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28.06.2015 | 00h00

O desafio do Ramadan

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São 10 horas da manhã e eu estou com fome. Minha última refeição foi há 5 horas e conto os minutos para ter a segunda no final de tarde, exatamente as 17h20, quando o sol se põe. No dia em que escrevo esta coluna realizo meu 6º dia de jejum, uma prática do Ramadan realizada pela comunidade muçulmana que reúne cerca de 476 mil pessoas na Austrália de acordo com o Censo de 2011.

Como jornalista fascinada por desafios observei os 3 primeiros dias do jejum do meu namorado com curiosidade. Mohamed pratica o Ramadan desde os 10 anos com tradição e eu não me imaginava fazendo aquilo. Somente em pensar que passaria as 12 horas do dia sem mastigar ou beber algo me fez sentir esfomiada e com sede. Depois de ser provocada pela amiga e jornalista mato-grossense Valerya Prospero, que me perguntou se conseguiria fazer isso, decidi me testar. ‘Ok vou experimentar‘.

O Ramadan ’e o 9º mês do calendário islâmico, que se baseia pela lua. Quando ela esta crescente o jejum e outras praticas desta religião iniciam, durando um mês. A realização do Ramadan neste mês tem relação com a revelação do Quran para Muhammad, o profeta, de acordo com a crença dos e celebra o sacrifício e concentração no texto do Alcorão. Ficar sem comida e água para alguns deles seria ‘entender‘ como vivem os mais pobres no mundo.

No Brasil existiam 35 mil muçulmanos em 2010, segundo o Censo. Um parcela mínima em relação a nossa população e nos torna distante de conhecer este tipo de religião. Na Austrália como por ai, os cristãos são maioria ( ainda que decrescente ano a ano) numa proporção de 6 entre 10 pessoas. A laicidade e defesa do livre exercício de fé também faz parte da Constituição australiana, o que torna os dois países bem similares neste aspecto, apesar dos números absolutos de seguidores do islamismo serem bem diferentes.

Por causa do número maior de muçulmanos nas cidades australianas e muito comum cruzar com mulheres utilizando o véu em torno da cabeça, cobrindo todo o cabelo. Tem se tornado cada vez mais frequente na mídia por aqui a temática da religião e atentados terroristas. Os dois temas, ainda que não diretamente associados, causam polêmica entre fies que negam esse tipo de prática sendo de caráter religioso e os terroristas que defendem a violência em nome da fé. No meio desse turbilhão ações governamentais de cerceamento a entrada de terroristas e ativistas em prol dos direitos religiosos completam o embate.

Polêmicas a parte, estou com fome. O horário do almoço está chegando e nada de mastigar. No inverno gelado de Perth sinto ainda mais vontade de comida. Sede nem tanto. Mas só em pensar naquele prato de arroz com feijão eu deliro de desejo.

A primeira refeição antes do nascer do sol e chamada Suhur e deve preparar o muçulmano para o jejum. No meu primeiro dia comi muito neste momento, porque sabia que ficaria muito tempo sem refeição. Voltei para cama para dormir estufada e pesada. Ao acordar senti muita sede, que depois de um tempo passou.

Corajosa fui para academia no mesmo dia, treinando por uma hora, e acelerando meu metabolismo por comida. La pelas 2 da tarde procurava o que fazer para não lembrar do relógio lento que não me apresentava novidade. Duas horas depois comecei a preparar o jantar, que na religião islâmica e chamado de Breakfast ou café da manhã.

As 17h15 com tudo pronto na mesa, a minha vontade era de quebrar o desafio, como penso exatamente agora. Mas, segui, iniciando a refeição então 5 minutos mais tarde, ao por-do-sol. Primeiro comi uma tâmara seca, bebi água, e continuei com a comida. Que felicidade!

A dor de cabeça e o mau humor foram sintomas que já imaginava e comecei a sentir depois do meio-dia. Com o passar dos dias, no entanto, me acostumei com os horários e o organismo se condiciona, como percebo hoje a caminho de completar uma semana.

Uma outra constatação a que cheguei e que depois de passar 12 horas em jejum qualquer coisa que te ofereçam para comer será aceita. Você estará com tanta expectativa por alguma coisa que lhe faça mexer as mandíbulas que nem se dará ao luxo de escolher.

Em dois dias devo voltar a minha rotina de 4 refeições por dia e as mastigadas eventuais entre elas. Como pessoa e profissional respeito as práticas de fé e as pessoas que o realizam. Não há limites para o mundo aquele que não se limita. E principalmente o desafio e sempre uma oportunidade de ter a certeza de que nada e impossível diante da determinação. Obrigada a Austrália mais uma vez.

Amanda Alves é repórter e escreve da Austrália sobre a vida que pode ser experimentada. amandyta.alves@gmail.com

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