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23.08.2015 | 00h00

A fumaça do ódio asfixia a mudança

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Os gritos nas ruas brasileiras não chegaram a ser ouvidos do lado de ca do mundo mas os resultados das manifestações estão a cada clique na internet. O que chega para quem esta no exterior e uma batalha de opiniões através das redes sociais que reforça o ódio desenfreado entre os brasileiros, que já vinha sendo notado desde as manifestações de 2013. Diferente dos atuais protestos nas ruas, na internet pro e contra governistas brigam numa escalada de violência, que retira de pauta o grito por impeachment.
Mais observadora do que participante, mantenho contas nas redes sociais para me ter contato com familiares, amigos e acompanhar o movimento no Brasil. Na última semana fiquei estarrecida com comentários odiosos entre amigos. Em um deles uma garota criticava a outra por não ter participado da manifestação e a classificava como parte da ‘esbórnia’.
Manifestações populares são a vitoria da democracia. Mas, posicionamentos políticos, sejam eles partidários ou não, parecem ter chegado ao limite. Sob uma enxurrada de notícias negativas: inflação na casa dos 10%, corrupção, desemprego, e os problemas sociais conhecidos de costume no Brasil, os brasileiros tem perdido a legitimidade de atitudes democráticas.
E o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) uma bandeira política, pessoal ou exercício político obrigatório? Que a internet e um aliado a liberdade de expressão todos sabemos, mas será que não terá se tornado a segunda avenida de manifestações, desta vez, odiosas?
Os grandes veículos de comunicação no exterior, como BBC News, Financial Times e New York Times trazem notícias sobre o pedido de impeachment de parte da população. Em linhas gerais eles se posicionam contrários a saída de Dilma, pontuando que isso não resolveria o problema do país, não seja legitimo em virtude de não provas do envolvimento da presidente no escândalo da Petrobras e que só teria a piorar a crise atual.
Impeachment é algo que já aconteceu no Brasil e deve ser discutido amplamente. Os protestos e publicações de opiniões fazem parte do processo, mas ódio não recria expectativa nem mudança. Eu fico triste quando a violência que tantos reclamamos infernizar as nossas vidas no Brasil também seja o caminho ‘legitimado’ para a mudança.
Talvez essa violência não esteja estampada nos jornais, sejam matérias de televisão e paginas na internet. Mas, olhe em volta e perceba se daqui a um tempo amigos seus ou mesmo você estejam cortando relacionamentos por causa de uma discussão política.
Por experiência própria posso compartilhar que política no Brasil ainda não e um assunto livre a ser discutido. Ou esta amarrado por paixões ideológicas, empregos de cabide ou puro desrespeito. Lembro-me quando no início de carreira um ex-prefeito da minha cidade de origem quis me intimidar durante meu ofício. Estava acompanhada do meu editor para realizar uma entrevista com o tal prefeito, que me acusou de ser imparcial por ter meu pai trabalhado para o candidato do partido oposto durante as eleições anteriores.
Naquele mesmo dia tinha uma matéria de capa de minha autoria, que denunciava o problema de esgotamento sanitário nas praias da cidade, onde residem 13 mil habitantes, mas que recebe o quádruplo durante a temporada de verão. Se eu nunca fui filiada a partido político, hoje mesmo ainda não sinto vontade. A tal sonhada reforma política e outro assunto que precisa levantar vôo e ser tratado seriamente, sem paixões.
O jornalismo por si mesmo não e imparcial, apesar da literatura defende-lo ser. Mas, em minha opinião tem o dever do contraditório. Podemos ter as nossas certezas absolutas, mas eu fico desejando que a liberdade seja a certeza de um futuro político.
Não vejo atual e futuro governo e seu eleitorado construindo um país justo e igual na atual condição. A fumaça do ódio asfixia a pretensão de qualquer mudança e as pessoas parecem perder a visão diante da fuligem.
 
Amanda Alves é repórter e escreve da Austrália sobre a vida que pode ser experimentada. amandyta.alves@gmail.com
 

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