'UMA MEDIDA PROTELATÓRIA' 21.07.2026 | 11h22

yuri@gazetadigital.com.br
João Vieira
O adiamento do julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar a ex-companheira Thays Machado, 44, e o namorado dela, William César Moreno, de 30, foi duramente criticado pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos. Após a defesa abandonar o plenário antes do início da sessão desta terça-feira (21), a representante do Ministério Público classificou a medida como uma "aberração" e afirmou que se trata de mais uma tentativa de adiar o julgamento.
Em entrevista à imprensa, a promotora disse que a família das vítimas aguarda o júri há mais de 3 anos e criticou os sucessivos recursos apresentados pela defesa. "É um absurdo, uma aberração, uma medida protelatória. Após mais de 3 anos do fato, com a família aguardando esse julgamento, a defesa vem arguir nulidades que não existem, que já foram completamente afastadas tanto pelo Tribunal quanto pela juíza da 1ª Vara", afirmou.
Segundo Élide, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira já redesignou o júri para o próximo dia 31 de julho e determinou a intimação do réu para constituir novo advogado. Caso isso não ocorra, a Defensoria Pública assumirá a defesa. "A defesa aparecendo ou não, o plenário vai acontecer. O julgamento será realizado", garantiu.
"Estratégia para postergar"
A promotora também rebateu alegações feitas pela defesa sobre supostas mensagens enviadas do celular de Thays após o crime. Segundo ela, a própria investigação esclareceu que a diferença ocorreu por uma configuração de horário do aparelho.
"Não procede. Conforme consta nos autos, o celular da Thays estava com diferença de 3 horas. É mais uma alegação absurda, uma aberração". Para a representante do Ministério Público, a sucessão de recursos demonstra uma estratégia para impedir que o julgamento ocorra.
"É uma estratégia para tentar postergar, tentar suscitar outro incidente de insanidade ou qualquer outra medida para que esse julgamento não aconteça. Tudo isso já foi analisado e afastado pela Justiça", disse a promotora.
Ela lembrou ainda que o júri já havia sido adiado anteriormente, após pedido da própria defesa para análise de provas. "O julgamento era para ter acontecido no dia 7 de julho. Nós já estávamos aqui. A defesa pediu mais prazo para analisar as provas, a magistrada deferiu e marcou para hoje. Viemos preparados e, novamente, houve outra medida protelatória".
Recado à sociedade
Ao comentar o impacto do caso, Élide Manzini afirmou que o Tribunal do Júri representa uma resposta da sociedade aos crimes de feminicídio e que o adiamento frustra a expectativa de responsabilização.
"O Tribunal do Júri demonstra aquilo que a sociedade não aceita. Cada vez mais fica evidente que a população repudia os feminicídios. Essa atitude da defesa apenas demonstra que não vê outro caminho a não ser fugir do plenário, enquanto a sociedade quer justamente combater esse tipo de violência".
Carlos Alberto Gomes Bezerra responde por duplo homicídio qualificado. Conforme a denúncia do Ministério Público, ele perseguiu Thays Machado e William César Moreno antes de atirar contra o casal em frente à residência da mãe da vítima, no bairro Consil, em Cuiabá, em janeiro de 2023.
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