DEU EM A GAZETA 16.09.2026 | 06h58

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João Vieira
Produção, cinematografia, direção, coordenação do marketing, logística, operação do tempo. São muitas as funções e pessoas envolvidas nos bastidores de um debate eleitoral ao vivo. Embora os candidatos sejam a atração principal, é o trabalho conjunto desses vários profissionais que possibilita uma transmissão como essa atingir seu principal objetivo: contribuir para o processo democrático e informar o eleitor.
Nesta quinta-feira (17), o Grupo Gazeta de Comunicação realizará mais um debate eleitoral, dessa vez, com 7 candidatos ao Senado de Mato Grosso, ao vivo pela TV Vila Real. Para a gente é muito importante. Primeiro, porque a gente inovou e começou essa história de fazer debate com candidatos ao Senado. Isso já tem muito tempo. E segundo, porque normalmente são mais candidatos. E, por orientação da rede a gente acabou optando por fazer só com os de partidos com representatividade no Congresso. Mas mesmo assim são 7 candidatos, destaca a diretora de jornalismo da TV, Iviusch Beloto. O debate desta quinta será realizado em 4 blocos, com duração prevista de 2 horas e meia, podendo haver extensão, caso necessário. Mas se engana quem pensa que a preparação começa dias antes do evento.
Entre reuniões e muitas ligações, a produtora de TV, Kerolayne Chaves, conta que seu trabalho inicia alguns meses antes da confirmação dos candidatos. A gente já começa naquela sondagem, mantendo contato com os assessores, principalmente. E após a convenção, nós já temos tudo pronto na TV. Eu trabalho sempre em conjunto com a Iviusch. Então, quando ela me passa as informações, é que a primeira reunião com os assessores começa um mês antes, por exemplo. Eu já preciso ter aquela riqueza e firmeza nos detalhes para ser a ponte entre a TV e o pré-candidato, detalha. Já na transmissão ao vivo, o jornalista Márcio Moreira explica que atua como uma torre de controle do debate, sendo ele o responsável pela comunicação com o apresentador. Para Márcio, o controle rigoroso do tempo é um dos pontos mais importantes, ao mesmo tempo em que a comunicação simultânea é um dos principais desafios.
É preciso acompanhar simultaneamente o tempo de pergunta e resposta, réplica, tréplica; considerações finais, intervalos; tempo total de cada bloco. Além disso, o coordenador precisa estar integrado com o diretor de imagem; operação de áudio, equipe de vídeo, GC; teleprompter, comercial, transmissão, como também acompanhar transmissão pela internet, evitando possíveis intercorrências, frisa o jornalista.
Enquanto Márcio se comunica com o mediador do debate, Antônio Carlos, o enquadramento e a imagem ideal acontecem sob as lentes dos cinegrafistas, dentre eles Wilson Fernandes, conhecido como Coité. Eu sou o olho do diretor de imagem lá em cima. Então, além de eu estar mostrando o que o povo em casa vê, eu também fico olhando algum detalhe. Pode acontecer alguma discussão, movimento de mão, algum candidato nervoso, coisa parecida. Então, esse detalhe também a gente fica atento, ressalta Coité.
Caso o cinegrafista perceba algum movimento interessante durante o debate, Coité logo comunica a Aloecil Itamar pelo ponto eletrônico, que decidirá se vale a pena colocar no ar aquele plano que não estava no script. Com a função principal de realizar o corte das câmeras, Aloecil destaca a necessidade de estar focado 100% do tempo, O produto final que está no ar, eu que faço. Então, eu não posso retardar o corte, eu não posso cortar antes, tem o time exato do corte, do apresentador para os participantes do debate. Eu preciso estar ligado também no cronômetro.
Zerou aquele tempo, eu já vou cortando, aí eu volto ao apresentador juntamente com a pessoa que vai estar do meu lado, acionando a campainha do tempo limite, detalha. Responsável pela infraestrutura, logística e segurança do evento, Maila Patrícia auxilia no planejamento das acomodações, alimentação, orientação quanto à segurança interna e externa, além da gestão de eventuais conflitos. Tantas incumbências exigem olhar atento para tudo que acontece, dentro e fora do ar.
Na verdade, a maior dificuldade é a crise do ego: por que a sala do outro é maior? Etc. Mas a gente não entra nesses conflitos, até porque o jornalismo faz um sorteio de quem vai ficar em cada sala e quem vai ficar com quem, ou mais perto ou mais longe do próprio estúdio, explica Maila. A partir das 10h30, o eleitor está convidado a acompanhar o debate entre os sete principais candidatos ao Senado: José Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB), Margareth Buzetti (PP), Antônio Galvan (Avante), Janaina Riva (MDB), Mauro Mendes (União) e Carlos Fávaro (PSD). Os mais de 20 anos de experiência na mediação de debates não tiram a emoção de Antônio Carlos Silva em conduzir e participar de mais um processo eleitoral pelo Grupo Gazeta.
Entre muita preparação, o mediador destaca a alegria em se deparar todos os anos com novidades que o desafiam pessoal e profissionalmente. Ao mesmo tempo em que pode ter uma experiência, é uma responsabilidade a cada debate, porque são eleições e candidatos diferentes, e a gente está vivendo outros momentos. E as regras mudam também, porque elas são definidas pela emissora junto com os representantes dos partidos. Então, é tudo novo. Apesar da experiência e aprendizagem, é um desafio, e isso é importante para a profissão. Todo ano tenho que me preparar, me dedicar e estudar as regras, diz Antônio.
Ao longo do último debate entre os candidatos ao governo estadual neste mês, não faltou sangue-frio ao jornalista em meio aos momentos de maior tensão entre os candidatos, que renderam vários pedidos de direito de resposta ao mediador. O que me chamou atenção, por exemplo, é que só em um bloco foram sete pedidos de direito de resposta, fora do bloco anterior e fora do bloco sucessor, conta ele. Apesar da quantidade considerável, Antônio destaca ser essa uma das regras do debate garantida ao candidato que se sentiu ofendido. Após isso, cabe à produção, e não ao mediador, definir se tal pedido será atendido ou não. Com tantos debates mediados ao longo desses anos, o que não falta ao jornalista são memórias, seja de pessoas ou situações.
Questionado sobre isso, Antônio relembrou a época, durante os anos 2000, em que os debates eram realizados pelo Grupo Gazeta no período da noite, diferente de como ocorre atualmente, pela manhã. A mudança, segundo o jornalista, foi uma ideia que contribuiu ainda mais para o debate democrático. Era uma outra época, ficavam muitos eleitores aglomerados na porta e precisava vir policiamento para dar segurança, então era um clima tenso para todo mundo.
E, quando muda o horário para manhã, pega os candidatos em outra perspectiva, porque eles não estão cansados. Parece que, de certa forma, ajudou a gente a trabalhar mais as propostas, pensando aí nas políticas públicas para o eleitorado, porque a noite era outro clima. Às vezes eles vinham de um comício, de um dia atarefado, explica Antônio. Ainda neste pleito, o mediador conduzirá pelo menos mais dois debates, o desta quinta-feira (17), com os principais candidatos ao Senado, e um segundo debate marcado para outubro, com os candidatos na disputa ao Paiaguás.
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O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
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