entenda auxílios do governo 07.02.2026 | 12h00

pablo@gazetadigital.com.br
Antônio Cruz / Agência Brasil
Em um país polarizado em que o debate político já ultrapassou a civilidade nos últimos anos, um tema recorrente em períodos eleitorais reaparece: as críticas a toda política de proteção social, em especial o Bolsa Família. Discursos sobre o valor investido no programa como um problema do país entram em pauta, mas outros auxílios do governo que atendem as classes mais altas passam batido.
O debate em torno do programa ultrapassa a esfera do Congresso Nacional e se concentra nas redes sociais. As principais críticas são de que os programas e benefícios de proteção social seriam "esmolas" e servem para angariar votos e acostumar a população vulnerável e pobre a não trabalhar.
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As críticas se tornaram quase lendas urbanas, como as de que mulheres estariam engravidando para ganhar mais Bolsa Família. Diante de tantas críticas, muitas vezes infundadas e sem dados concretos, o
decidiu analisar quanto o governo federal gasta com políticas de proteção social e com incentivos e isenção fiscal para empresários, produtores rurais e empresas em Mato Grosso.
Enquanto a União desembolsou em 2025 cerca de R$ 3,821 bilhões em transferência direta para as políticas de proteção social, como Bolsa Família, Auxílio-Gás e Benefício de Prestação Continuada (BPC), com empresários, empresas e produtores rurais foram mais de R$ 60 bilhões em isenções e incentivos fiscais, além de financiamento e perdão de dívidas.
Porém, raramente a classe política ou a opinião pública problematiza tais benefícios para os mais abastados.
Para a cientista social Christiany Fonseca, a insistência da opinião pública em criticar e classificar como gastos as políticas de proteção social da população pobre no Brasil é o reflexo da herança escravocrata do país, que foi a última nação do ocidente a pôr fim à escravidão e não integrou, por um século, a população preta e pobre oriunda deste processo histórico.
“Essa herança acabou fixando na opinião pública a ideia de que a pobreza é uma culpa individual. O pobre não pode ser um sujeito de direito porque ele não faz por merecer. Aí temos a cultura da meritocracia”, explica. “Se ele não merece e não corre atrás, e, portanto, é culpado da sua condição, qualquer política social passa a ser privilégio e não direito”, completa.
Fonseca também entende que a influência da ideia de “Estado Mínimo” na economia acabou se transformando em um liberalismo seletivo na política brasileira. “Porque, na prática, o Estado é mínimo somente para o pobre e a população vulnerável. Ele continua grande para empresários, para a elite, que acaba pautando a opinião pública e a economia”, analisa.
Ela também reforça que as críticas ao Bolsa Família vêm da ideia da meritocracia, que tem ganhado mentes no país. “Esse discurso passa a ideia de que a pessoa só é pobre porque não se esforçou ou porque se acomodou. Como se a desigualdade social fosse uma falha moral individual e não por ausência do Estado”.
Para ela, a disputa de discurso deste tema sempre tende às classes dominantes, já que elas influenciam a mídia, a economia e o Judiciário brasileiro. “Aí se torna o que estamos acostumados a escutar: políticas sociais são gastos, já os incentivos e benefícios fiscais aos empresários e banqueiros são justos porque geram emprego e ajudam a economia e, portanto, nada mais justo do que ter certos benefícios”, finaliza.
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