06.09.2015 | 00h00
Alguém em algum dia disse que a união faz a força. Eu diria que a união provoca força oposta. Experimente de repente saber que um grupo de jovens começou a se reunir todos os sábados à noite na rua da sua casa. Eles gargalham, falam alto, andam de skate e gastam cerca de 4 horas nas noites do final de semana por lá.
De dentro da sua casa você pode ouvir tudo o que acontece na rua. Os seus vizinhos também. Alguns dos moradores não estão em casa, outros reservam ao final de semana o bendito descanso semanal em domicilio, engatando com o domingo. Podemos supor que alguns dos moradores não se importariam e outros sentiriam indignação, ódio ou revolta por aquilo estar acontecendo. Surge aí a força oposta.
Você pode se dar conta disso quando estiver indo à Central de Polícia mais próxima dando queixa do barulho ou montando um abaixo-assinado para defender a extinção do grupo de jovens no local e horário que não lhe e próprio.
Escrevo sobre o assunto porque nas últimas semanas o debate sobre o acordo de livre comércio entre a China e Austrália, que prevê desoneração de tributos na comercialização de produtos e fixação de empresas entre os dois países, traz à tona a constante luta de forças que existe na política e na vida.
O partido liberal, que está no governo, realiza plena campanha para fazer o acordo lançar voo e então fazer render empregos diante da crise em mineração e energia, como assim acredita e defende. O primeiro-ministro Tony Abbott tem defendido o acordo de livre comércio como uma grande oportunidade de investimento, já que a China e o maior importador de produtos e serviços da Austrália, correspondendo a quase um terço das exportações. O acordo foi assinado em junho, mas ainda enfrenta resistência no Parlamento, especialmente por parte do partido dos Trabalhadores.
O líder de oposição Bill Shorten acredita que as vagas de trabalho para australianos estarão em risco e defende a garantia de proteção e direitos aos trabalhadores. A oposição ficou ainda mais acirrada depois que a China passou a defender ’cheque em branco’ no desenvolvimento do acordo. A imigração de chineses, que já é realidade entre o punhado de imigrantes na Austrália, e considerada uma ameaça, para o partido dos trabalhadores e sindicatos de categoria.
Com o partido liberal no poder, grupos e associações de trabalhadores se sentem ainda mais empoderados para defender seus direitos. Lei por aqui é respeitada e os sindicatos sabem utilizá-la bem. Os empregados são bem pagos em qualquer profissão, de uma forma geral, e as poucas empresas estrangeiras que abrem as portas na Austrália, precisam investir um bocado em folha de pagamento e garantir prioridade para a contratação de australianos. Um fator que é motivo de reclamação por muitos investidores. Entre eles o comentário de que a Austrália e um país caro e pouco atrativo para lucro.
Enquanto o possível acordo não sai do papel, o país continua nesse eterno embate de forças e na redoma de protecionismo, que pode ser bom, que pode ser ruim, dependendo de quem reporta.
Lembro-me quando trabalhava no maior sindicato de categoria de Mato Grosso dois anos atrás e em uma das conferências um palestrante disse que os resultados de uma luta só são alcançados depois de muito embate entre forças opostas e que por isso, a luta não para.
Opiniões divergentes, disputas por poder, nunca acabarão. Depois que iniciam, tome você um partido.
A história dos sindicatos por aqui iniciou somente depois do período de translado de prisioneiros da Coroa Britânica para a Austrália. Até 1833 a transferência de prisioneiros da Inglaterra para o maior país da Oceania era a principal fonte de mão de obra. Os prisioneiros que aqui chegavam eram então escravizados, o que não abria espaço para qualquer manifesto contrário ao que era imposto.
Depois da abolição da escravatura o cenário começa a mudar com as primeiras organizações surgindo a partir de artesãos dos trabalhadores urbanos altamente qualificados e dos trabalhadores urbanos qualificados que procuravam combinar aumento de salário com redução de horas.
Se há uma disputa mais acirrada por vagas com a crise nas principais fontes de renda da Austrália, por outro lado, trabalhadores na Austrália esbanjam comprometimento com a vida social. Eles trabalham na maior parte dos cargos de segunda a sexta-feira, sem horas extras, desfrutando de um final de semana planejado com a família e amigos e sem o receio de receber um telefonema inesperado da empresa lhe chamando para o trabalho. Trabalho por aqui é sinônimo de vida e não o contrário.
Amanda Alves é repórter e escreve da Austrália sobre a vida que pode ser experimentada. amandyta.alves@gmail.com
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