promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, Gilson afirmou que acompanhava Mário no dia do crime e que os dois pararam na conveniência apenas para comprar cigarros. Segundo ele, ao chegar ao posto, o acusado cumprimentou algumas pessoas que estavam do lado de fora do estabelecimento e acabou se desentendendo com Thiago Ruiz.
“Quando ele entrou, ele cumprimentou algumas pessoas ali fora e, naquele momento, ele teve um desentendimento com esse rapaz”, afirmou a testemunha. Gilson contou ainda que observou a movimentação de dentro do carro e decidiu descer para chamar o amigo embora. “Eu falei: ‘bora, vamos pegar o cigarro’. Mas ele falou: ‘não, vamos tomar uma aqui’”, disse.
A testemunha relatou que, depois disso, os dois sentaram-se em uma mesa dentro da conveniência e, minutos depois, Thiago entrou no local e sentou-se com eles. Questionado sobre o ambiente da conveniência, Gilson classificou o local como “pesado”.
“Na verdade, aquele ambiente ali é conhecido. Um ambiente ruim; o pessoal bebe muito. Todo mundo que mora em Cuiabá sabe. Lugar meio pesado ali”, declarou durante o júri.
Leia também - Defesa e Ministério Público discutem durante depoimento de testemunha em júri
O promotor também questionou a testemunha sobre um trecho do depoimento prestado anteriormente à polícia, em que teria afirmado que a vítima disse “esse cara tá me tirando”, em referência a Mário. Gilson afirmou não se recordar da frase exata usada no depoimento.
Ainda durante a oitiva, Gilson confirmou que havia outros policiais no local naquela noite e que a região era frequentada por diversos públicos. Ele também disse que não conhecia o policial Valfredo, citado anteriormente no julgamento como a pessoa que teria apresentado Thiago a Mário antes do início da discussão.
O julgamento segue com oitiva de Gilson.
Mário Wilson é acusado de matar o policial militar Thiago Ruiz após uma discussão dentro da conveniência. A defesa sustenta que houve uma reação motivada por “fundada suspeita” e disputa pela arma da vítima antes dos disparos.
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