29.11.2015 | 00h00
Depois dos três calorosos e agitados dias em Bangkok eu e o restante dos mochileiros do grupo enfrentamos 17 horas de viagem rumo a um lugar remoto no Sul da Tailândia, esse país tropical que comecei a relatar na última coluna Na Trilha. O Parque Nacional Khao Sok tinha que ser maravilhoso, porque todo o nosso empenho ao enfrentar uma longa viagem como aquela tinha que valer a pena. Era só isso que pensava quando os mosquitos, o calor e a dor no pescoço começaram a me irritar na noite que passamos dentro do trem.
Foram 13 horas e meia dentro de um antigo e desconfortável trem. Estávamos na primeira classe, com camas adaptadas aos assentos, travesseiro e cortina para manter a privacidade de cada um. O trem chacoalhava todo o tempo e utilizar o único banheiro do vagão era um desafio. Mas ainda assim, pensava que não poderia reclamar. Quem estava na terceira classe só teria um banco de madeira para dividir com outro passageiro e atravessar todo o percurso rumo ao Sul. Se o meu pescoço estava ‘quebrado’ imagina daquelas pessoas.
No outro dia pela manhã desembarcamos em uma cidade que daria acesso a Khao Sok. Depois de uma hora e meia de microônibus chegamos ao ponto que seriamos levados enfim aos nossos bangalôs flutuantes, um hotel rodeado de água e floresta. Mais uma hora e meia de barco e o guia nos apresentou o lugar, que jamais esquecerei. O difícil acesso não e destino dos mais famosos entre os turistas, mas nos enfrentamos os sacrifícios e fomos recompensados.
O silêncio do lugar, a falta de sinal para telefone, o acesso a energias por algumas horas à noite, só tinham a nos fazer curtir o dia de sol no antigo rio, que hoje faz parte de uma grande represa. Tivemos a oportunidade de visitar uma caverna no Parque Nacional em que a única luz disponível era das nossas lanternas. No caminho percorrido ate lá enfrentamos uma forte chuva.
Dentro do barco, durante a trilha e depois na canoa de bambu, sentíamos os pingos das chuvas doer. Era final de tarde e eu me senti no meio da Amazônia brasileira. Foi uma aventura daquelas! Chegamos encharcados já a noite aos bangalôs, famintos e prontos para dormir sob o rio no meio do nada.
Se tem algo que preciso mencionar sobre essa viagem foram os modelos de transporte. Depois do avião, embarquei em ônibus, carro, tuk tuk, micro-ônibus, trem, barco, ferry, canoa, e até o elefante, o tão sonhado elefante que logo mais detalho.
Khao Sok ficou para atrás na manhã seguinte depois do café da manhã. Era hora de partir para
Koh Phangan. A ilha da famosa Festa da Lua Cheia, que acontece uma vez por mês, não era meu grande objetivo. Nesses dias especiais milhares de pessoas vão para uma praia de cerca de um quilometro de distância, onde se concentram bares, clubes e dançam e bebem durante toda a noite sob o luar. Maconha e droga oferecida livremente, apesar de proibida. Garçons chegam para o cliente oferecendo ao cliente antes mesmo de entregar o cardápio.
Os cinco dias em Koh Phangan foram ótimos apesar da temporada de chuva atrapalhar alguns dias na praia. A praia de Malibu que da nome a uma bebida alcoólica e linda. Água calma e clara. Mais uma vez, foram 2 horas e meia da Ilha de Koh Phangan ate lá, mas valeu a pena. Vi durante o trajeto de barco, sem precisar mergulhar, as enormes águas-vivas que por lá vivem. A cada dia que passava eu me sentia mais privilegiada.
Mas, o grande dia mesmo estava para chegar. O encontro com as três elefantes da Camboja foi sensacional, principalmente quando andei em uma delas. Agora entendo porque elefantes são considerados proteção na Tailândia. Eles são muito dóceis e amáveis, quando levantam a trompa para comer parecem sorrir. Não chegam a serem grandes como os maiores do mundo, espécies que são encontradas na África, mas são grandes e caminham devagar durante o passeio diário.
Eu e o grupo tivemos a oportunidade de acompanhamos em uma caminhada, dar comida e por fim, levar um banho através da trompa deles. Quando eu sentei e a elefante começou a caminhar senti muito medo de cair. Eu tenho medo de altura e sem proteção, me senti apreensiva. Mas, ai depois de uns minutos tudo era alegria. E o tipo de coisa que não vou esquecer pelo resto da vida. Estava muito feliz.
Assistir ao boxe tailandês também foi incrível. Numa noite de lutas na Ilha de Koh Phangan pude presenciar realmente o que é cultivado como cultura entre os tailandeses. Eles amam o boxe, que tem origem na China e envolvido de rituais e respeito. Sem sangue e massacre, crianças iniciam a prática quando estão com 5 anos de idade, tanto meninas quanto meninos.
Estrangeiros são comuns estudantes de thai boxing na Tailândia. No lugar em que assisti as lutas, bandeiras de outros países representavam pessoas que por lá já passaram para absorver o conhecimento na luta. Um dos lutadores daquela noite era francês e ganhou a luta contra um tailandês. Ao mesmo tempo, a Tailândia já tinha me ganhado.
Amanda Alves é repórter e escreve da Austrália sobre a vida que pode ser experimentada.? amandyta.alves@gmail.com
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