RETROSPECTIVA 2025 26.12.2025 | 12h45

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Reprodução
O primeiro ano da nova legislatura da Câmara de Cuiabá foi marcado por dois pedidos de cassação que movimentaram a classe política, dividiram a opinião dos vereadores e acenderam o debate sobre a exposição de menores em ambientes políticos. Tanto o processo apresentado contra a vereadora Maysa Leão (Republicanos) quanto o movido contra o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) acabaram rejeitados pelo plenário da Câmara, cada um dentro de seu contexto, mas com um denominador comum: a Casa escolheu não avançar nas denúncias.
Os dois pedidos de cassação, ainda que distintos, revelam o tom político que marcou a Câmara de Cuiabá no período: debates acalorados, forte presença das redes sociais, interpretações divergentes sobre o limite entre denúncia e perseguição política e, especialmente, a preocupação crescente com a exposição de menores, seja em audiências, seja em redes sociais oficiais.
Em ambos os casos, o plenário decidiu não avançar com punições, mas os episódios deixaram marcas no debate público e deverão seguir repercutindo nas discussões de revisão de procedimentos internos da Casa e de condutas de autoridades municipais.
Maysa Lesão e a acusação de exposição de vítima
A vice-presidente da Câmara de Cuiabá, Maysa Leão, enfrentou, no início de outubro, um dos episódios mais tensos de seu mandato. A vereadora foi denunciada por permitir o depoimento público de uma adolescente de 16 anos, vítima de estupros reiterados, em uma audiência na Casa. A fala, transmitida ao vivo pelo YouTube da Câmara, foi considerada por críticos uma exposição indevida da menor.
A repercussão levou o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) a abrir investigação. O procedimento foi arquivado pela Vara da Infância e Juventude, que concluiu que não houve dolo da parlamentar, nem prejuízo à integridade da adolescente.
Mesmo assim, a balconista Katiucia Micheli Vaz apresentou um pedido de cassação por quebra de decoro. O plenário rejeitou o processo por unanimidade.
Emocionada, Maysa afirmou ter sido alvo de “interesses políticos” e de uma tentativa de silenciamento: “Vejo que existe, sim, um interesse político em me silenciar e me diminuir. Mas esta Casa mostrou maturidade. Podemos divergir, mas não podemos ser justiceiros.”
Abilio Brunini exposição de alunos e bullying
Em setembro, outro episódio envolvendo exposição de menores ganhou força política. Dessa vez, o alvo era o prefeito Abílio Brunini (PL). O ex-vereador Robinson Cireia (PT) e o suplente Léo Rondon (PT) protocolaram um pedido de Comissão Processante alegando que o gestor violou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao filmar estudantes da Escola Estadual Alice Fontes durante um evento. No vídeo, o prefeito questiona alunos sobre o cálculo “4x4”, destaca a resposta incorreta e publica o conteúdo nas redes sociais.
Os autores da denúncia afirmaram que Abílio expôs os menores ao ridículo e compararam a atitude a práticas de bullying. Robinson, professor, declarou: “Não se expõe uma criança com dificuldades. Isso é inaceitável.”
A denúncia chegou ao plenário no início de setembro e foi rejeitada por 25 votos a 2. Os únicos favoráveis foram Dídimo Vovô (PSB) e Jeferson Siqueira (PSD), oposicionistas.
Nos corredores, Abílio avaliou o pedido como mera tentativa de desgaste político. “Se fosse um terceiro turno, perderiam de novo. A intenção é chamar atenção.”
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