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Na Trilha - A | + A

15.11.2015 | 00h00

Vai um escorpião ai?

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Um dos sonhos na minha empreitada pela Austrália era conhecer a Tailândia, um pais pequenininho metido no sudeste da Ásia. As paisagens paradisíacas, a cultura asiática e uns hábitos para la de exóticos me fascinavam. Eu queria ter a experiência de provar insetos, conferir a claridade da água do mar e comer muito Pad Thai, um dos pratos mais populares da Tailândia.

Saindo de Perth em direção ao meu destino tive a primeira parada em Bangkok, a Capital. O trânsito caótico e a poluição do ar foram marcantes nos meus primeiros momentos na Tailândia. Falta infraestrutura básica e o cenário e da típica cidade que nasceu sem ser planejada. As moradias são de cor escurecida, a fiação elétrica um emaranhado de cabos disputando atenção com as centenas de altares dedicados a monarquia local e a Buda.

A adoração do povo tailandês ao seu modelo de governo e lembrada todos os dias às 6 horas da tarde. Em qualquer lugar que esteja o hino nacional deve ser cantado em pé. Eu e meus amigos mochileiros de viagem participamos do ato numa estação de trem a caminho de um lugar remoto, que conto depois de explorar minha estadia em Bangkok.

A Capital tem a maior população do país e muita gente ganha a vida como camelo. São milhares de trabalhadores informais, que se voltam ao turismo para alcançar o lucro através, principalmente, de moedas estrangeiras, que são superiores ao Baht.
Os comerciantes em geral não falam inglês, o que dificulta a comunicação. Muito normal negociar os preços através do visor da calculadora. Eu pergunto o preço e o vendedor me apresenta o preço com o valor. Por meio de mímicas e números eu negocio o preço e realizo a compra. Eu conclui que os tailandeses poderiam fazer melhor negocio caso falassem inglês, assim como cidades com potencial turístico no Brasil.

Os 3 dias em Bangkok foram muito quentes e úmidos, me fazendo lembrar Cuiabá. Os mochileiros da Europa estavam apavorados com a temperatura. Uma garota dos Estados Unidos precisou de um dia de repouso sob ar-condicionado no quarto do hotel para recuperar o fôlego da longa viagem e aos poucos se adaptar ao clima tropical que por outro lado oferecia delicias.
Que frutas maravilhosas e saborosas! Abacaxi, pitaya, mamão, laranja e outras de nomes desconhecidos eram vendidos por poucas moedas na rua. Comia assim que tinha oportunidade. Ganhei peso. Mas, o meu objetivo mesmo era provar insetos. O exótico me fascinava e desafiava.

Numa noite em Bangkok o guia turístico trouxe para a mesa um prato de insetos torrados. Escorpiões, grilos, lesmas, sapos. Durante a minha estadia na Tailândia não vi muitas pessoas comendo esses pratos exóticos aos nossos olhos. Acredito que eles preferem carne. Mas, um vendedor colocando um escorpião inteiro na boca e mastigando me intrigou. Ele dizia “é bom, proteína, coma”.
Eu pensei algumas vezes antes de definitivamente comer. Decidi por provar ao pensar que talvez não tivesse segunda chance em vida e provei um pedaço de cada inseto. O gosto é forte! No entanto, nada impossível de se fazer. Depois de algumas horas meu estômago queimou. Essa tinha sido a primeira experiência inédita da vida na Tailândia e eu amei.

Noventa e cinco por cento da população é budista, o que da a sensação de se estar em um santuário em todos os lugares. A linha budista é a Theravada e o respeito e adoração a figura de Buda é uma unanimidade. Visitamos templos, mas antes mesmo de pisar em um deles já havia visto muitos sinais da religião seguida pela população.

 Altares, velas e oferendas estão na frente de casas, lojas e monumentos. No entanto, não faça de Buda um artigo de decoração. Vai contra a lei nacional e você pode ser autuado por isso. Budas como lembrança da Tailândia existem aos montes, mas há cartazes indicativos alertando para o crime. A figura de Buda não pode ser comercializada. Por respeito resolvi não trazer nenhum na mala.
Há muitos templos e boa parte deles em renovação. As obras são constantes, o que não se vê na infraestrutura da cidade em si, que é precária. O rei e a rainha investem nos templos, já que fazem parte da cultura local. A presença deles em um dos templos mais famosos de Bangkok e recebida com honrarias e torna as celebrações especiais.

O hábito de tirar os sapatos antes de entrar nos templos acaba sendo estendido em muito outros lugares, como restaurantes e lojas comerciais. Fiquei surpresa ao ir jantar num restaurante indiano e ter que retirar os sapatos. Apesar da cultura ser diferente a gerencia do estabelecimento resolveu implantar alguns dos hábitos locais, que são muitos.

Juntar as palmas das mãos e dizer obrigado em Thai são coisas que nunca vou esquecer daquele pais. Em qualquer lugar que seja, no táxi, no restaurante, ou na conveniência, eles fazem essa referência. Eu me senti respeitada quando recebi esse agradecimento pela primeira vez. Estes foram somente os três primeiros dias da viagem. Na próxima edição da coluna conto mais das minhas experiências na Ásia.

Amanda Alves é repórter e escreve da Austrália sobre a vida que pode ser experimentada.? amandyta.alves@gmail.com

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