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ACOMPANHE AQUI 17.10.2022 | 08h55

Mãe de Toni Flor ouviu viúva dizer ‘vai sobrar para mim’

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João Vieira

João Vieira

O julgamento de Ana Claudia Flor, acusada de mandar matar seu marido, o empresário Toni Flor, em agosto de 2020, ocorre na manhã desta segunda-feira (17) em Cuiabá, no Tribunal do Júri. A princípio o julgamento estava marcado para 15 de setembro deste ano, mas foi remarcado para o dia 20 do mesmo mês e depois, mais uma vez, remarcado para hoje.

 

Toni Flor foi morto a tiros quando chegava para treinar pela manhã na academia, em Cuiabá. O primeiro preso, Igor Espinosa, deu detalhes de como executou a vítima, incluindo como fez a negociação com Ana Claudia, através de intermediários. Ele estava sentado no meio-fio da academia, no bairro Santa Marta, quando abordou o empresário dizendo “perdeu”. Em seguida, disparou 5 vezes contra a vítima. Depois, fez uma videochamada com Ana Claudia e mais dois intermediadores. O acordo era de R$ 60 mil.

 

Enquanto o processo tramitava na 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Ana Flor foi ouvida e confessou que mandou matar o marido. No entanto, afirmou que não deu o "aval" para o executor atirar contra a vítima. Ela alegou que sofreu diversas agressões durante os 15 anos de casamento e o estopim foi quando Toni teria pegado uma faca e avançado contra ela e a filha.

 

Atualizada às 9h56 - A sessão começou por volta das 9h30. Serão ouvidas nove testemunhas. O primeiro depoimento é do delegado Marcel Gomes, que investigou o homicídio. Ele explicou como funcionou a investigação e como identificaram os autores. A primeira pessoa ouvida na delegacia foi Ana Claudia.

 

O delegado disse que apurou, por meio de conversas da vítima, que Toni desejava se separar de Ana Flor e já tinha conhecido outra pessoa. A partir daí a Polícia Civil passou a considerar crime passional. A PJC recebeu denúncia anônima e chegaram até Igor.

 

"Ao ser preso demonstrou certo alívio, começou a conversar comigo e de pronto confessou o crime, que de fato tinha atirado no Toni, e falou que quem tinha estabelecido contato com eles foi Wellington e Dielington, [...] que disseram pra ele que quem estava contratando era a viúva [...]. Ao final do interrogatório disse que precisava tirar esse peso das costas dele, que não aguentava mais", disse o delegado.

 

Atualizada às 10h33 - O delegado também disse que "Ana Claudia em momento algum, durante as oitivas na delegacia, confessou o crime. O primeiro depoimento foi prestado como testemunha, foi momentos antes do velório da vitima. Posteriormente ela foi interrogada, no dia que foi presa, junto com os demais, na presença da advogada desejou se manifestar, não confessou, muito pelo contrario, negou. Negou que conhecesse o Wellington, o Dielington e o Igor, mas afirmou que conhecia Ediane, que era a pessoa responsável por fazer as unhas dela de vez em quando”.

 

Às 10h18 o Ministério Público começou a fazer perguntas. O MP questionou o delegado sobre a reação de Ana Claudia com a prisão de Igor. O responsável pela investigação disse que no dia da prisão, quando chegaram à delegacia com Igor, Ana estava na porta com a mãe de Toni. Ele disse ter ficado incrédulo.

 

“Depois recebi filmagens da expressão, do semblante dela, e pude ver, era de total desespero, ela botava a mão na cabeça. E naquela noite saí da delegacia tarde porque terminei de realizar os interrogatórios do Igor, documentação, e quando saí já era por volta de 20h e me deparei com a ana claudia ainda na porta, e eu olhei e pensei "isso não está acontecendo, nem vou conversar nada” e saí direto para o estacionamento”.

 

Atualizada às 10h36 - Marcel Gomes ainda disse que Ana deu entrevista á imprensa se dizendo aliviada, porém, por meio das interceptações, ela conversava com a mãe de Toni e dizia que era necessário contratar alguém para matar Igor, para fazer “justiça”, pois ele não tinha sido preso pela morte de Toni e o delegado deixaria ele sair pela porta da frente. O delegado também disse que a mãe da vítima disse, no dia que Toni foi preso, que teve uma sensação “de mãe” de que a suspeita de que a morte tinha um mandante era real e Ana Claudia era a autora.

 

“O que mais chamou a atenção, no dia seguinte ela deu uma entrevista e durante a reportagem da TV ela falou que se sentia muito grata porque a justiça estava sendo feita, disse que ‘estava se sentindo mais aliviada’, todavia ainda naquela noite nas interceptações se verifica algo totalmente diferente, ela dizendo que precisava contratar um pistoleiro para matar o Igor, que isso deveria ocorrer ainda na delegacia, precisava de alguém pra fazer justiça, porque o delegado estava mentindo e ele sairia pela porta da frente”.

 

Atualizada às 11h02 - O delegado também relatou que “para atrair a simpatia dos executores, ela pega um fato ocorrido 9 meses antes [...] a história que ela contou para Ediane conseguir alguém pra matar Toni era de uma briga que tiveram dentro do carro. O pretexto que buscava para os executores era esse, mas o que se verifica é que de fato a motivação surge [...] a partir do momento que se verifica que vai haver uma ruptura do casal, uma separação”.

 

Amigos e familiares afirmaram que a relação era conturbada, houveram agressões de ambas as partes. Marcel Gomes também citou o dia que Ana Claudia foi à delegacia, logo após a morte de Toni. Ela levou as filhas. Ele disse que depois, já com as investigações bem avançadas, com Ana Claudia como suspeita, se recordou deste momento.

 

“Tem um momento que a investigação chega num estágio e você passa a analisar essas situações anteriores, e você fica incrédulo, porque pensa ‘a mulher veio na delegacia, trouxe as filhas, chorou lagrimas de crocodilo, vinha constantemente na delegacia perguntar sobre o andamento da investigação’, e você começa a analisar o padrão de condutas da pessoa, [...] em momento algum mostrou qualquer tipo de arrependimento, muito pelo contrário. Eu realizei a prisão na casa dela, durante a busca na casa ela demonstrava uma frieza. [...] quando fiz este retrocesso percebi que estava diante de uma pessoa extremamente fria e perigosa”. 

 

Atualizada às 11h59 - O depoimento do delegado foi encerrado às 11h31. A próxima testemunha a ser ouvida é Leonice da Silva Flor, mãe de Toni. Ela relatou que Toni e Ana viviam como “um casal normal”, que brigavam, mas no outro dia “estava tudo bem”. Disse que nunca presenciou e nunca ouviu sobre agressões. Após uma das brigas do casal, que Toni foi para um hotel, ele ligou para a mãe.

 

“Um dia, ela tocou ele de casa, foi para um hotel, ficou lá oito dias, ai um dia me ligou, disse ‘mãe vou me separar da Ana’, eu disse ‘faça o que for melhor para você, eu quero que seja feliz, só que não conta pra ela, ela é perigosa”.

 

Leonice disse que quando Toni dizia que iria se separar de Ana, a mulher ficava nervosa e “quebrava tudo em casa”. Dizia à mãe que não se tinha se separado por causa das filhas.

 

“O Toni era um bom filho, um bom irmão, amigo, até tem uns amigos dele chorando lá fora, amigos do coração. Não existe um pai como ele, ele que levava e buscava as crianças na escola. tem foto dele dançando e brincando com as meninas. A Ana nunca foi buscar, nunca deu carinho para as meninas [...] Quando brigava com ele, ela dizia para a mais velha "vai para seu quarto porque não quero ver sua cara, você tem a cara do seu pai". 

 

Atualizada ás 12h08 - No dia que Toni foi assassinado, quando a irmã dele comunicou Leonice, a mãe disse que já sentia que Ana Claudia era a mandante.

 

“Minha filha chegou e falou que Toni levou tiros, e eu falei ‘sabe quem mandou fazer isso? Foi a Ana Claudia’. Na mesma hora que ela falou que Toni tomou tiro eu disse que foi Ana Claudia, minha filha ficou brava comigo, disse que eu não podia falar uma coisa dessa, falei que foi sim, liguei para parentes e disse isso também, mas depois disse 'não vou ficar falando nada, porque não quero acusar, mas vou guardar isso no coração'”.

 

Leonice também disse que foi duas vezes com Ana à delegacia, sendo uma das ocasiões o dia que Igor foi preso. Ela afirmou que naquele dia ouviu Ana conversando com um homem pelo telefone.

 

“Primeiro falei para ela 'Ana quando Igor chegar aqui, me ajuda a levantar a cabeça dele e vamos perguntar pra ele', ela falou ‘vamos’. E quando ele desceu do camburão ela se segurou num poste, ficou quietinha e não se mexeu. Estava muito nervosa, ligando para um rapaz dizendo 'sei que vai sobrar para mim', eu ouvi e perguntei, ela disse 'não, é sobre umas mercadorias'”, relatou. 

 

Atualizada às 12h20- A avó também disse que está privada da convivência com as netas, já falou com advogado e sabe que tem direito de ver as crianças, de ter contato. Leonice, porém, disse sobre as netas que a mãe 'fez a cabeça delas, e nem querem me ver'.

 

Uma vez tentou enviar presentes para a neta, no aniversário, mas a criança não teria recebido. Disse que a avó materna teria impedido. Leonice também disse que apenas recentemente as netas descobriram que a mãe foi a mandante do assassinato do pai. Ela contou que presenteou as crianças com um tablet.

 

O depoimento foi encerrado às 12h18 e a sessão foi suspensa para almoço.

 

Mais informações em instantes 

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