EM PRÉ-CAMPANHA 26.03.2026 | 09h18

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
O deputado federal José Medeiros (PL), pré-candidato ao Senado da República afirmou que não aceitará qualquer construção política que envolva uma composição direta com a deputada estadual Janaína Riva (MDB), também pré-candidata a senadora. Critico de qualquer união entre os dois partidos, o deputado afirma enxergar risco da direita em Mato Grosso repetir o que chamou de “traição política”, citando como exemplo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD).
Segundo Medeiros, a pressão por uma aliança pode ocorrer de forma silenciosa, nos bastidores, diante de movimentações do pré-candidato ao governo, Wellington Fagundes, e acabar sendo empurrada “goela abaixo” quando não houver mais possibilidade de manobra partidária. Além disso, reforça que qualquer união entre os dois partidos servirá apenas para ‘enganar o campo conservador’.
“Uma coisa tem que ser clara, eu não posso atestar, fazer uma chapa com a deputada Janaina e atestar para o eleitor: ‘olha, nós estamos aqui e nós vamos anistiar as pessoas, vamos soltar Jair Bolsonaro, vamos votar impeachment do ministro’. Seria como dar um carimbo para ela que eu sei que não vai acontecer lá depois. Então eu já estoui deixando claro paro eleitor o que vai acontecer", disse em entrevista no interior do estado.
Medeiros reforçou que, do ponto de vista eleitoral, uma eventual composição com o MDB não traria retorno prático para o PL e, ao contrário, poderia impor custos políticos elevados à chapa majoritária.
“MDB, vamos dizer, qual o lucro? Porque você tem que fazer um cálculo eleitoral. Qual o lucro do MDB numa composição de chapa? O MDB hoje tem a deputada Janaína. Não tem uma chapa de deputado federal, uma chapa de estadual se esfarelando”, disparou.
Na avaliação do deputado, a entrada do MDB na construção eleitoral significaria importar para dentro do projeto bolsonarista um passivo que, segundo ele, não compensa o risco. Medeiros citou diretamente o histórico político envolvendo a família Riva e afirmou que não há como separar a imagem da deputada de seu pai, o ex-deputado José Riva, o que inevitavelmente recairia sobre toda a chapa.
“E aí nós vamos trazer isso? Olha o custo disso. Eu vou ter que trabalhar com o passivo da história da Janaína, porque não tem como você descolar o CPF dela do pai. Eu vou ter que trazer esse desgaste pra chapa pra quê?”, questionou.
Medeiros também elevou o tom ao afirmar que uma aliança nesse formato atenderia interesses particulares e familiares, e não um projeto legítimo de fortalecimento da direita em Mato Grosso. Na visão dele, a construção serviria apenas para “maquiar” a chapa e criar uma falsa percepção de unidade ideológica.
“Eu já estou dizendo bem claro agora: isso não tá correto. Uma armação dessa, uma construção dessa, só serve pra beneficiar uma questão familiar”, criticou.
Foi nesse contexto que Medeiros voltou a citar o caso do ministro da Agricultura, apontando que o político teria se eleito com discurso alinhado ao agro e ao bolsonarismo, mas depois teria mudado completamente de postura ao se integrar ao governo Lula. Para Medeiros, o cenário seria um alerta claro do risco de “traição” dentro do campo da direita.
“Vai fazer que nem o Fávaro. O Fávaro disse: ‘eu não vou trair a confiança do povo mato-grossense e do agro e nem do Jair Bolsonaro’. Quem é o Fávaro hoje? Tá lá com o boné do MST”, ironizou.
Ao final, Medeiros ponderou que não é contra o apoio político de Janaina Riva ao grupo liderado por Flávio Bolsonaro ou ao projeto nacional do PL, mas reforçou que apoio externo é diferente de composição formal dentro da chapa. Para ele, a direita precisa de clareza e coerência para não repetir erros que já custaram caro ao eleitorado conservador.
“Então, o que a gente tá querendo é que as coisas sejam claras. A vinda do apoio da deputada Janaína ao Flávio é muito bem-vinda. Quem quiser apoiar, bem-vindo”, concluiu.
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