18.05.2011 | 00h30
A mistura de leite condensado, chocolate em pó e uma colher de manteiga acabou se transformando no mais conhecido doce brasileiro, cultuado e degustado por pessoas de todas as idades, embora faça um enorme sucesso entre as crianças. Impossível não se render a um brigadeiro macio, com aquele gostinho tão peculiar.
Esse doce simples e muito conhecido, cuja receita é passada de geração a geração, é tema do concurso nacional O Melhor Brigadeiro do Brasil, promovido pelo leite condensado Moça, da Nestlé, cujo vencedor será anunciado no programa Hoje em Dia, da Record e receberá um prêmio de R$ 90 mil. Duas concorrentes de Mato Grosso estão entre as 10 finalistas: Rosany Ortiz, de Cuiabá, e Maria da Graça Bessa, de Torixoréu. Elas vão para São Paulo apresentar suas receitas no programa com o chef Edu Guedes, nos dias 26 e 27.
Enquanto Rosany, de 27 anos, dá ao brigadeiro seu toque pessoal, utilizando ingredientes regionais como o pequi utilizado na receita enviada ao concurso, Maria da Graça, uma gaúcha de 60 anos, nascida em Pelotas (cidade famosa pela produção de doces), prefere manter a tradição e ainda chama do brigadeiro de negrinhos, nome que, segundo ela não tem nada de pejorativo, pelo contrário, é uma forma carinhosa.
Rosany, que começou a fazer o doce em 2010 durante o período em que ficava em casa estudando para concurso, não passa um dia sem comer ao menos de 4 a 5 docinhos. "Engordei 6 quilos", conta, acrescentando que começou a fazer brigadeiro de vários sabores e a levar para o almoço de família aos domingos. Com o sucesso entre os familiares, começou a fazer para vender e hoje produz cerca de 30 sabores, entre eles, furrundu, pixé, guaraná ralado, farofa de banana e muito mais. Tem até um site www.docebrigadeiro.com.br. Formada em turismo, ela estudou a cultura regional e usa seus conhecimentos nas receitas. Os próximos sabores que vai testar são manga, caju e goiaba. "Minha família é cobaia e quando eles aprovam, produzo para vender". Ela comercializa cerca de 30 caixas por dia, ou 300 brigadeiros. Apaixonada pelo que faz, diz que se encontrou produzindo brigadeiros. E profissão de turismóloga? Deixou de lado, assim como os concursos.
Já Maria da Graça faz brigadeiro desde menina e quando nova fazia para vender. Depois passou a preparar os docinhos para os filhos. Tradicionalista, defende a receita original. "Brigadeiro é brigadeiro, não tem nada de diferente", ressalta, para em seguida confessar que acrescenta uma colher de mel à receita.
Ela adora fazer doces, geléias e licores para dar aos outros. "Sou diabética e não como nada com açúcar", revela, dizendo-se uma "concurseira". "Participo de tudo que aparece, não só de comida. Em 2005, preparei um bolo de chocolate no programa do Gugu (Liberato) em um concurso da Royal", relembra.
Numa coisa as duas concordam, para que o doce fique realmente bom, é preciso fazer com amor. Perguntadas se há algum segredo no preparo, Rosany dá uma dica, "é preciso colocar todos os ingredientes e misturar bem antes de ligar o fogo. Depois é mexer sempre para não grudar e fazer a receita no fogo baixo".
Uma pitada de história - Criado depois da Segunda Guerra Mundial, o doce era chamado no Rio Grande do Sul de negrinho. A receita está relacionada à dificuldade em obter leite fresco, ovos, amêndoas e açúcar para os doces, no pós-guerra. Daí surgiu a idéia de misturar leite condensado e chocolate. O nome conhecido hoje é uma referência ao brigadeiro Eduardo Gomes, político e candidato à presidência da República, em 1945, logo após a deposição de Getúlio Vargas, quando disputou as eleições com Eurico Gaspar Dutra. O bordão da campanha era " Vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro". Ele era um homem bonitão, alto, louro, olhos azuis e caiu nas graças das mulheres.
Dizem alguns historiadores que as eleitoras faziam os docinhos e trocavam por donativos para a campanha. Outros afirmam que uma senhora de Minas Gerais teria feito os docinhos e oferecido ao candidato que se encantou por eles. Assim nascia ""os docinhos preferidos do brigadeiro"", cujo nome, mais tarde teria sido simplificado para brigadeiro.
A versão correta não se sabe. Certo é que Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional (UDN), perdeu a eleição para Dutra e que o docinho brigadeiro ganhou fama em todo o território nacional. Fora do Brasil, é conhecido em muitos países como "trufas brasileiras", pois a textura macia e delicada do chocolate faz lembrar as trufas francesas. Certo é também que não pode faltar nos aniversários de crianças. Eram sempre servidos nas festas infantis, logo depois da hora do bolo e após cantar "Parabéns". Hoje, o protocolo foi quebrado e as crianças (de todas as idades) liquidam os "brigadeiros" que enfeitam a mesa do bolo bem antes da hora programada.
O doce é feito com leite condensado, margarina e chocolate em pó. Coloca-se tudo em uma panela e leva-se ao fogo até soltar bem do fundo da panela. Retira-se e coloca-se num prato untado de manteiga para esfriar um pouco. Quando estiver morna a massa, untar as mãos com manteiga e fazer as bolinhas. Passa-se em confeitos bem pequeninos ou chocolate granulado. Coloca-se em forminhas de papel. Os mais afoitos, nem se dão ao trabalho de enrolar o docinho e o comem às colheradas, muitas vezes até meio morno. Resistir, quem há de?
Fonte: www.guiadoscuriosos.com.br
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