caso valley 23.06.2026 | 14h59
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Otmar de Oliveira
“Eu não sou um monstro [...] Minha vida acabou. Eu morri. Desde aquele dia, eu estou morta também”. A declaração é da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, ré pelo assassinato de duas pessoas, em 2018. Ela é submetida a júri popular nesta terça-feira (23) e seu depoimento foi breve, no começo desta tarde.
A sessão do Tribunal do Júri começou às 9 horas, com depoimento de testemunhas. Por volta das 14 horas, foi a vez da ré falar. Emocionada, ela disse que não teve mais vida desde a noite daquele 23 de dezembro de 2018, quando atropelou três jovens, que atravessavam a rua em frente à boate Valley, na Isaac Póvoas.
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Myllena de Lacerda Inocêncio, de 22 anos, Ramon Alcides Viveiros, de 25, e Hya Giroto Santos, 21, foram atingidas pela Oroch dirigida pela ré. Myllena morreu ainda no local. Ramon chegou a ser internado, mas morreu cinco dias depois. Hya sobreviveu após ficar em coma e passar por quatro cirurgias.
Em sua fala, a ré diz que hoje dá aulas para crianças, mas sofre preconceito por ter causado o acidente. Afirma que não consegue se relacionar com ninguém. Não se casou e nem teve filhos por conta do trauma causado pelo atropelamento. “Eu sou vista como um monstro nessa cidade. Que vontade eu tenho de sair? De voltar a viver? Que vida eu tenho?”, declarou.
“Eu não sou um monstro. Eu nunca, em hipótese alguma, saí da minha casa com a intenção de fazer mal a qualquer ser vivo. Eu estudei muito, batalhei muito e eu lamento muito por tudo. Se eu pudesse trocar de lugar com qualquer um deles, eu trocaria. Se eu pudesse fazer qualquer coisa, eu teria feito. Eu nunca imaginei passar por isso. É um pesadelo, minha família está destruída, acabou. Ninguém mais tem vida, ninguém mais tem filho. Tudo acabou”, disse aos jurados durante a sessão.
Todo o relato da ré foi marcado por choro diante da situação que se arrasta há oito anos. Sua família também acompanhou a sessão aos prantos.
Defesa
Em sua vez de fala, a defesa das famílias das vítimas afirma que a ré “nunca ficou presa, não indenizou as vítimas em nenhum momento. Recorre, recorre, recorre há sete anos e meio e não responde a essa chacina”.
As famílias não compareceram ao júri por “falta de esperança” como disse a defesa feita pelos advogados Mauro Viveiros Filho, Victoria Regina Viveiros e Regina Reverdito Viveiros, familiares de uma das vítimas.
“Não há dor na língua portuguesa, não existe como batizar em uma palavra. A língua também é mãe e não suportaria participar dessa violência abissal”, alega a advogada.
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