VIOLÊNCIA CRESCENTE 05.07.2026 | 12h00

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Fred Moraes/Gazeta Digital
O governador de Mato Grosso e pré-candidato, Otaviano Pivetta (Republicanos), repudiou o que chama de “discurso fácil” ao abordar os altos índices de feminicídio no estado, reconhecendo que o governo “não tem nada para comemorar” diante dos números atuais. 2026 vem mostrando número crescente de assassinato de mulheres, tendo junho como o mês mais letal.
“Esse ano foram 23 mulheres, isso é realmente estarrecedor. Não, eu não estou me referindo a adversário, eu estou me referindo ao discurso fácil. Todo discurso fácil merece repúdio, e é isso que nós estamos querendo dizer aqui”, declarou Pivetta na última semana.
Dados do Observatório Caliandra, uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que monitora a violência contra a mulher, mostram que 25 mulheres foram assassinadas neste ano. Sendo o mês de junho o mais violento por ter batido o recorde anterior de março ao registrar 7 mortes por feminicídio.
O cenário em 2026 desenha uma crescente contínua da violência de gênero no estado. Apenas no primeiro semestre, Mato Grosso já contabilizou 23.533 ocorrências de violência doméstica.
A escalada também se reflete nos casos de lesão corporal. Enquanto o ano de 2025 inteiro fechou com quase 10 mil registros, o primeiro semestre de 2026 já atingiu a marca de 4.120 casos. O que significa que, na metade do ano, o estado já alcançou quase 50% de todo o total registrado no ano anterior.
Para o chefe do Executivo, o combate a esse crime esbarra em uma limitação física do próprio aparato de segurança pública, uma vez que a violência nasce no ambiente privado.
“Todo mundo sabe que esse tipo de tragédia acontece nos lares, acontece dentro de casa, acontece em lugares que o Estado sequer pode entrar, a não ser para atender ocorrência”, alegou, justificando que a presença da polícia nas ruas não é suficiente para impedir crimes cometidos.
Apesar de lamentar a estatística de mortes, o governador defendeu a atuação das forças de segurança no esclarecimento dos casos e na punição dos culpados, destacando a transparência da gestão.
“Mato Grosso não tem nada para esconder. Nossos números estão publicados, são transparentes, não tem nenhum caso, nenhum sequer caso de feminicídio que não tenha sido esclarecido. Que o autor não esteja preso, não tenha sido preso pelas nossas forças de segurança”, garantiu.
Como medida imediata de enfrentamento e expansão da rede de proteção diante do cenário atual, Pivetta anunciou que a Patrulha Maria da Penha será estendida para todos os municípios do estado nos próximos 60 dias.
Argumentando que o problema exige ações que vão além da repressão policial, o governador listou políticas públicas transversais desenhadas para reduzir a vulnerabilidade social de mulheres que sofrem violência ou chefiam lares sozinhas.
“E o estado está empreendendo inúmeras políticas públicas que beneficiam mulheres jovens, mulheres vulneráveis, mães solteiras. Nesse programa de habitação popular, 6 mil casas serão destinadas a essa população mais vulnerável. Programa de incentivo e financiamento também pela Desenvolve-MT, mulheres rurais, pequenas produtoras, pequenas empreendedoras, palestras, cursos, qualificação profissional. Nós estamos empreendendo em mais de 50 mil cursos profissionalizantes. O estado de Mato Grosso tem se esforçado para amenizar essa pauta que nos faz todos lamentar, ficar tristes”, concluiu o governador.
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