Publicidade

Cuiabá, Quinta-feira 26/03/2026

Judiciário - A | + A

dano existencial e estético 11.03.2025 | 15h06

Fazendeiro é condenado a pagar R$ 180 mil por manter trabalhador em condição degradante

Facebook Print google plus

Divulgação

Divulgação

Um fazendeiro de Cáceres foi condenado a pagar indenização de R$ 180 mil, mais direitos trabalhistas, a um caseiro mantido em regime degradante em sua propriedade. O trabalhador, de 69 anos, não tinha salário. A única remuneração era alimentos, fornecidos uma vez ao mês e em quantidade insuficiente.


Sem dinheiro e comida para o mês todo, o homem contata com a caridade de vizinhos para sobreviver, segundo informações da Justiça do Trabalho. A condenação já havia sido determinada pela Vara do Trabalho de Cáceres e foi mantida pela 1ª Turma do TRT, que considerou danos existencial e estético.


Leia também -Cliente faz quebradeira em loja e foge diante de disparos

 

Conforme divulgado, a situação foi descoberta em julho de 2023, durante uma fiscalização do Ministério do Trabalho na propriedade rural. Os auditores fiscais encontraram o trabalhador vivendo em condições degradantes. Ele atuava sozinho na propriedade há cerca de quatro anos, sendo responsável pelo trato de gado, porcos e galinhas, manutenção de cercas, aplicação de veneno em ervas daninhas e outras atividades como capina e roçada. Os fiscais constataram que o trabalhador não recebia salário. Sua única remuneração eram alimentos fornecidos uma vez por mês, em quantidade insuficiente, forçando-o a depender da caridade de vizinhos para se alimentar e se vestir.


A sentença condenou o proprietário a assinar a Carteira de Trabalho e a pagar ao trabalhador resgatado direitos como horas extras, férias em dobro, 13º salário e FGTS com multa de 40%. O empregador também terá de indenizar o trabalhador pelo não recebimento do seguro-desemprego e arcar com multas por atraso no pagamento da rescisão.

Dano coletivo e danos ao trabalhador
A sentença fixou ainda indenização por danos estéticos, decorrente da sequela permanente no rosto do trabalhador após uma grave infecção dentária não tratada, que se espalhou pela face e afetou o olho do trabalhador, comprometendo parte de sua visão. O trabalhador relatou que, após quase dois anos de dores intensas, o proprietário o levou a um dentista, não sendo possível arrancar o dente porque não era possível anestesiar o local, devido ao quadro inflamatório. Só então começou a tomar antibióticos e pôde fazer a extração do dente, ficando, no entanto, com o rosto deformado e parte da visão comprometida.


O valor total das indenizações inclui R$30 mil por danos estéticos e R$150 mil por danos extrapatrimoniais e existenciais, reconhecendo que o trabalhador teve seu projeto de vida comprometido durante os anos de exploração, sem poder constituir família ou evoluir profissionalmente.


Além do pagamento diretamente ao trabalhador, a sentença também determinou indenização de R$100 mil por dano moral coletivo, decorrente de transgressão às normas de saúde, higiene e segurança, além de submissão a condições degradantes no ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a falta de respeito às normas relacionadas ao ambiente de trabalho, que visam garantir a integridade dos trabalhadores, gerou lesão aos interesses da coletividade.


O proprietário recorreu ao TRT, alegando que não havia vínculo empregatício e que o trabalhador apenas ocupava a propriedade por meio de um contrato de comodato. No entanto, ele não apresentou nenhuma prova que sustentasse essa versão.


A 1ª Turma do TRT manteve a sentença por unanimidade, acompanhando o voto da relatora, desembargadora Eliney Veloso. O Tribunal confirmou a existência do vínculo empregatício entre março de 2019 e setembro de 2023, bem como a condenação ao pagamento das verbas trabalhistas e indenizações.


Também foi mantida a condenação ao proprietário de cumprir uma série de obrigações, como a assinatura da carteira dos trabalhadores que lhe prestarem serviço, o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), a capacitação para o uso de agrotóxicos e a disponibilização de local adequado para banho após o manuseio desses produtos. Em caso de descumprimento das obrigações, o Tribunal confirmou a multa fixada na sentença, variando de R$5 mil a R$25 mil para cada item da lista. 

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Você ainda costuma comprar ovos de Páscoa?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Quinta-feira, 26/03/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.