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23.09.2004 | 03h00

Nelusko Linguanotto lança livro sobre pimentas

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A pimenta, quem diria, um condimento tão corriqueiro no dia-a-dia de cozinhas tão diferentes quanto a brasileira e a coreana, é dona de uma incrível historia que passa pelas grandes navegações e vai até à ciência agronômica como um perfeito exemplo de adaptabilidade de uma cultura estranha num novo ambiente. Isto tudo, sem contar os seus variados usos, que vão da culinária à saúde, além é claro do poder que seu infinitos sabores dão aos mais diversos pratos.

Esta é a história que Nelusko Linguanotto Neto, o Nelo, conta no Dicionário Gastronômico de Pimentas e suas Receitas que será lançado no próximo dia 28, em São Paulo, às 19h30, no restaurante Badebec, instalado no evento Boa Mesa . O livro, editado pela Boccato Editores de Culinária, é, uma edição de luxo, em papel couche, com 160 páginas e mais de 140 fotos, clicadas nos estúdios da própria Boccato e chega às livrarias pelo preço de R$116,00.

O Dicionário Gastronômico de Pimentas e suas Receitas é o segundo da série de dicionários gastronômicos da Boccato, iniciada com o livro Ervas e Especiarias e suas Receitas do próprio Nelo, lançado no ano passado e em sua segunda edição, ao qual se seguirão outros . "Há um movimento nítido de valorização deste saber", afirma o editor André Boccato.

O Dicionário Gastronômico de Pimentas e suas Receitas não se constitui apenas em um mero livro de receitas, mas sim num verdadeiro guia sobre o universo da pimenta. A pimenta nasceu na bacia amazônica e ao sabor das viagens dos navegantes portugueses se espalhou pelo mundo onde foi tomando formas e sabores os mais diferentes. Nelusko pesquisou 51 tipos de pimentas que aparecem no livro com dados de sua história, origem e utilização, além de fotos e receitas produzidas especialmente para o livro por Maria Helena Vieira. "São todas receitas simples de fazer, embora em alguns casos haja dificuldade no tipo de pimenta utilizado, que pode não ser encontrado no Brasil, mas todas elas podem ser substituídas pelas pimentas encontradas por aqui", diz Nelo.

O livro traz explicações sobre o que é mesmo a pimenta, classificada botanicamente no gênero capsicum e que inclui tipos como tabasco, malagueta e dedo-de-moça e até o pimentão e que é um grupo diferente de pimentas como a do reino que tem origem asiática e são da família das piperáceas . Dividido em três capítulos, fala primeiro das capsicum, depois das piperaceas e, no final, das falsas pimentas aqueles condimentos que recebem o nome de pimenta mas têm origens as mais diversas como a pimenta rosa, na verdade, semente de aroeira.

O livro ensina ainda como tirar a picância da pimenta para quem prefere mais o seu aroma, como secar pimentas, e como fazer geleias e picles e fala ainda de seus muitos outros usos como o spray de pimenta usado em defesa pessoal e seu uso medicinal: o conhecido emplasto Sabiá, por exemplo, tem em sua composição a capsaina, que vem da pimenta. Só um detalhe se a pimenta arder demais, não tome água que, na verdade, espalha a picância.

Ao se espalhar pelo mundo, a pimenta foi tomando formas e sabores os mais diferentes. Nelo explica que, por causa disto, pimentas ligeiramente diferentes. vão recebendo nomes locais que, hoje, somam milhares. "Se forem plantados dois tipos de pimentas próximas, haverá logo uma sinergia e surgirá um terceiro tipo, devido à sua grande facilidade de se intercruzarem", diz. "Sendo assim a variação dos tipos vai acontecendo quintal a quintal, sem contar as enormes diferenças quando plantadas em climas e solos diferentes, nas proximidades ou não do mar, por exemplo". Por causa disto ele espera, com o lançamento do livro, cause muitas polêmicas e leve a muitas manifestações de leitores que vão falar de suas pimentas.

"Vai ser uma experiência muito diferente do meu primeiro livro, onde nos mais de cem e-mails diários que recebíamos na época do lançamento, nenhum trouxe nenhuma dúvida sobre a classificação das ervas e especiarias", afirma. O livro de Nelo conta ainda que o coreano é o campeão mundial de consumo da pimenta com 8 gramas per capita dia. Não existe um levantamento do seu uso no Brasil mas Nelo calcula que ele seja parecido com o do europeu com um consumo de meio grama por dia. A Índia possui as maiores plantações de pimenta do mundo com 2,2 milhões de acres enquanto o México, outro grande consumidor, tem 200 mil acres plantados.

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