AMEAÇAS E RETALIAÇÕES 29.10.2026 | 18h45

redacao@gazetadigital.com.br
Divulgação
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) recebeu 31 denúncias de assédio eleitoral entre os dias 26 e 28 de outubro, mesmo após o encerramento das eleições. De 1º de janeiro a 28 de outubro de 2026, foram 61 denúncias relacionadas ao tema, além da instauração de 25 inquéritos civis e da expedição de 31 recomendações.
Os dados foram divulgados pelo órgão nesta quinta-feira (29). Segundo o MPT, os relatos indicam que situações de pressão política, ameaças e possíveis retaliações no ambiente de trabalho podem continuar mesmo após a votação.
Cuiabá concentra o maior número de registros em 2026, com 20 denúncias. Na sequência aparecem Sinop, com nove, e Barra do Garças, com sete. Rondonópolis contabiliza quatro registros, enquanto Várzea Grande tem três. Outras 15 localidades também aparecem no levantamento, com uma ou duas denúncias cada.
O tema ganhou repercussão em Mato Grosso após o
revelar a articulação de integrantes de um grupo de direita em Lucas do Rio Verde (a 354 km de Cuiabá) para boicotar comerciantes supostamente alinhados à esquerda. Nas conversas divulgadas, participantes discutiam formas de prejudicar estabelecimentos por motivos políticos. Após a publicação da reportagem, administradores do grupo “Movimento direita LRV” passaram a mencionar possíveis infiltrados e anunciaram a intenção de apagar o grupo.
Em Confresa e municípios da região, a Polícia Civil investiga a circulação de listas que incentivam o boicote a comerciantes, empresários e profissionais liberais por suas supostas preferências políticas. Até o momento, cinco vítimas registraram boletins de ocorrência após terem nomes ou estabelecimentos expostos sem autorização.
Segundo a Polícia Civil, grupos de aplicativos de mensagens e redes sociais estariam sendo utilizados para identificar pessoas associadas a determinadas posições políticas e estimular represálias comerciais. A investigação busca identificar os responsáveis, que, dependendo das circunstâncias, poderão responder por ameaça, perseguição e crimes contra a honra, além de possíveis violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Outro episódio foi registrado em Cáceres, onde um comerciante divulgou um áudio incentivando empresários a boicotarem eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, ele afirma que não aceita simpatizantes do partido em seu estabelecimento e defende tratamento hostil contra essas pessoas.
Como denunciar
O MPT atua para impedir que empregadores ou outras pessoas utilizem o ambiente profissional para pressionar trabalhadores a votar em determinado candidato, apoiar uma posição política ou mudar suas convicções por meio de ameaças, constrangimentos ou promessas de vantagens.
As recomendações expedidas pelo órgão buscam prevenir irregularidades, enquanto os inquéritos civis permitem aprofundar as apurações e reunir elementos para definir as medidas cabíveis, incluindo eventual ajuizamento de ações na Justiça do Trabalho.
Trabalhadores que vivenciarem ou presenciarem situações de assédio eleitoral podem apresentar denúncias pelo site do MPT-MT. A identidade do denunciante é preservada.
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