DEU EM A GAZETA 23.10.2026 | 06h59

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João Vieira
Júri do tenente-coronel da Polícia Militar, Marcos Eduardo Ticianel Paccola, réu pela morte do agente socioeducativo, Alexandre Miyagawa de Barros, conhecido como “Japão”, está mantido para 17 de novembro deste ano. Na decisão desta quarta-feira (21), a juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, do Núcleo de Atuação Estratégica (NAE), destacou a necessidade de dar andamento ao caso, que já teve a data do julgamento alterada diversas vezes.
A medida foi tomada mesmo com a pendência da análise da arguição de suspeição contra a magistrada Mônica Perri, que preside o processo. A juíza Cristhiane Trombini destacou que o julgamento foi incluído no Programa Mais Júri, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso. A inclusão justifica-se pelas características do processo: o fato ocorreu em 1º de julho de 2022; a pronúncia tornou-se definitiva somente em 14 de abril de 2026, após o esgotamento das vias recursais ordinária e extraordinária. Desde então, a sessão plenária já foi designada e redesignada sucessivamente para 27 de agosto de 2026, 22 de outubro de 2026 e 17 de novembro de 2026.
“Esse cenário evidencia a necessidade de concentração de esforços institucionais para que a causa seja levada a julgamento pelo juiz natural constitucionalmente competente”, frisou. A defesa de Paccola alegou suspeição da juíza Mônica Perri em razão de um conflito disciplinar anterior. O advogado Cláudio Dalledone atuou na defesa do investigador Mário Wilson Gonçalves em julgamento presidido pela magistrada em dezembro de 2025 e, após divergências ocorridas durante a sessão, apresentou pedido de suspeição para afastá-la da presidência do júri.
O caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e está sob análise. No júri de Mário, a própria magistrada declarou-se suspeita, e a sessão acabou sendo conduzida pelo juiz Marcos Faleiros. Cristhiane determinou o encaminhamento do incidente para que Mônica Perri analise o pedido de suspeição. “Trata-se de juízo de natureza personalíssima, sobretudo quando a causa invocada guarda relação com o foro íntimo do julgador (...). Mantenho a sessão de julgamento designada para 17 de novembro de 2026, às 9h”, decidiu a juíza.
O CRIME
Alexandre foi morto com três tiros disparados por Paccola em 1º de julho de 2022, diante de dezenas de testemunhas, em Cuiabá. Segundo o Ministério Público, Paccola agiu por motivo torpe e não deu qualquer chance de defesa à vítima, que foi alvejada pelas costas pelo então vereador, sem oferecer perigo a ninguém.
O réu apresentou o episódio como um “ato de heroísmo”, afirmando ter combatido um suposto agressor de mulher. O crime resultou na cassação do mandato do vereador por quebra de decoro parlamentar.
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