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Na Trilha - A | + A

18.10.2015 | 01h00

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Desde que pus os pés em outros pais perdi as contas de quantas vezes fiquei estarrecida com os estereótipos e mitos que estrangeiros mantém em relação ao Brasil. E fato que todos nos tendemos a criar uma imagem e conceito sobre determinada nacionalidade. Mas, quando se tem a oportunidade de encontrar a informação e entender os porquês de muita coisa tudo fica diferente. No rol de escorregadas dos estrangeiros em relação à cultura brasileira vou citar 5, que são freqüentes e básicas em qualquer conversa inicial.
O primeiro mito e para mim o campeão de erros entre os estrangeiros têm relação à comida. Talvez porque tenha trabalhado em restaurante a refeição sempre foi assunto de conversa no meu dia-a-dia. Ou talvez porque já tenha passado por muito aperto ao comer algum prato diferente e pra lá de apimentado, que marcou o meu paladar. ‘Todo brasileiro gosta de pimenta’. Muitas vezes ouvi isso.
Quando vou explicar a falta de informação nessa sentença, eu início dizendo que nunca na minha vida encontrei um vidro de pimenta na minha casa e nunca vou encontrar na dispensa. Existem muitos brasileiros que adoram, especialmente no Nordeste brasileiro, mas não e consenso.
As minhas primeiras mal garfadas aconteceram na casa de família australiana, em que morei por 8 meses. A minha ‘mãe‘ já sabia que nem todo brasileiro gosta de pimenta, porque já tinha tido outros hospedes por la. No entanto, ela não escondia o gosto pela iguaria e usava na comida. Para mim ela sempre dizia: ‘Esta leve, pode comer‘. Nunca acredite! Se você não come pimenta, qualquer pouco representara muito para você. Após quase 2 anos na Austrália tive que aprender na marra a me adaptar a pimenta.
‘O Brasil é um país quente, da pra ir pra praia todo dia ne?’ Se estamos falando de Centro-Oeste, acertou. Mas, e o resto do país? E as cidades que registram geada e neve no inverno? A imagem da mulher de biquíni na cabeça do estrangeiro sempre cabe a idéia de calor eterno, de tropicalidade. Com exceção do caso isolado em que tenho registro nas minhas andanças, em que um indiano me perguntou se Brasil estava localizado na Europa, estrangeiros sempre tem problemas leves em relação à geografia. América para australianos principalmente parece ser representado somente por Estados Unidos.
A Capital do Brasil também esta fora do mapa do estrangeiro. São Paulo e Rio de Janeiro disputam o lugar ocupado oficialmente por Brasília. Afinal o que e Brasília para o estrangeiro? Nada além de algo que nunca ouviram falar. Já sobre uma das cidades mais populosas do mundo e a terra do samba, quem nunca desejou ir? São cidades faladas aos quatro cantos do mundo.
Outro grande mito e que nos falamos espanhol. O português parece só existir em Portugal. A história de colonização da América do Sul está um pouco longe da Oceania e ate mesmo de pessoas da Europa com quem já tive a oportunidade de conhecer na Austrália. Quando tento dar dicas de que sou da América do Sul para fazer a pessoa adivinhar, vem à tona Colômbia, Chile, Venezuela, Argentina. Brasil vai aparecer no final da lista. Mas, o mais engraçado mesmo é quando chegam para falar em espanhol estando crentes de que estão no caminho certo da comunicação. Situações como essa são muito frequentes e como tenho trabalhado com atendimento ao público esse tipo de gafe e praticamente diário.
O quinto e último mito em relação a brasileiros tem relação ao estereótipo físico. Quem disse que brasileiro tem que ser branco, negro, amarelo ou mulato? Nossa mistura de aparência falam por elas mesmas, mas estrangeiros nunca irão entender isso até viajarem ao Brasil. Tenho uma amiga brasileira de São Paulo, que mora em Perth, e é descendente de japoneses. O cabelo preto liso e o olho puxado indicam que ela tem descendência da Ásia. Então, por causa disso, e raro alguém acertar que ela e brasileira mesmo com o sotaque.
Ai então, depois que ela revela que é do Brasil e explica parte da história migratória de japoneses para São Paulo e a influência dessa cultura por la todos ficam estarrecidos. Mas, como? Japão no Brasil? E o mesmo acontece com a influência italiana, germânica, holandesa e africana no nosso país.
O que tenho a cada dia mais descoberto é que o nosso gigante ainda é um país desconhecido no mundo, tem tantas nuances, cores e sotaques que fica difícil algumas vezes explicar para o estrangeiro, que normalmente tende a generalizar ideias e percepções.
É por isso que hoje presto muito atenção nos asiáticos. Japonês, chinês e coreano não são do mesmo país e não falam a mesma língua. Podem até ser parecidos, mas têm suas diferenças. Eles riem discretos quando tentamos caracterizá-los. Estão um pouco acostumados com a confusão do povo do outro lado do planeta, mas como nos também tem suas origens e particularidades.
Num mundo em que estamos conectados por redes sociais e perfis muito parecidos, acredito que as origens e particularidades devem ser relembradas, revisitadas e aprendidas. Conhecimento nunca e demais para quem está em qualquer que seja o ponto do mapa.
 
Amanda Alves é repórter e escreve da Austrália sobre a vida que pode ser experimentada. amandyta.alves@gmail.com

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