ACUSADO DE ASSÉDIO SEXUAL 20.06.2026 | 17h40

aparecido@gazetadigital.com.br
Montagem/GD
Uma assessora do defensor público Rogério Borges Freitas é acusada de abordar outras mulheres dentro da Defensoria Pública para identificar as que poderiam ser vítimas de assédio sexual e verificar se elas estariam dispostas a denunciá-lo às autoridades, como fizeram duas outras mulheres que trabalharam com ele na instituição. O movimento poderia ser visto como uma forma de intimidar outras possíveis vítimas. Rogério está afastado das funções para não atrapalhar a investigação interna.
Conforme relatado ao
pela segunda vítima de assédio sexual a denunciar Rogério, a assessora sempre se apresentou como amiga do 1º Subdefensor Público-Geral de Mato Grosso, posto que só está abaixo da Defensora Pública-Geral, Luziane Castro.
A assessora é tida dentro da instituição como uma pessoa “muito próxima” do defensor e se intitulava como “amiga” dele. As abordagens eram presenciais, dentro da sede da Defensoria Pública. De acordo com a vítima, as perguntas feitas por essa assessora tratavam dos assédios atribuídos a Rogério.
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“Se tinha sido assediada por ele ou por outra pessoa, dizia ‘meu Deus’, como que ela nunca soube de nada”, contou.
“Ela está fazendo uma ronda ali no campo, indo perguntar para as pessoas, a mando do Rogério. Isso aí já é rádio corredor. Mas que ela estava abordando pessoas e perguntando, ela estava. Assim como ela me abordou”, acrescentou no relato à reportagem.
A vítima relatou que sabe de pelo menos duas outras servidoras que teriam sido assediadas, sendo que uma delas decidiu não denunciar o defensor por temer sua exposição e a da família.
Conforme o relato, quando ela contou isso, no último dia 10 de junho, à Comissão de Prevenção, Tratamento e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual (CPTEA) da Defensoria Pública, eles já sabiam dessa movimentação incomum. “Já era de conhecimento da comissão que ela estava rondando as possíveis vítimas”, disse.
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A mulher relatou que ela mesma foi abordada nas suas redes sociais por essa assessora, que tentou rebater e questionar as informações apresentadas na denúncia à Delegacia da Mulher e nos organismos internos da Defensoria, bem como pedir provas para acreditar na versão apresentada.
“Ele mandou uma pessoa muito próxima a ele [a referida assessora] ficar sondando o meu Instagram. Eu falei isso na comissão [interna a Defensoria Pública], porque tudo o que eu postei em relação a isso [a denúncia contra Rogério] ela comentava”, disse a vítima.
Rogério Borges Freitas era considerado como o próximo Defensor Público-Geral, isto é, o chefe da entidade. O mandato de Luziane Castro termina neste ano e uma nova administração será escolhida para o biênio 2027-2028. Ele foi afastado no dia 14 de junho pelo prazo de 60 dias.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a assessoria da Defensoria Pública de Mato Grosso disse que não se manifesta sobre "procedimentos, apurações ou eventuais informações relacionadas a processos sob sua competência e que correm sob sigilo" como forma de preservar os princípios que regem as suas atividades e as da Corregedoria-Geral, assegurando o devido processo legal.
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