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deu na gazeta 21.12.2022 | 09h39

8 pessoas moram em 3 cômodos e maior sonho é ter a mesa farta

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Dantielle Venturini

redacao@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

No bairro São Simão, em Várzea Grande, 8 pessoas dividem uma casa de apenas 3 cômodos e passam por diversas necessidades, entre elas a principal é a alimentação. Micaela Alves da Costa, 34, é a responsável pela casa e cuida da mãe de 68 anos, que tem Alzheimer, e também dos 3 filhos, Natália Maria, de 8 anos, Luís Carlos, 10, e Yara Taina, de 11 anos. Além deles, ainda moram com eles o irmão caçula de Micaela, que tem 30 anos, e os dois sobrinhos, um de 19 anos e outro de 12 anos.

 

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Sem poder trabalhar por causa dos cuidados com a mãe, que mesmo tomando medicação passa por algumas crises, a renda da casa é do Auxílio Brasil e também do que o irmão consegue em bicos com o seu trabalho. Ela conta que antes da saúde da mãe se complicar, ainda conseguiu pegar algumas diárias para realizar durante a semana, o que ajudava bastante.

Desde que teve que parar, a situação em relação à alimentação se complicou mais e nem sempre eles têm o que dar de comer para as crianças e à mãe.

 

Para o almoço de segunda-feira (19), dia que a reportagem esteve na residência, tinha arroz, feijão e ovo. O arroz e o feijão eu tenho porque peço e ganho.

 

Nesta semana ela conta que o café da manhã também foi garantido graças a uma ação de uma igreja na região. Eles fizeram no sábado um café da manhã e aí eu aproveito e guardo para dar durante a semana, pois se não for isso não dá para dar algo todos os dias.

 

Mesmo com a escassez de alimentos, o amor e companheirismo têm de sobra na residência que, em grande parte do tempo, está cheia de crianças. Segundo Micaela, os sobrinhos, de parte dos 9 irmãos que ela tem, sempre estão por lá. No momento em que a reportagem estava na casa chegaram mais 6 crianças para brincar. As crianças são bem unidas, a gente tem pouca coisa, mas tem muito amor.

 

Drama

Vivendo uma situação difícil ainda com a doença da mãe, Micaela está preocupada já que em fevereiro precisa consultar a mãe novamente com um psiquiatra para conseguir as receitas da medicação. Ela conta que há 3 anos tenta realizar o acompanhamento de dona Maria Severina pelo Sistema Único de Saúde, mas até hoje não conseguiu. Assim, a família precisa desembolsar, a cada 6 meses, R$ 600 para um médico particular. A última vez eu precisei sair pedindo um pouquinho para cada um que conhecia para conseguir juntar.

 

Cirurgia

Além disso, ela luta também pela cirurgia que vai garantir o retorno dos movimentos da mão da filha de 8 anos. Aos 10 meses de vida, Natália queimou a mão e parte do braço em um fogão a lenha. As queimaduras deixaram graves sequelas e menina tem dificuldades para abrir os dedos. Atividades simples, como pegar um copo e segurar um lápis, por exemplo, para ela são desafios.

 

Não bastasse isso, a criança ainda tem que lidar com comentários maldosos de colegas na escola. Mas apesar de todo esse trauma, a menina não se deixa abalar. Na escola eles falam que sou aleijada. Mas eu não sou e então não ligo para o que eles falam, eu quero estudar, conta.

 

Micaela conta que antes da pandemia conseguiu agendar a cirurgia para Natália no Hospital Júlio Müller, mas com a nova doença os procedimentos da época foram suspensos. Agora, desde que retomaram tudo, eu ainda não consegui nada. Estamos na espera, mas até quando? Já se foram 8 anos da vida dela nessa luta.

 

Natal

Para esse Natal o maior sonho da família se resume à alimentação e presentes para as crianças. Faz muito tempo que a gente não sabe o que é ter uma mesa farta, mas somos gratos pelo que temos, afirma Micaela.

 

Com a geladeira vazia, ela conta que as crianças há muito não sabem o que é um iogurte, frutas, legumes e verduras. A carne também é coisa rara na alimentação. Comemos essas coisas mais quando ganhamos mesmo.

 

Na casa, o pedido de Natal das crianças se resume em um só, uma bicicleta para cada. Mesmo com o pedido sendo o primeiro na lista das crianças, elas também sonham com bolas, carrinhos e bonecas. A mãe também afirma que elas precisam de roupas e sapatos.

 

Serviço

Para ajudar a família de Micaela o telefone para contato é (65) 9685-2695.

 

Leia mais matérias de Cidades na edição do Jornal A Gazeta

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Comentários

Cuiabano - 22/12/2022

Famílias e famílias sem nenhuma estrutura, lamentável

Evangelista - 22/12/2022

Muito difícil ter filhos sem conseguir sustentar a si mesmo, vira só sofrimento, precisa pensar, está cada dia mais difícil, o suis está lotado lotado e o atendimento é precário, então tem que pensar bem

2 comentários

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