'MUITAS JÁ ESTÃO NO LIMITE' 10.05.2026 | 13h00

maria.klara@gazetadigital.com.br
Reprodução
A rotina intensa, a cobrança constante e a necessidade de “dar conta de tudo” têm levado muitas mães ao esgotamento emocional. Em entrevista ao
, a psicóloga Cristiane Bianchi falou sobre os impactos da sobrecarga materna e alertou para os sinais de exaustão que, muitas vezes, acabam sendo ignorados no dia a dia.
Segundo a especialista, além das tarefas físicas, as mães também carregam uma carga emocional invisível.“Porque muitas mães não carregam apenas tarefas… carregam responsabilidades emocionais invisíveis. Elas cuidam da casa, dos filhos, do trabalho, das emoções da família, das agendas, dos detalhes, das preocupações e ainda tentam corresponder às expectativas de todos”, explicou.
Cristiane destaca que muitas mulheres vivem em estado constante de alerta, questionando se estão sendo boas mães ou se estão fazendo o suficiente.“Muitas mães vivem em estado de alerta constante, sem pausa emocional”, afirmou.
De acordo com a psicóloga, apesar das mudanças sociais, ainda existe uma forte pressão para que as mulheres consigam equilibrar todas as áreas da vida sem demonstrar cansaço.
“A maternidade ainda é romantizada. Muitas vezes mostram apenas o amor, mas escondem o cansaço, a renúncia e a sobrecarga que muitas mães carregam”, disse.
Ela também ressalta que, quando uma mãe demonstra exaustão, frequentemente acaba sendo julgada. “Isso faz muitas mulheres se sentirem obrigadas a suportar tudo em silêncio”, pontuou.
Entre os principais sinais de sobrecarga emocional, Cristiane cita irritação constante, sensação frequente de cansaço, culpa, vontade de se isolar, dificuldade para descansar e perda de prazer em atividades que antes eram importantes.
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“Muitas mães continuam funcionando… mas emocionalmente já estão no limite”, alertou.
Outro ponto destacado pela especialista é a culpa materna, que pode afetar diretamente a saúde mental das mulheres.
“A culpa faz a mulher acreditar que nunca está fazendo o bastante. Essa cobrança interna gera ansiedade, esgotamento emocional, baixa autoestima e até sintomas depressivos”, explicou.
Egoísmo e sofrimento emocional
Segundo ela, muitas mães passam a enxergar o descanso como egoísmo e acabam se desconectando de si mesmas.
As redes sociais também contribuem para aumentar a pressão sobre a maternidade. Conforme Cristiane, a internet criou uma imagem de maternidade perfeita e inalcançável.
“Mães sorrindo o tempo todo, casas organizadas, filhos impecáveis, rotina produtiva e felicidade constante. Muitas mulheres começam a comparar os bastidores da própria vida com o palco editado da internet”, afirmou.
Para a psicóloga, esse tipo de comparação intensifica a sensação de insuficiência e aumenta o sofrimento emocional.
Cristiane também chamou atenção para os impactos da falta de autocuidado. Segundo ela, quando uma mãe deixa de cuidar de si mesma por muito tempo, começa a sobreviver emocionalmente no automático.
“Isso pode trazer exaustão emocional, ansiedade, irritabilidade, baixa autoestima, desmotivação e adoecimento físico e emocional”, destacou.
Ao final da entrevista, a especialista reforçou que autocuidado não deve ser visto como luxo, mas como necessidade.
“Autocuidado é manutenção emocional”, concluiu.
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