CASO RAQUEL CATTANI 22.01.2026 | 15h00

maria.klara@gazetadigital.com.br
TJMT
O Tribunal do Júri retomou o interrogatório após 6 testemunhas, os réus começaram a ser ouvidos. Rodrigo Xavier Mengarde, cunhado de Raquel Cattani e acusado de ter cometido o crime, preferiu ficar em silêncio, já Romero Xavier Mengarde, ex-marido de Raquel afirmou que a iniciativa de separar partiu dele, negou os crimes e ainda contou que vive uma relação conturbada com o irmão.
Às 14h36, Rodrigo ao ser informado de seus direitos constitucionais, entre eles o de permanecer em silêncio, o réu optou por não responder às perguntas formuladas em plenário. Rodrigo é apontado pela investigação como o executor do crime. O homicídio ocorreu em julho de 2024 e teve grande repercussão em todo o estado.
Após Rodrigo se negar a falar, o juri convocou seu irmão, Romero, também acusado, para o interrogatório.
Às 14h37 teve início o interrogatório do réu Romero, que optou por responder às perguntas. Em sua fala, ele negou as acusações e afirmou que os fatos descritos na denúncia do Ministério Público não são verdadeiros.
Romero declarou ainda que mantinha uma relação conturbada com o irmão, apontado como executor do crime. Segundo ele, os dois tinham problemas antigos de convivência e pouco contato. Também afirmou que foi ele quem tomou a iniciativa de se separar de Raquel Cattani.
Ele ainda reforçou que a separação partiu dele e que teria comunicado tanto à vítima quanto aos pais dela o fim do relacionamento. Disse que não houve formalização em cartório, mas que o casal já havia procurado um advogado. Segundo o réu, eles estavam separados de fato havia cerca de 30 dias. O réu relatou ainda que, em separações anteriores, o casal acabava se reconciliando, mas que, desta vez, decidiu encerrar definitivamente a relação. Após o término, afirmou ter se mudado para Lucas do Rio Verde para tentar reorganizar a própria vida.
O réu voltou a falar sobre a relação com o irmão, relatando episódios antigos de conflito. Segundo Romero, em uma ocasião, enquanto trabalhava na região, soube de furtos atribuídos a Rodrigo, incluindo o desaparecimento de um celular. Ele disse que localizou o aparelho com o irmão, recuperou o telefone e afirmou não ter envolvimento com o furto. Ainda conforme o relato, após o episódio, orientou Rodrigo a deixar a região e o ajudou a se deslocar para outra cidade de ônibus, alegando que buscava evitar novos conflitos.
Romero afirmou que, em outra ocasião, percebeu que o irmão havia furtado itens do freezer da casa onde morava com Raquel. Disse que tanto ele quanto a vítima ficaram chateados com a situação. Segundo o réu, dias após a visita do irmão à residência, notou o desaparecimento dos produtos e passou a acreditar que Rodrigo os havia levado.
Segundo ele após a separação, voltou a morar em Lucas do Rio Verde e passou a evitar contato com o irmão. Mas afirmou que Rodrigo teria enviado mensagens e localizações para se encontrarem, mas que optou por não ir aos locais indicados e manter distância, buscando não retomar a convivência naquele período.
Em interrogatório, Romero apresentou sua versão sobre os momentos que antecederam a morte de Raquel Cattani, detalhando deslocamentos, encontros familiares e a questão da gasolina levada ao sítio.
Segundo o réu, após sair de casa, esteve brevemente com Raquel, deixou alguns pertences e saiu, afirmando que ela permaneceu na residência. Romero relatou que seguiu até o sítio de Gilberto Cattani, pai da vítima, onde encontrou familiares e participou de um reparo em uma máquina. Disse que a motocicleta apresentava problemas mecânicos e não podia ser desligada, o que o levou a ir até um posto buscar gasolina em duas garrafas para concluir o conserto.
Ele afirmou que, após os ajustes, voltou para casa e permaneceu por alguns minutos aguardando a moto esfriar, sem qualquer desentendimento ou situação fora da rotina.
Romero também descreveu a dinâmica da tarde e início da noite. Disse que não houve conflito no sítio, que saiu do local sozinho enquanto Raquel retornou de moto e que as crianças ficaram sob seus cuidados. Segundo ele, voltou à casa da vítima, ajudou na rotina dos filhos, deu banho neles e organizou a saída. Em seguida, afirmou que foi para a vila, enquanto Raquel seguiu em outra direção.
Sobre a madrugada, Romero declarou que foi à casa da mãe, onde consumiu cerveja com um grupo. Relatou que pediu para uma conhecida comprar mais bebida e que depois todos se reuniram em um barracão. Disse ainda que parte do grupo voltou à cidade para comprar mais cerveja e que ele seguiu com algumas pessoas, permanecendo em confraternização durante a madrugada, até a dispersão do grupo.
Questionado pelo motivo do seu irmão ter lhe acusado de ser o mandante do crime, Romero, cita que talvez seja “raiva” e que não sabe explicar ao certo.
Às 15:37 a promotoria perguntou ao réu porque ele teria ido à casa dos pais de Raquel, Gilberto e Sandra, após o termino se foi ele que supostamente teria terminado o relacionamento. Ele respondeu que isso ocorreu antes do fato, mas a promotoria indagou novamente a pergunta.
Questionado pelo Ministério Público sobre a mudança em seus depoimentos, Romero afirmou que foi coagido por policiais a confessar o crime. “Falavam: pode falar que foi você que pagou”.
Segundo o réu, ele teria sofrido agressões físicas e intimidações, chegando a desmaiar durante as supostas agressões. Romero disse ainda que foi colocado em uma caixa d’água no sítio, com mãos e pés amarrados, enquanto era pressionado a assumir a autoria do homicídio. De acordo com ele, o medo de novas agressões explicaria a mudança de versão em depoimentos posteriores.
No final do seu depoimento, Romero declarou que gastou entre R$ 2.400 e R$ 2.600 na noite em que esteve em casas noturnas, informando que todos os pagamentos foram feitos em dinheiro. Disse ainda que não repassou valores a Rodrigo e que nenhum serviço foi prestado pelo irmão naquela ocasião.
A sessão do Tribunal do Júri foi suspensa para preparação da próxima fase do julgamento.
Júri em andamento
Dois homens e 5 mulheres foram o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri que julga, na manhã desta quinta-feira (25), Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pelo assassinato de Raquel Cattani, em 2024. Os dois delegados que investigaram o crime foram os primeiros a serem ouvidos e destacaram a frieza do Romero e a ação de Rodrigo no crime premeditado pelo irmão.
Conforme as informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça (TJMT), a sessão, presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, começou 8h21 com a leitura do termo de apregoamento. Logo em seguida, foi feito o sorteio dos 7 jurados, sendo dois homens e 5 mulheres.
A denúncia contra os irmãos Romero e Rodrigo foi feita pelo Ministério Público, representado pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes.
A defesa é realizada pela Defensoria Pública do Estado, com atuação do defensor Guilherme Ribeiro Rigon em favor de Rodrigo Xavier Mengarde e do defensor Mauro Cezar Duarte Filho em favor de Romero Xavier Mengarde.
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