baixa atividade sísmica 19.04.2026 | 09h35
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Com mais de 965 quilômetros de extensão, a Zona de Subducção de Cascádia, entre o Canadá e a Califórnia, nos Estados Unidos, marca o encontro das placas tectônicas Juan de Fuca e Norte-Americana. Ao contrário de outras zonas de subducção, onde há tremores frequentes devido ao movimento tectônico, a região registra baixa atividade sísmica, o que reforça a hipótese de que ambas estejam travadas pelo atrito.
A falha geológica ainda é pouco compreendida pela ciência. De difícil acesso, ela depende, em grande parte, de dados coletados em terra firme, o que limita o alcance das análises. A baixa ocorrência de terremotos na região também dificulta a investigação de sua estrutura e dinâmica.
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Com mais de 965 quilômetros de extensão, a Zona de Subducção de Cascádia, entre o Canadá e a Califórnia, nos Estados Unidos, marca o encontro das placas tectônicas Juan de Fuca e Norte-Americana. Ao contrário de outras zonas de subducção, onde há tremores frequentes devido ao movimento tectônico, a região registra baixa atividade sísmica, o que reforça a hipótese de que ambas estejam travadas pelo atrito.
A falha geológica ainda é pouco compreendida pela ciência. De difícil acesso, ela depende, em grande parte, de dados coletados em terra firme, o que limita o alcance das análises. A baixa ocorrência de terremotos na região também dificulta a investigação de sua estrutura e dinâmica.
As conclusões foram publicadas pela revista científica Science Advances e podem ajudar a melhorar as previsões sobre o comportamento da falha em caso de um grande terremoto. Em outras regiões do mundo, características semelhantes já foram associadas à interrupção de rupturas que poderiam se estender por longas distâncias.
“Ainda é cedo para conclusões definitivas, mas acreditamos que o movimento dos fluidos pode influenciar a forma como grandes terremotos se comportam nessa região”, afirmou a geofísica Marine Denolle, uma das autoras do estudo.
Acúmulo de tensão entre placas
Atualmente, a placa Juan de Fuca avança em direção à placa Norte-Americana a cerca de 4 centímetros por ano. Como ambas permanecem presas por atrito, essa movimentação gera acúmulo de tensão ao longo do tempo. Quando esse limite é ultrapassado, a liberação repentina de energia pode provocar um terremoto de grandes proporções.
Eventos desse tipo, conhecidos como megaterremotos, ocorrem, em média, a cada 500 anos no noroeste do Pacífico. O último foi registrado em 1700. Estimativas indicam entre 10% e 15% de chance de que toda a falha se rompa nos próximos 50 anos, com potencial para gerar um tremor superior à magnitude 9. Embora o novo estudo não altere essas projeções, ele sugere que a dinâmica interna da falha pode influenciar a intensidade do evento.
Levantamentos recentes do fundo do mar apontam que a falha pode ser dividida em pelo menos quatro segmentos distintos, que podem se comportar de forma independente. Neste estudo, os cientistas analisaram duas dessas regiões com base em dados de três estações de monitoramento: uma próxima à Ilha de Vancouver e duas na costa do Oregon.
“Queríamos entender como a tensão varia ao longo da costa”, explicou a pesquisadora Maleen Kidiwela, autora principal do trabalho. Segundo ela, os dados de velocidade sísmica, que medem a propagação de ondas no interior da Terra, ajudam a identificar mudanças nas rochas abaixo do fundo do oceano.
Na porção norte, o aumento contínuo dessa velocidade indica que as rochas estão se compactando, reforçando a hipótese de que as placas permanecem travadas. Já na região central, os pesquisadores observaram uma queda temporária em 2016, associada a um terremoto de movimento lento que teria reduzido parte da pressão na falha.
Outras variações registradas entre 2017 e 2022 foram relacionadas à circulação de fluidos no interior da crosta. O estudo aponta que falhas secundárias podem atuar como canais de escape, permitindo a liberação desses fluidos.
“Se houver caminhos para aliviar essa pressão, isso pode influenciar a propagação de um grande terremoto”, afirmou Kidiwela.
Apesar de se basear em dados de apenas três pontos, o estudo revela uma dinâmica mais complexa do que se imaginava. Para ampliar esse monitoramento, a Universidade de Washington recebeu, em 2023, um investimento de US$ 10,6 milhões para a construção de um observatório subaquático na região.
“Esses resultados indicam que a falha pode não estar totalmente bloqueada”, afirmou o oceanógrafo William Wilcock. “Ainda há muito a ser investigado, e novos instrumentos serão fundamentais para entender melhor o que acontece ali.”
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