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Entrevista da Semana - A | + A

EDUCAÇÃO FINANCEIRA 25.08.2019 | 18h00

FGTS e PIS/Pasep: veja se vale a pena sacar o dinheiro

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Luiz Leite

Luiz Leite

Nas últimas semanas, duas medidas provisórias prometeram desafogar o bolso do brasileiro e aquecer o mercado interno. O governo federal liberou o saque das contas do fundo PIS/Pasep, bem como do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

 

Tem direito ao saque do fundo PIS/Pasep quem trabalhou com carteira assinada entre 1971 e 1988 e ainda não mexeu nesse recurso. Quem trabalhou nesse período em empresa privada tem conta no PIS, enquanto quem contribuiu em órgão público conta com o Pasep.

 

Já no caso do FGTS, a medida provisória define que todos os trabalhadores poderão sacar R$ 500 de cada conta do fundo, seguindo um calendário que começará em setembro deste ano.

 

Para aproveitar esse dinheiro totalmente inesperado e evitar sustos, o economista e presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso (Corecon), Evaldo Silva, explica como fazer render esse recurso, de acordo com a realidade financeira de cada um – muitos querem quitar dívidas, outros juntar dinheiro para as próximas férias.

 

Em suma, o economista afirma que os brasileiros precisam ter uma reeducação financeira. “O que falta para nós é ter o hábito de fazer poupança. Não importa o quanto você ganha, o importante é o quanto sobra daquilo que você ganha”, comenta. “Antes de pagar qualquer cartão, paga primeiro você. Porque é você que batalhou pra ganhar esse salário”. Confira trechos da entrevista ao .

 

Sobre a liberação de até R$ 500 do FGTS. Vale a pena o trabalhador fazer esse saque?

Veja só, vou responder de uma forma bem abrangente. Hoje não faz diferença o quanto você recebe. A diferença vai fazer em como você vai gastar esse dinheiro. Se eu tenho um planejamento, se eu me programo pra gastar o meu salário, eu vou saber que na data do meu aniversário vou receber aqueles R$ 500. E se eu fizer uma boa aplicação dele, eu vou ter um resultado positivo. Agora, imagina o seguinte: eu pego meus R$ 500, venho fazendo minha poupança e aplico esse dinheiro. Eu vou fazendo a minha poupança ao longo do tempo. Agora se eu não tenho planejamento nenhum financeiro, o que pode acontecer? Essa pessoa receber os R$ 500 e depois nem ela saber para onde foi.

 


Algumas pessoas comentaram do baixo valor do dinheiro, que daria para fazer poucas coisas com ele. É melhor deixar ele na conta ou investir?

Como que estava antes da medida provisória: o dinheiro você não podia mexer. E você ganhava, se eu não me engano, a taxa ATR, que era 3%. Como a ATR zerou, você estava ganhando 3% ao ano. O que acontecia? Com inflação de 6%, seu dinheiro ia diminuindo lá. Então o dinheiro não ficou parado, ele andou para trás. O que o governo fez agora? Ele vai te dar 100% do retorno do dinheiro. O dinheiro fica com o governo e ele empresta pro segmento da construção civil, por exemplo. Esse empréstimo vai pagar para o trabalhador 100% do lucro que o governo ganha, e ele repassa para o trabalhador. Então nós passamos de 3% para 6,5% ao ano, até maior que a Taxa Selic. Antes você não podia mexer, agora você pode tirar R$ 500. Aquilo que falei, se você programar isso, no seu aniversario, que é uma opção que você tem, muitas vezes o trabalhador não consegue fazer uma recepção para os filhos ou viajar. E ai entra aquilo que eu falei: de se dar um presente. Se você puder trabalhar com essa visão de você se dar um presente e planejar pra isso, você passa a ter mais valor do que as contas a pagar.

 

Agora vamos olhar o mercado, que também reflete no trabalhador. Imagina nesse mês quantas pessoas tiraram os R$ 500 e esses R$ 500 reais foram para o mercado. O que acontece com isso? Aquece o mercado. E era isso que estava faltando e agora está acontecendo. Então vamos ver o lado positivo disso tudo: todas as pessoas pegando o dinheiro, lógico, gastando da melhor forma possível, esse dinheiro vai para o mercado de uma forma ou de outra. Esse é o ponto positivo, do lado do consumidor e do lado do empresário.

 

Quem tem direito a sacar esse dinheiro?

O FGTS foi liberado para o fundo de garantia ativo e o inativo. Por exemplo, a pessoa às vezes tem um fundo de garantia que ela não pode retirar. Ela pediu demissão de uma empresa e não podia tirar o fundo de garantia, só se fosse demitida, então ficava lá. Esse era o fundo de garantia inativo e agora foi liberado. Isso vai beneficiar, eu diria, aquela população que está mais carente, que está desempregada, por exemplo. Não vai resolver o problema dele, só R$ 500 reais por ano, pelo amor de Deus. Mas ele vai poder tirar numa data especial sem se preocupar com isso. O FGTS foi criado pelo Castelo Branco. E qual foi o objetivo do FGTS? Era para que o trabalhador, quando ele saísse do emprego, tivesse uma poupança. Porque antes do FGTS, as pessoas podiam optar por ele. Quando foi criado, as pessoas não poupavam, então foi pensada uma forma das pessoas fazerem uma poupança.

 

Como funciona a questão do PIS/Pasep, para os trabalhadores que têm carteira assinada até 1988?

Eles (trabalhadores) passaram a ter direito, como sempre teve, e está liberado para tirar todo o rendimento do Pis/Pasep. Antes você tirava só uma parcela disso.

 

Com essa retirada do Pis/Pasep, também aquece o mercado?

Enquanto nós tínhamos o governo falando uma coisa e a oposição falando outra, nós não estávamos andando. A economia estava empacada, parada. Na hora que o pessoal começou a pensar numa forma de injetar dinheiro na economia, por menor que seja, você não tem como não aquecer o mercado.

 

Vale a pena o trabalhador fazer esse saque integral? Neste caso, não seria prejudicado mais para frente?

Eu acho que vai depender de cada um. Se eu estou passando dificuldade, tenho que comprar remédio e eu tenho um dinheiro no fundo, você vai deixar o dinheiro lá? Não, é uma válvula de escape. É uma análise de custo-benefício. É a mesma coisa quando você for fazer um financiamento. Quando faço esse financiamento, há uma análise de custo-benefício, de quanto vou pagar de juros, então como que vou botar a mão no dinheiro agora? Esse é um dos grandes problemas dos aposentados, por exemplo. A pessoa se aposenta e já começam as ligações, e a pessoa se empolga ‘poxa, nunca tive tanto crédito’ e aí se endivida. E o grande problema é esse, e entra a questão do cartão de credito, que é uma arma que a gente tem na mão.

 

Circulou nas redes sociais que quem fizer esse saque, perde o saldo em caso de demissão. É verdade?

Isso tem nada a ver uma coisa com a outra. A não ser que ele tire todo o fundo de garantia dele. Se eu tenho lá R$ 501, eu vou lá e tiro R$ 500, me sobra R$ 1. Ai o dia que eu for demitido, vai ter R$ 1 lá. O fundo de garantia esta lá, é meu. Só que antes eu não podia botar a mão nele. Lembra quando eu falei que foi criado o fundo de garantia pelo Castelo Branco? Foi criado porque na época tinha que cuidar do operário, a força do trabalho com o capital, tinha que proteger o trabalhador porque não existia nada nesse sentido. Então criaram o fundo de garantia para ele ter uma reserva.

 

Por um lado, estou abrindo hoje a possibilidade para você botar a mão nesse dinheiro. Só R$ 500 reais, mas não pega tudo. Mas como falei: a maioria das pessoas está desempregada, trabalha um tempo e depois sai. E ai você tem R$ 600 reais, por exemplo, e tira R$ 500. Quando for demitido, ainda vai ter R$ 600. Por outro lado tem essa questão, que é o risco da pessoa não acumular capital. Temos que valorizar o conceito de poupança, seja através de guardar o fundo de garantia ou de fazer a poupança com o salário que eu ganho.

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