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Elias Januário - A | + A

04.12.2015 | 00h00

Uso da palmeira nas práticas culturais

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Prezados leitores, hoje vamos discorrer sobre a importância dos diversos tipos de palmeiras na confecção de objetos que fazem parte das práticas culturais indígenas, tomando como referência o povo Bororo, que em suas atividades cotidianas e particularmente nos rituais, fazem uso de diversos objetos confeccionadas a partir da matéria prima extraída da palmeira.
A palmeira denominada de babaçu consiste em uma das mais utilizadas por essa etnia, na elaboração de trançados como cestos, esteiras, peneiras, abanicos, saias, entre outros objetos de uso nas danças tradicionais. No Brasil, encontram-se vastos babaçuais espalhados ao sul da bacia amazônica, onde a floresta úmida cede lugar a vegetação típica dos cerrados. O principal produto extraído do babaçu, e que possui valor mercantil e industrial são as amêndoas contidas em seus frutos. O estipe do babaçu, quando apodrecido serve de adubo e em boas condições é usado na fabricação de móveis rústicos. As palmeiras jovens quando derrubadas extrai-se o palmito e coleta-se uma seiva que, fermentada produz uma bebida bastante apreciada.
Conhecida como acuri, este outro tipo de palmeira tem seu broto utilizado para fazer artesanatos como o bakité (tipo de cesto) e o baku (objeto no formato de uma bandeja). O bakité tem grande utilidade nas atividades cotidianas da aldeia para carregar frutas, legumes e até lenha.
A macaúba, outro tipo comum de palmeira na região, são aproveitados o palmito e os frutos na alimentação. O fruto produzido pela macaúba, quando maduro, tem sua polpa retirada socando no pilão e em seguida preparada na forma de mingau, muito apreciado pelo agradável sabor que possui.
Outra palmeira muito conhecida é o tucum, amplamente utilizada na confecção de cordas e de redes de pescar. Da madeira são feitos arcos e bordunas. Do seu fruto são feitos artesanatos como anéis, brincos e colares.
O buriti trata de uma palmeira encontrada em muitas comunidades indígenas e tem grande importância na elaboração de diversos objetos de uso cotidiano. Do broto do buriti retira-se o que os indígenas chamam de seda, utilizado na confecção de cordas para arcos e na produção de artesanatos para venda.
O buriti também tem fundamental importância nos rituais tradicionais, pois dele é elaborado objetos imprescindíveis como saias, capuz, cestos e adornos que integram esses momentos que fazem parte da cosmologia dos povos indígenas. Do buriti ainda se utiliza o fruto como alimento e a palha na construção de casas.
A preservação dos diversos tipos de palmeiras existentes nos biomas de nosso estado, são fundamentais para o equilíbrio do meio ambiente e, principalmente, para a manutenção das práticas culturais e da identidade das inúmeras comunidades indígenas existentes nestas regiões.


Elias Januário é educador, antropólogo e historiador. Escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

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