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ELEIÇÕES 2026 11.01.2026 | 07h00

Grande parcela de eleitores quer trégua em polarização, avalia analista político

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Ainda falta pouco mais de nove meses para as eleições de 2026, mas o cenário político já começa a ganhar temperatura elevada nos bastidores, com articulações, discursos antecipados e disputas silenciosas por espaço e votos. Enquanto partidos, lideranças e a mídia intensificam o debate, o eleitor aparente distanciamento sobre o cenário que se forma para outubro deste ano.

Para analisar esse descompasso entre a efervescência política e o humor do eleitorado, a Gazeta Digital entrevistou o professor e analista político Vinicius de Carvalho, que avalia indicadores como intenção de voto espontânea, impacto da polarização, força das redes sociais e os fatores que podem, de fato, mobilizar o eleitor nas urnas.

Na entrevista, Vinicius discute se há sinais de fadiga eleitoral, os limites da polarização afetiva, o peso do contexto econômico e social e quais temas devem definir o tom da disputa em 2026, especialmente em um cenário ainda marcado por incertezas na eleição presidencial e por uma tendência de reeleições no Executivo.


GD: Ainda falta pouco mais de um semestre, mas o cenário político já ferve nos bastidores. Na sua análise, o eleitor comum compartilha desse entusiasmo ou o que vemos hoje é um distanciamento?

Vinicius de Carvalho: O eleitor comum não compartilha no mesmo nível. Um bom indicador é a votação espontânea. Se você pega as pesquisas de intenção de voto para qualquer cargo, aí especialmente os majoritários, Senado, governo estadual e presidência, você vai ver que o índice, o número de eleitores que escolhem de forma espontânea um candidato é muito baixo. Ao longo do tempo, especialmente durante a campanha, esse número de votação espontânea converge com a estimulada, quando se apresenta uma lista de candidatos.

 

Nos últimos 10, 12 anos há politização maior da sociedade, as pessoas participam, mas o envolvimento com o processo eleitoral não é tão grande, é mais da própria elite política, empresarial e da mídia. 

 

GD: A polarização extrema entre os grupos políticos parece ter se tornado o motor das últimas eleições. Para 2026, você acredita que esse 'combustível do confronto' continuará engajando o eleitor pelo emocional ou há sinais de que o cidadão busca agora um debate mais racional e focado em entregas?

 

Vinicius de Carvalho: Tem um pouco dos dois, as pesquisas mostram que há um eleitorado, que está querendo despolarizar, querendo uma discussão mais racional mesmo, mais administrativa e pouco emotiva, pouco dessa polarização afetiva. Polarização sempre houve, sempre haverá, políticas se organizam em polos. Mas, o diferencial que nós temos hoje contemporâneo é a polarização afetiva. Existe, um grupo grande do eleitorado, realmente, que quer algo diferente, que é uma discussão mais focada em políticas públicas, em governo mesmo, e não com essa guerra de torcidas da polarização.

 

Mas, essa eleição ainda é uma grande incógnita, especialmente a presidencial. Nas eleições para governador, teremos um perfil administrativo um pouco maior. As eleições para presidente é uma grande incógnita, se realmente vamos conseguir romper essa polarização anti-Lula ou não.

 

GD: Historicamente, o eleitor alterna entre o desejo de mudança e a segurança da continuidade. Considerando o atual momento econômico e social, você percebe um eleitorado disposto a apostar em novas lideranças ou o sentimento de preservação do status deve prevalecer?

 

Vinicius de Carvalho: Cada eleição tem uma marca. A 2018 teve uma marca de oposição muito forte, por conta da crise econômica, moral, ética, social, que era aquele momento ali da Operação Lava Jato. Já a eleição de 22 teve um perfil de continuidade muito forte. O presidente da república quase sendo reeleito, mesmo com uma popularidade baixa, com uma rejeição muito alta. De 19 governadores que disputaram a reeleição, só um perdeu, então foi uma maré de reeleição.

 

Nessa de 26, eu acho que talvez caia um pouquinho esse governismo. Mas, ainda vai ser, predominância de reeleições, especialmente no Executivo. No Senado, que talvez seja diferente, porque há um foco político do bolsonarismo no Senado, eleger senadores que possam fazer o combate político ao STF. Então, as eleições para o Senado talvez tenham uma dinâmica um pouco mais de oposição.

 

GD: O entusiasmo digital muitas vezes não se traduz em mobilização real nas urnas. Como você avalia a influência das bolhas de informação na percepção do eleitor sobre a relevância de 2026? Isso gera engajamento real ou apenas um ruído que afasta o eleitor moderado?

 

Vinicius de Carvalho: Elas têm seu efeito, têm sua mobilização, sim, têm seu peso na decisão do voto, mas não é determinante ainda. Ainda tem muitos políticos que trabalham de um modo muito analógico e têm êxito. Então, acho que tem espaço para os dois. Tem muito barulho nas redes sociais que acaba nos convertendo em voto mesmo. Mas, acho que nós vamos ainda ter uma eleição com um peso analógico muito, muito forte.

 

GD: O que realmente terá o poder de tirar o eleitor de casa e gerar entusiasmo em 2026? Serão as pautas ideológicas e de costumes, que dominaram as últimas discussões, ou o bolso (inflação, emprego e renda) voltará a ser o fator decisivo para o ânimo do brasileiro?

 

Vinicius de Carvalho: É um pouco dos dois. A questão econômica sempre tem seu peso, não se pode tirar, mas essa questão mais comportamental, mais os valores, também tem seu vetor. Porque na última eleição os primeiros lugares entre as preocupações dos brasileiros era saúde, por exemplo, emprego, renda. E ao longo desse governo Lula houve um crescimento muito grande da preocupação com segurança pública. Isso pode mobilizar e pode favorecer, algumas candidaturas e desfavorecer outras.

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