Publicidade

Cuiabá, Sexta-feira 25/09/2020

Política de MT - A | + A

delação premiada 05.08.2020 | 10h40

Em vídeo, Riva afirma que Maluf destruiu documentos da AL

Facebook Print google plus

Chico Ferreira

Chico Ferreira

João Arcanjo Ribeiro / José Riva

O ex-presidente da Assembleia, José Geraldo Riva, revelou em sua delação premiada, que documentos que comprovariam desvios de dinheiro público do Poder Legislativo, foram destruídos durante a gestão do ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Guilherme Maluf.  

 

Os detalhes constam no vídeo publicado pelo site Olhar Direto. "Nós fomos comunicados, inclusive comunicamos em reunião o Ministério Público, eu me recordo disso, de que todos os documentos em relação aos outros deputados, em relação à Primeira Secretaria foram destruídos juntamente com documentos inclusive da verba indenizatória que seguia o mesmo modus operandi do suplemento de fundo", disse Riva em depoimento ao Ministério Público de Mato Grosso, durante o seu acordo de delação premiada.  

 

"Tem uma operação chamada Deja Vú que investiga isso. Mas esses documentos foram destruídos, foram retirados da Assembleia Legislativa, na mesa do deputado Guilherme Maluf como presidente, e foram destruídos para que outros deputados e inclusive eles mesmos não fossem atingidos por essa operação", completa.  

 

Leia também - Botelho sinaliza recuo e DEM 'pensa' em Garcia

 

Riva ainda afirma que os recursos das verbas de suprimento e indenizatória também eram desviadas para outras finalidades nos gabinetes dos 24 deputados.  "Esse fato não ocorria apenas no meu gabinete. Na mesma proporção na Primeira Secretaria e em proporção menor nos gabinetes dos senhores deputados que recebiam também o suplemento de fundo e, por força de uma lei também passaram a receber a verba indenizatória, que essa, sim, na verdade, era mais utilizada como um complemento salarial do que propriamente uma despesa que era realizada e precisava ser ressarcida”, diz o ex-deputado no vídeo.  

 

Os vídeos publicados pelo Olhar Direto também mostram como Riva conseguiu manter em funcionamento o esquema de corrupção que utilizava a extinta verba de suprimento do Poder Legislativo. De acordo com o ex-deputado, a manutenção do esquema só foi possível porque seu chefe de gabinete permaneceu no cargo para dar continuidade na utilização dos recursos públicos desviados. “Mesmo quando eu sou afastado da presidência, em junho de 2013 a dezembro de 2014, o chefe de gabinete era mantido e essas verbas continuavam sendo administrada por eles. Logicamente que recebia comando do novo presidente, mudava um pouco o tipo de atendimento, mas não deixava de atender aquelas demandas que nós estávamos acostumados a atender”.

 

Os ex-chefes de gabinete do ex-deputado eram Geraldo Lauro e  Maria Helena Aires Caramelo. O esquema já havia sido desvendado pela Operação Metástase. 

 

Delação

 

As negociações para a colaboração premiada de José Riva se iniciaram no início de 2019 e foram concluídas em dezembro passado, sob a coordenação da procuradora de Justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Ana Cristina Bardusco Silva.

 

Na delação, Riva descreve um esquema que perdurou nos 20 anos em que atuou como deputado (1995-2014). No final de fevereiro Riva pagou duas parcelas da devolução que totalizaram R$ 15 milhões.   Ainda faltam 6 parcelas a serem quitadas pelo agora colaborador da Justiça.  

 

Riva devolverá R$ 92 milhões em seu acordo de colaboração. Além das parcelas em dinheiro, o parlamentar ficou de alienar parte dos seus bens e de sua família, incluindo de Janaina Riva.

 

Na colaboração que ainda está sob sigilo, Riva afirma que houve pagamentos de propina para 38 deputados com o objetivo de apoiarem o governo do Estado. O valor total do esquema chegou a R$ 175,7 milhões.  

 

Nessa mesma época, Riva afirma que foram gastos mais de R$ 38 milhões para a compra das eleições da Mesa Diretora da Assembleia.   Ele também revelou compra de vaga no TCE e um esquema para garantir governabilidade nas gestões de Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa (sem partido).    

 

Confira o trecho da delação

Operação Déja Vu  

Deflagrada em agosto de 2018, pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), a Operação Déja Vu compreendeu 4 mandados de busca e apreensão nas dependências da Assembleia Legislativa. Entre os setores que foram alvo da operação estavam a Secretaria-Geral, de Finanças, de Controle Interno e o Instituto de Memória.  

 

Operação Metástase  

Investiga o desvio de R$ 2 milhões da Assembleia Legislativa, através de verbas de suprimentos, "mensalinhos", que custearam festas de formaturas, massagens, uísque, combustível de aeronave particular, entre outros itens. Foram presos na época, os ex-chefes de gabinete de José Riva, Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro. O ex-presidente da Assembleia José Riva é apontado como líder do esquema. 

 

Outro lado  

Em nota o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Guilherme Maluf, nega as acusações feitas pelo delator José Geraldo Riva e lamentou que mais uma vez o delator apresente denúncia sem absolutamente nenhum prova.  

 

"Na minha gestão a frente da Assembleia Legislativa não houve destruição de documentos. Ao contrário da gestão do delator  a frente do Poder Legislativo, que aprovou inclusive lei e incinerou documentos do Parlamento", conclui a nota        

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Onze candidatos disputam o Senado, você acha que o número amplia o leque de propostas ou mostra a desunião da classe política?

Parcial

Edição digital

Quinta-feira, 24/09/2020

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem

Publicidade

btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 22,30 2,29%

Algodão R$ 90,81 -0,08%

Boi a Vista R$ 130,85 -0,66%

Soja Disponível R$ 64,90 -1,14%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

Publicidade

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2020 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.