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RESULTOU NO 8 DE JANEIRO 23.06.2026 | 18h52

Assassino de Zampieri participou de trama para golpe de Estado no Brasil

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Para os investigadores da Polícia Federal, o grupo liderado pelo coronel do Exército Etevaldo Caçadini de Vargas, que atuava no planejamento de atividades paramilitares e milícia digital, faz parte da ação coordenada que resultou nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro. A informação faz parte de relatório obtido pelo .


Caçadini está preso e foi denunciado pelo Ministério Público por ser o financiador do assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros quando deixava o seu escritório, no dia 5 de dezembro de 2023. O crime foi registrado no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.


“Nesta investigação, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas desponta como o líder de uma complexa estrutura criminosa dual (Frente Ampla Patriótica – FPA) e Comando C4, de caráter paramilitar, cuja atuação remete, em uma das faces, à incitação à animosidade institucional e à tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, e, na outra, à execução de pessoas sob paga e/ou recompensa”, afirma o relatório.


Em uma troca de mensagens obtida no âmbito da investigação, há uma menção à prontidão de grupos armados às vésperas dos ataques em Brasília. O diálogo em questão se deu em 25 de dezembro de 2022, quando ainda eram registrados protestos em rodovias e portas de quartéis do Exército em protesto contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


“Nós estamos a sete dias de uma encruzilhada. Entregar pacificamente a nação a uma quadrilha e caminharmos para o caos, terra arrasada, ou lutar obstinadamente, correndo o risco de ver muito sangue derramado para manter o caminho de prosperidade no qual estamos a partir do momento em que privilegiamos a moralidade. Simples assim”, escreveu Peterson Venites Komel Junior, militar da reserva do Exército e integrante do grupo.


Ao que Caçadini respondeu: “Tenho esperança, mas se ele subir, será esse caminho! Combate a guerra prolongada. Verifica com seus CTT (contatos) e apoios. Já consegui um cara no Rio que financiará algumas comemorações”.


“Comemorações”, diz o relatório da PF, referem-se à prontidão do grupo paramilitar e de enfrentamento que desaguariam nos ataques em Brasília.


Em outra conversa, em 5 de janeiro de 2023, o Caçadini demonstra a certeza sobre a eclosão de uma situação de “guerra campal”, o surgimento de um “cenário de violência e depredação”.


“Essa ideologia fascista, consistente em eliminar as pessoas que eles acreditassem ser corruptos, criminosos ou comunistas, era a professada e veiculada pelos membros da FAP/Comando C4”, concluíram os investigadores. As siglas se referem a Frente Ampla Patriótica (FAP) e ao Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos.


Zampieri usava como fachada para o seu grupo uma empresa de segurança privada, a Treinamento Empresarial e Segurança Corporativa LTDA. Por meio dela, o coronel recebia os valores referentes às atividades criminosas. Após o 8 de janeiro, conforme o relatório da PF, o grupo liderado por Caçadini continuou a atuar na busca por aliados em torno de “um projeto de enfrentamento às instituições democráticas e não reconhecimento do resultado das eleições”.


Nesse sentido, a Polícia Federal acredita ter elementos suficientes para apontar “um planejamento concatenado e uma disposição de espírito, vontade livre e consciente, de atentar contra a ordem democrática, ultrapassando, destarte, os limites da dignidade e pundonor militar”.


O grupo passou a atuar também como milícia digital, disseminando fake news e chegando a monitorar de forma física autoridades do Judiciário. Por meio de milícia digital, conforme a PF, o grupo agiu para subverter o debate democrático, chegando a propor “o extermínio de adversários políticos, rotulados como ‘inimigos’”.


Uma lista de autoridades, entre congressistas e integrantes do Judiciário, que eram monitoradas e que os integrantes do grupo liderado por Caçadini tinham a intenção de eliminar, foi encontrada nas conversas trocadas pelo coronel com outros interlocutores.


Roberto Zampieri tinha 56 anos e foi assassinado com diversos disparos de arma de fogo, na noite do dia 5 de dezembro de 2023, na frente de seu escritório localizado no bairro Bosque da Saúde, na capital.

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