precisam de acesso à educação 19.09.2021 | 08h00
Otmar de Oliveira/Arquivo A Gazeta
O Ministério da Economia revisou novamente a previsão da inflação para 2021 e, com isso, trabalhadores, aposentados, pensionistas e segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que recebem o salário mínimo terão um aumento maior do que o anunciado anteriormente.
O percentual estimado pelo governo para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) – indicador responsável pelo cálculo do reajuste do salário mínimo e os benefícios do INSS – subiu de 6,2% para 8,4%.
Para o economista André Braz, coordenador do IPC do FGV IBRE, qualquer reposição acima do esperado tanto na aposentadoria quanto no salário mínimo é bem-vinda. Porém, a inflação está presente em grupos do orçamento familiar de forma diferente.
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Com o orçamento apertado, essas famílias que já priorizam a compra de alimentos e o pagamento de serviços, como água e energia, que não podem faltar em casa, quando esses grupos sobem os preços acima da inflação média, que é o caso de 2021, é preciso substituir itens da cesta básica e cortar mais coisas, conta Braz.
"Então, um orçamento que já é restrito acaba sendo vítima de novos cortes e acaba diminuindo ainda mais a qualidade de vida do brasileiro. O mais triste nisso tudo é que não é algo que podemos recompor da noite para o dia. Precisaríamos de anos para diminuir a quantidade de pessoas que ficam presas ao salário mínimo". André Braz
É preciso ter comida, educação e infraestrutura para mudar
O economista pontua que enquanto o Brasil não parar de tratar a desigualdade social com medidas assistencialistas, o salário mínimo ainda será muito representativo para as famílias de baixa renda.
Ele acredita que o Brasil deveria criar medidas permanentes para melhorar a qualidade de vida da população carente e iniciar o processo oferecendo educação de qualidade para as pessoas.
"O investimento em educação e na qualidade de mão de obra pode fazer com que a força de trabalho tenha acesso a remunerações maiores e que mais gente consumam cestas mais robustas."
O cenário, no entanto, está longe de ser alterado porque educação não é prioridade para o governo, diz Braz.
"A gente ouve falar que se constrói muita escola e dá merenda, mas educação mesmo, valorização do professor, fica em segundo plano. E isso é um problema porque perpetua esta desigualdade deixando as famílias reféns de auxílios assistenciais.
Na última quinta-feira (16), a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou um relatório sobre o impacto da pandemia de coronavírus na educação e destacou a baixa remuneração dos professores brasileiros.
O estudo mostrou que o salário médio dos professores no Brasil é inferior ao das 37 nações do bloco e dos três países parceiros representados no levantamento.
Para o sociólogo Fabio Mariano, uma educação que vai, de fato, ajudar as pessoas a saírem da exclusão e da desigualdade é uma educação emancipadora e que vise fomentar a autonomia, a cidadania e a relação do indivíduo com si só. Ele acredita que é preciso investir na educação não apenas com foco na empregabilidade.
"Ninguém aprende com fome ou numa escola que não oferece o mínimo de infraestrutura. Viajei muito pelo país e já me deparei com escolas sem parede, banheiros sem condições de serem usados e merenda incomestível. Há lugares nos quais os alunos precisam percorrer 30 km para chegar à escola. Esses aspectos em outros países são inimagináveis."
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Milho Disponível
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Algodão
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