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ENTREVISTA DA SEMANA 04.08.2019 | 11h30

Psicóloga fala sobre transtornos mentais e alerta sobre cura

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Ana Flávia Corrêa

anaflavia@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

Sensação de vazio, pânico, apatia, angústia, insônia. Todos são sintomas de doenças psicológicas como a depressão e a ansiedade, cada vez mais faladas na sociedade contemporânea.

 

Apesar de cerca de 11,5 milhões de brasileiros terem depressão - o que corresponde a 6% da população - , de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças mentais ainda são negligenciadas. 

 

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Mas, conforme explicou a psicóloga Fernanda Borges, um tratamento adequado, que alia a psicoterapia com a inserção de medicamentos em alguns casos, pode promover a cura e fazer com que a pessoa consiga eliminar os sintomas incômodos. 

 

"A gente concilia a medicação junto com o tratamento para um dia ir tirando a medicação devagar e continuar com a psicoterapia até dar um fim, porque tem cura", explicou. Confira a entrevista ao na íntegra. 

 

Há comprovação de que doenças psicológicas tenham aumentado ou apenas mais pessoas têm procurado por tratamento e, por isso, existem mais registros? 

 

Na verdade essas doenças sempre existiram. Antigamente as pessoas que tinham essas doenças eram tratadas como loucas. Então não tinha um diagnóstico, não tinha um estudo voltado pra isso. As pessoas não tinham um conhecimento de que isso era uma doença que poderia ser tratada, que poderia tomar um remédio para melhorar. Na verdade, hoje em dia as pessoas adquiriram conhecimento e hoje em dia estão procurando profissionais e identificando a doença. 

 

As doenças podem ser atribuídas à genética ou os fatores externos podem corroborar para que elas apareçam? Existe alguma profissão em que a incidência de doenças seja maior? 

 

Pode existir a questão genética e isso é muito considerado, mas ao mesmo tempo você pode desenvolver ou não. Não significa que se você tem propensão a ter a doença que você realmente vá ter. Você precisa de um estímulo do meio externo, como você vive, o seu aspecto de vida, se você passou por algum trauma. Então isso pode desencadear. Geralmente são profissões que trabalham no período noturno, em que as pessoas trocam o dia pela noite, não têm qualidade de vida. 

 

Ainda hoje essas doenças psicológicas são negligenciadas? 

 

Existe a questão do preconceito. As pessoas acham que está faltando limpar a casa, que está faltando lavar uma louça, que está faltando alguma coisa na sua vida. Então fazem com que as pessoas  acreditem que a doença não é nada e não procurem ajuda. Aí a situação só vai se agravando, não melhora porque ela não coloca com importância tal tratamento. Quando vai procurar ajuda às vezes já está em um nível de anos sofrendo. 

 

O tratamento consiste em necessariamente tomar remédio ou existem alternativas para conviver melhor com isso? 

 

Na verdade o remédio é a última instância que a gente procura. A primeira é a psicoterapia. Geralmente a gente faz muito mais focada naquele problema, verificando o porque chegou até essa condição. Então a gente reorganiza a vida dessa pessoa, fazendo com que ela enxergue o problema como um momento. Isso faz parte das técnicas de psicoterapia e com isso a gente organiza os pensamentos e faz com que a pessoa mude, melhore, amadureça, evolua. A medicação a gente só encaminha para um psiquiatra quando é um caso muito grave, quando a pessoa já chega no consultório com dificuldade de conviver em sociedade no dia-a-dia. A gente concilia a medicação junto com o tratamento para um dia ir tirando a medicação devagar e continuar com a psicoterapia até dar um fim, porque tem cura. 

 

Qual é o primeiro sinal para procurar ajuda? 

 

O primeiro sinal que a gente pode pesquisar é o que a pessoa esta sentindo com ela mesmo, se ela está encarando a vida de uma forma diferente do que ela gosta de fazer, analisar se as pessoas ao redor começaram a apontar sintomas e características que ela não tinha antes. Se a pessoa está apresentando dificuldades no trabalho, não sabe lidar com situações, está chorando muito mais do que o habitual. Muitas vezes a gente tem um trauma, pode passar por um assalto e não consegue superar. Então são características que a gente pode juntar e fazer com que isso seja elaborado na psicoterapia.      

 

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