comparsar unidos pelo 8 de janeiro 30.09.2026 | 15h00
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Rodrigo Moura/ TJMT
Dando sequência aos interrogatórios do julgamento do Caso Zampieri, o instrutor de tiro e despachante de armas Hedilerson Fentanes, de 56 anos, prestou depoimento no Tribunal do Júri de Cuiabá nesta quarta-feira (30). Ao contrário do primeiro depoente, Antônio Gomes da Silva, Hedilerson negou qualquer participação no planejamento do assassinato do advogado Roberto Zampieri e afirmou ter sido usado pelo comparsa, que teria pego sua arma sorrateiramente no quarto de hotel onde dividiam hospedagem. O réu chorou em algumas partes do depoimento, quando mencionou a família. Disse ser pai de duas crianças e defende que sua trajetória de sete anos como instrutor e professor de tiro sempre foi pautada na legalidade.
Hedilerson explicou ao júri que viajou de Belo Horizonte para Mato Grosso para participar de uma competição interestadual de tiro realizada entre os dias 5 e 9 de dezembro de 2023. Segundo sua versão, a vinda a Cuiabá e o reencontro com Antônio foram mera coincidência.
O réu fez postagem em sua rede social e Antônio disse que também estava na cidade e ofereceu o quarto de hotel para que Hedilerson economizasse nas despesas. O réu alegou que o companheiro de quarto contava a mesma história fictícia sobre terras no Texas e que, embora soubesse que ele frequentava um escritório, não questionava os detalhes. Ambos se conheceram após a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 e faziam parte da Frente Ampla Patriótica (FAP).
Ao acusar traição por parte de Antônio, Hedilerson afirmou que deixou sua pistola guardada em uma maleta no quarto e que Antônio pegou o equipamento escondido para cometer o homicídio. O réu negou conhecer a vítima, frequentar o endereço do advogado e contradisse a declaração anterior de Antônio, garantindo que nunca recebeu qualquer aviso do atirador para não ir a Cuiabá, tomando conhecimento da acusação apenas no momento em que foi preso.
A sessão voltou a registrar momentos de tensão entre as partes quando o advogado Igor Monteiro e o promotor Vinícius Gahyva, durante os questionamentos, exigiram a interrupção das intervenções da acusação aos gritos de "De novo, não, chega!".
O réu afirmou que os agentes policiais gravaram a senha de seu cofre de armas durante a prisão, levantando questionamentos sobre a possibilidade de o armamento ter sido adulterado posteriormente para coincidir com os laudos da perícia balística. Sobre as fotos de corpos encontradas em seu celular, justificou tratar-se de material comum em grupos de praticantes de tiro.
Indagado sobre seus vínculos políticos com o coronel reformado Etevaldo Caçadini, apontado pela acusação como financiador do crime, Hedilerson explicou que o conheceu por meio da FAP, grupo criado em 2023. O réu admitiu que a FAP e o coronel auxiliaram no custeio de sua viagem a Cuiabá, mas sustentou que o apoio visava fortalecer a presença do esporte e demonstrar o direito de transporte de armas entre estados. Ele justificou o uso do termo "missão" em mensagens trocadas com Caçadini como jargão comum do meio militar para qualquer atividade do grupo, descartando qualquer plano de atentado. Por fim, criticou a postura do corréu no presídio, afirmando que Antônio passou a fazer pregações e adotar perfil religioso apenas após a prisão.
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