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depressão após perda 02.09.2026 | 15h03

Professor pede ajuda para deixar as drogas e recomeçar; 'Não aguento mais essa vida'

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Montagem GD

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Bruno Rafael Ferreira Boscolo, 39, chegou até a equipe de reportagem do em Cuiabá apenas com a roupa do corpo e um pedido direto: ajuda para conseguir tratamento contra a dependência química. Professor, formado em Direito, campeão de Muay Thai e pai de três filhos, ele conta que sua vida começou a desmoronar depois de 2018, quando perdeu o filho em um acidente de carro.

 

Hoje, vivendo em situação de rua na capital mato-grossense, Bruno Boscolo diz que quer uma oportunidade de internação para interromper o uso de drogas, voltar a trabalhar e reconstruir a relação com a esposa e com as duas filhas, de 11 e 18 anos. “Eu quero sair dessa vida”, resume.

 

Ele afirma ter mergulhado em um quadro de depressão que mudou completamente sua rotina e abriu caminho para a dependência química. Passou por diversas internações e tentativas de suicídio que marcam seu corpo com cicatrizes.

 

O homem afirma que passou por períodos de tratamento, buscou apoio religioso e chegou a conseguir reorganizar a vida. Voltou a trabalhar e retomou parte da estabilidade.

 

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Professor de Direito e também de idiomas, ele conta que já viveu fora do Brasil, passando cerca de um ano nos Estados Unidos e outro na Itália. Também morou em Brasília e, posteriormente, veio para Mato Grosso em busca de oportunidades profissionais. A estabilidade, porém, não durou.

 

Há cerca de um mês, Bruno retornou a Cuiabá novamente com a intenção de trabalhar. Segundo ele, chegou à cidade com seus documentos e receitas médicas, mas teve dificuldades para continuar o tratamento e conseguir os medicamentos que utilizava. Ele alegava também que teve seus objetos pessoais e documentos furtados enquanto dormia na rua durante a noite.

 

“Eu estava com todas as minhas receitas dos meus remédios. Só que acabei não conseguindo pegar mais remédio. Aí eu caí no vício de novo. Não consegui me estabilizar”, conta.

 

Sem trabalho e sem condições financeiras, ele acabou nas ruas. Bruno estima que esteja vivendo nessa situação há aproximadamente três semanas.

 

“Eu não tenho vivência de rua. Eu não tenho vocabulário de rua. É muito fácil perceber que eu não sou daqui”, relata.

 

Durante a entrevista, Bruno reconhece que passou a pedir dinheiro nas ruas e que parte do que recebe acaba sendo usada para sustentar a dependência.

 

A situação, afirma, entra em conflito com tudo aquilo que aprendeu e com a pessoa que acredita ainda ser.

 

“As pessoas dão dinheiro para você comer, comprar uma roupa, fazer alguma coisa. Aí você vai e utiliza de outra forma. Isso é contra os meus valores. Eu não aguento mais essa vida", ressalta. É quando fala da família que o relato se torna mais difícil.

 

Bruno é pai de duas meninas, hoje com 11 e 18 anos. A mais velha, segundo ele, ingressou no curso de Direito. A mais nova conquistou medalha de ouro em uma olimpíada de matemática.

 

Ele fala das conquistas das filhas com orgulho, mas também carrega o peso de estar distante delas. 

 

A esposa, segundo Bruno, é professora, trabalha em dois empregos e vem mantendo a estrutura da família enquanto ele enfrenta a dependência.

 

Ele reconhece o desgaste provocado ao longo dos últimos anos e conta que, em uma das últimas conversas, ouviu dela que não tinha mais forças para continuar tentando ajudá-lo. “Ela falou que não ia mais me atender porque não estava conseguindo ficar de pé.”

 

Apesar da distância, Bruno afirma que as filhas são uma das principais razões pelas quais decidiu procurar ajuda.

 

A filha mais velha, segundo ele, sabe que o pai enfrenta depressão, mas não conhece toda a dimensão da situação em que ele se encontra atualmente. “Ela não sabe da rua. Ela acha que eu estou trabalhando”, afirma.

 

Bruno agora pede uma oportunidade de internação em uma instituição que ofereça acompanhamento adequado para dependência química.  

 

O pedido não é apenas por um lugar para dormir. “Eu não quero ir para qualquer lugar. Porque, se eu for para qualquer lugar, eu já estou”, diz, referindo-se à própria situação nas ruas.

 

Além da internação, Bruno afirma que precisa retomar o acompanhamento médico, recuperar documentos e conseguir novamente acesso aos medicamentos prescritos. “Eu vim em busca de ajuda”, reafirma.

 

O homem não detalhou se já fez algum cadastro junto à Prefeitura de Cuiabá ou para atendimento no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Geralmente ele perambula pelas ruas do Alvorada ou próximo ao terminal rodoviário.

 

 

 

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