ARMAÇÃO PARA ELA SER PRESA 02.09.2026 | 10h06

yuri@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva de Thyago Jorge Machado, preso na segunda-feira (31) em Cuiabá sob suspeita de colocar aproximadamente 1 quilo de cocaína no carro da ex-companheira com o objetivo de incriminá-la. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na tarde desta terça-feira (1), pela 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital.
No termo da audiência, o juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires determinou o relaxamento da prisão em flagrante em relação aos crimes de tráfico de drogas e ameaça. Segundo o magistrado, embora existam elementos que apontem para a materialidade do tráfico e indícios de autoria, os fatos teriam ocorrido anteriormente à prisão e não se enquadrariam nas hipóteses de flagrante previstas no Código de Processo Penal.
A prisão, no entanto, foi mantida em relação à suspeita de denunciação caluniosa praticada em contexto de perseguição (stalking).
Defesa pediu liberdade
Durante a audiência de custódia, a defesa de Thyago pediu a concessão de liberdade provisória, com aplicação de medidas cautelares. O Ministério Público, por outro lado, defendeu a homologação do flagrante e a conversão da prisão em preventiva.
O juiz decidiu pela manutenção da prisão preventiva com fundamento na garantia da ordem pública e no risco de reiteração das condutas, além da necessidade de assegurar a aplicação da lei penal.
O magistrado determinou ainda que a Polícia Civil conclua e encaminhe o inquérito com urgência. Relatos de possível violência policial feitos durante a prisão deverão ser apurados pela Corregedoria da Polícia Civil.
A decisão também determinou que sejam adotadas medidas para preservar a integridade física e psicológica de Thyago dentro do sistema prisional, considerando sua atuação anterior na área de computação forense.
O processo deverá ser redistribuído para o juízo competente da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, em razão da relação do caso com medidas protetivas já existentes em favor da ex-companheira.
Plano para incriminar ex
Conforme a decisão, a investigação aponta que Thyago teria provocado uma operação policial contra a própria ex-companheira ao manipular o veículo dela e colocar drogas em seu interior.
A Polícia Civil passou a investigar o caso após receber uma denúncia sobre possível tráfico de drogas. Durante as diligências, os investigadores identificaram elementos que, segundo o processo, apontaram para uma possível armação contra a mulher.
O juiz considerou que a situação de flagrante estaria configurada em relação à denunciação caluniosa. A decisão cita informações obtidas pela inteligência policial e o próprio interrogatório de Thyago, que teria admitido ter dado causa à apuração envolvendo o veículo, embora negasse ter agido com intenção ilícita.
O magistrado também considerou a tentativa de fuga durante a abordagem policial como um dos elementos que reforçariam a necessidade da prisão cautelar.
Segundo a decisão, o conjunto de comportamentos investigados indicaria uma atuação planejada e progressiva, com risco de reiteração das condutas e necessidade de preservar a integridade física e psicológica da vítima.
Irmão de Thays Machado
A prisão de Thyago ganhou repercussão também pelo vínculo familiar com um caso que marcou a violência contra a mulher em Mato Grosso.
Ele é irmão da advogada e servidora Thays Machado, assassinada a tiros em Cuiabá, em janeiro de 2023, pelo então ex-companheiro Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra. Na ocasião, Thays estava acompanhada do namorado, Willian César Moreno, que também foi morto.
O crime ocorreu em frente ao prédio onde a mãe de Thays morava, no bairro Consil. Carlinhos foi preso após o duplo homicídio e posteriormente condenado pelo Tribunal do Júri a 36 anos de prisão pelos assassinatos.
Na época, Thyago chegou a prestar depoimento à Polícia Civil sobre o caso e relatou que a irmã vinha sofrendo perseguições e ameaças do ex-companheiro antes do assassinato. Também deu várias entrevistas, inclusive ao Jornal A Gazeta, pedindo por Justiça.
Ex-perito da Politec
Thyago também já atuou como perito oficial criminal da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Segundo informações divulgadas sobre o caso, ele foi demitido após responder a um processo administrativo disciplinar relacionado à sua atuação funcional.
Em 2025, o nome dele também apareceu em uma investigação da Polícia Civil que apurou possíveis irregularidades relacionadas a laudos periciais.
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