economia global 13.03.2023 | 14h47
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (13) que não vê risco de uma crise sistêmica na economia global, após a falência decretada em dois bancos nos Estados Unidos, na última semana. Segundo ele, a situação é grave, mas há "gordura" no país para que a redução da taxa de juros seja, de fato, realizada.
"Não sei se vai gerar uma crise sistêmica, aparentemente não. Não vi ninguém tratar esse episódio como o Lehman Brothers, mas é grave o que aconteceu. O Fed [banco central norte-americano] agiu no fim de semana, e nós vamos ver ao longo do dia. Hoje, diria que há pouco espaço para aumento da taxa de juros no mundo e que tem uma gordura no Brasil, tomando as providências que vêm sendo tomadas. Penso que temos um espaço que o mundo não tem", afirmou.
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Haddad relatou ainda ter conversado com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com dois banqueiros para compreender a avaliação deles sobre a falência de bancos norte-americanos. Ainda de acordo com o ministro da Fazenda, "as informações ainda não suficientes para saber o tamanho do problema".
"Vamos ver se a autoridade monetária vai tomar alguma providência, em virtude dos efeitos das economias periféricas. Isso não está claro ainda. Vamos acompanhar ao longo do dia", acrescentou.
As declarações foram dadas por Haddad em evento que discutiu a reforma tributária. Recentemente, dois bancos dos EUA (Signature Bank e Silicon Valley Bank) sofreram falência. Esse último, por exemplo, trabalha com o setor tecnológico desde a década de 1980 e ficou, surpreendentemente, sem liquidez.
Pouco conhecido do público, era o 16º banco americano em tamanho de ativos. O SVB é a primeira instituição com depósitos garantidos pela corporação federal a quebrar desde 2020, segundo a FDIC (Corporação Federal de Seguro de Depósitos). Trata-se, também, da maior falência bancária nos Estados Unidos desde a crise de 2008 em volume de ativos.
"Tem um impacto na confiança do ecossistema de startups, já que grande parte delas possuíam depósitos nesses bancos. O órgão regulador americano disse que não vai deixar nenhum cliente na mão e vai cobrir todos os depósitos, mas não se sabe ainda quanto tempo isso vai levar", argumenta o professor convidado de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Hugo Garbe.
"Temos grandes bancos digitais brasileiros que tinham depósitos por lá, e gerou um receio no mercado brasileiro. Esse receio é de justamente gerar desencaixe no caixa, uma vez que as startups dependem muito dos aportes que recebem. E se eles estavam contando com aquele dinheiro e não tiverem condições de sacar, corre o risco de demitir pessoas ou até mesmo de quebrar também", acrescenta.
Demais temas
No evento, Haddad defendeu que a reforma tributária seja votada entre junho e julho na Câmara dos Deputados e entre setembro e outubro, no Senado Federal. O ministro avaliou o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator do tema na Casa, como "excepcional".
Haddad descartou a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O imposto nasceu em 1997 com o objetivo de arrecadar dinheiro para a área da saúde, mas foi extinto em 2007.
"Não está no nosso radar, [a volta da CPMF] nem no plano do governo e nem nos planos da área econômica: do Planejamento, da Fazenda e do MDIC [Ministério do Desenvolvimento]. Não está na mesa de ninguém essa possibilidade", disse.
Durante a cerimônia, o ministro da Fazenda ainda falou sobre a taxa de juros - atualmente em 13,75% ao ano - e disse que há "gordura" no país para que a redução do índice seja, de fato, realizada.
"Creio que hoje eu diria que há pouco espaço para aumento da taxa de juros no mundo, e eu diria que tem uma gordura no Brasil que permite a nós, tomando as providências que vem sendo tomadas e reconhecidas pelo Banco Central nas atas que divulga, eu penso que nós temos aí um espaço que o mundo não tem".
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