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Cuiabá, Terça-feira 28/07/2026

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OPERAÇÃO SIMULACRUM 28.07.2026 | 07h05

Audiência de delator de grupo de extermínio é adiada

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João Vieira

João Vieira

A Justiça de Mato Grosso adiou o interrogatório antecipado do vigilante Ruiter Cândido da Silva, um dos réus da Operação Simulacrum, e redesignou a audiência de instrução e julgamento para os dias 1º e 2 de outubro, em Cuiabá.

 

A decisão é do juiz André Barbosa Guanaes Simões, que considerou sem utilidade a audiência marcada apenas para ouvir o acusado, após a Defensoria Pública informar que ele pretende exercer o direito constitucional ao silêncio enquanto não houver definição sobre uma eventual colaboração premiada.

 

“Embora a manifestação da defesa não constitua renúncia definitiva ao interrogatório nem impeça a realização do ato, ela retira, nas circunstâncias atuais, a utilidade prática da manutenção de audiência exclusivamente destinada à antecipação de sua oitiva.”, diz trecho da decisão.

 

Na decisão, o magistrado ressalta que Ruiter não renunciou ao interrogatório. Por isso, ele será ouvido ao fim da instrução, conforme prevê o Código de Processo Penal, quando poderá optar por responder às perguntas ou permanecer em silêncio.

 

As audiências serão realizadas por videoconferência, com possibilidade de participação presencial das partes no fórum.

 

Ruiter, que está inserido em programa de proteção, é o delator que subsidiou a deflagração da Operação Simulacrum. Conforme as investigações, o vigilante cooptava pessoas com antecedentes criminais para a prática de supostos crimes patrimoniais em alvos onde haveria muito dinheiro, joias e armas para serem roubadas. Com a orientação dos policiais militares, atraía as vítimas para locais ermos, onde eram rendidas e executadas. Inicialmente, o vigilante atuava como informante dos militares, quando delatava criminosos que eram presos e, em troca, recebia parte dos produtos recuperados. 

 

O grupo foi denunciado pelo homicídio de Mayk Sanchez Sabino e tentativas de homicídio contra Rômulo Silva Santos e mais duas pessoas. A denúncia é fruto da Operação Simulacrum, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público em 2022, e que mirou mais de 60 militares, sendo que alguns aparecem mais de uma vez, suspeitos de forjar confrontos para cometer execuções.

 

Operação Simulacrum

 

A operação Simulacrum cumpriu 115 mandados judiciais, sendo 81 de prisão e 34 de apreensão, contra policiais militares. As prisões se deram baseadas em "provas robustas" de que os agentes da segurança pública teriam forjado confrontos policiais para execução de suspeitos.

 

Os assassinatos, segundo informações da decisão que baseou a operação, teriam sido realizados com o intuito de beneficiar pessoas dos militares, incluindo promoções de cargo, assim como para os batalhões aos quais estavam lotados.

 

Os crimes detalhados na operação ocorreram entre 2017 e 2020, tanto em Cuiabá quanto em Várzea Grande. Ao todo, 64 policiais foram presos na ação, que ocorreu após depoimento de Ruiter prestado ao MPMT.

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