desabafo e pedido de socorro 08.07.2024 | 10h13

pablo@gazetadigital.com.br
João Vieira
Dezoito dias antes de sofrer o atentado com um tiro na cabeça, que resultou em sua morte, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso (OAB-MT), Renato Gomes Nery, havia ingressado com uma representação disciplinar contra um advogado, denunciando irregularidade em uma disputa judicial de terra com interferência de desembargadores.
O documento protocolado e direcionado a presidente da Ordem, Gisela Cardoso, não ganhou atenção da diretoria da OAB, e só voltou à tona após o atentado, quando o documento foi entregue ao delegado responsável pelas investigações.
A reportagem apurou que o documento demorou mais de 10 dias para tramitar e ser encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED). Apesar disso, a presidente da OAB, nega omissão no caso.
Denúncia
Na peça, que mais parecia um desabafo e pedido de socorro, Renato Nery acusa o advogado Antônio João de Carvalho Júnior de agir ilegalmente na disputa judicial por uma terra em Novo São Joaquim (465,2 KM ao Leste de Cuiabá) e em conluio com filhos de desembargadores e magistrados para vencer a disputa judicial pela terra.
Para ele, Antônio João seria proprietário de um “escritório do crime” por conta da influência que tem perante o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
“O Representado [Antônio João de Carvalho Júnior] pelo modo de agir, como ficará bem demonstrado, será levado ao opróbrio e em consequência a suspensão definitiva de suas atividades deverá ser proclamada pela Instituição”, diz trecho do documento.
Nas 26 páginas de desabafo, Nery cita 3 ações que são frutos de uma disputa que se iniciou em 1988. E que, partir do momento em que o advogado passou a atuar, os seus honorários, que foram pagos com parte da terra em disputa, passou a ser questionado por Antônio João.
“Há um verdadeiro formigueiro humano preparado para usurpar direito do Representante [Renato Nery] receber seus honorários duramente obtidos no longo processo de reintegração de posse”, diz outro trecho do documento.
“Os advogados-filhos de membros da corte, em face dos resultados jurídicos inimagináveis que o advogado Antônio João de Carvalho Júnior (Reclamado) conseguia no tribunal, certamente agiam no anonimato emprestando forças ocultas”, diz outro trecho da representação.
Renato Nery também acusa Antônio João de passar a lhe assediar através de outro advogado, que atuou como intermediário.
“Nessa conduta pusilânime o emissário apanhou o advogado Renato acometido de covid-19; e com ele sobre efeitos da doença do século, isolado em seu gabinete, passou a assediá-lo para aceitar uma possível conciliação para solver a questão entre as partes”, revelou.
“E assim o emissário agia, reiteradamente, sempre lhe advertia sobre a atuação do Des. Sebastião de Moraes, Relator dos Embargos que tinha rumo à Câmara Estendida, usando os seguintes termos: “ou faz acordo ou perde tudo”, completa o documento.
No final, Renato pediu a instauração do processo administrativo disciplinar e que Antônio João fosse ouvido para se defender.
“Em se tratando a matéria que prescinde de provas, após instruindo os autos, sejam eles julgados com a aplicação das sanções cabíveis, a exemplo das citadas no artigo 34 do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil”, diz o pedido.
Outro lado
O advogado Antônio João de Carvalho Júnior foi procurado para se manifestar. Porém, até o momento não respondeu os nossos questionamentos. A reportagem será atualizada, após sua manifestação.
O
questionou a presidente Gisela Cardoso, quais foram os encaminhamentos dados por ela, tanto na denúncia disciplinar contra o advogado, como em relação aos magistrados.
Em resposta, a assessoria da Ordem emitiu uma nota assinada pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED), afirmando que o Renato Nery não solicitou nenhum pedido de proteção institucional.
Já em relação aos questionamentos se a presidente teria encaminhado a denúncia para a Corregedoria do TJMT ou Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por citação de desembargadores, a OAB não se manifestou.
Veja na nota na íntegra:
"Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) esclarece que não houve nenhum pedido protocolizado pelo advogado Renato Gomes Nery, em memória, para que lhe fosse concedida proteção institucional em razão de possíveis ameaças.
O documento ao qual A Gazeta se refere trata-se de uma REPRESENTAÇÃO DISCIPLINAR protocolizada por Nery junto à OAB-MT para o Tribunal de Ética e Disciplina (TED), requerendo aplicação de sanções disciplinares nos termos do Código de Ética e Disciplina.
Na representação disciplinar, Nery pediu a instauração de um processo administrativo disciplinar contra outro advogado. A representação é recente e segue um trâmite processual, que está em fase inicial, cujo próximo passo seria a nomeação de um relator, conforme explica o vice-presidente do TED, Antônio Luiz Ferreira.
Destaca-se que o processo em questão não teve pedido cautelar para que houvesse suspensão profissional do advogado representado.
Por questões éticas e regimentais, o TED/OAB-MT não pode comentar sobre o conteúdo da petição, somente reforça que não houve pedido explícito ou tácito para que houvesse qualquer proteção individual ao advogado Renato Nery, nem mesmo relatos de possíveis ameaças.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) - Tribunal de Ética e Disciplina (TED)".
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Indignado - 11/07/2024
Da mesma forma como no caso Leopoldino, o TJMT é citado com um balcão de negócios, onde quem paga mais leva a vitória na causa judicial, é muito triste e revoltante.
Sil - 08/07/2024
Não adianta comentar aqui, essa corrupção tem q ser denunciada também na redes sociais, essa venda de sentenças que assola o judiciário do MT é perversa e nojenta... atua há muitos anos e ainda esses @%$#¨&*# tem o segundo maior salário do país, R$ 115 mil por mês e fora o "por fora" que ganham com as "vendas".. publiquem no Twitter..marquem o CNJ.. o TJMT essa gente tem que ser pressionada.... recentemente "arquivaram" um reclamação minha... uma advogada com ajuda do cartório roubou parte da minha herança (roubaram minha avó) ...deixaram o inventário demorar 18 anos e agora que consegui terminar..sou impedida de processar a advogada bandida e o cartório..porque o processo "prescreveu"...deixaram o inventário 18 anos parado para prescrever os meus direitos
luiz - 08/07/2024
Até quando seguiremos vendo e presenciando esta safadeza desnuda que acontece nos porões do nosso sistema judiciário,onde buscar ajuda,sendo que aqueles que deveriam ate morrer em prol da correta apicacão das leis, são na verdade os nossos maiores algoses.
Cidadão - 08/07/2024
OAB-MT INAPTA! GESTÃO LIXO! #FORAGISELA
Oliveira - 08/07/2024
Que prendam e punam o advogado Antônio João e os desembargadores pela autoria do crime estamos cansados de injustiças e crimes cometidos por juizes
Fatima - 08/07/2024
Então foram o advogado Antônio João de Carvalho Júnior ou os desembargadores e seus filhos os autores do crime?
ANAIS DA HÍSTÓRIA - 08/07/2024
JUIZ LEOPOLDINO, CASO DA MAÇONARIA ETC, ETC, MAIS UMA VEZ O JUDICIÁRIO ENTRELAÇADO COM A LABANÇA DA FÉTIDA CORRUPÇÃO. ATÉ QUANDO? ATÉ QUANDO Ó DEUSA THEMIS? ATÉ QUANDO PERMITIRÁS QUE AQUELES QUE VESTEM A TOGA PARA RE´RESENTÁ-LA, SE EMBEBEDEM COM OS LAÇOS DA BANDIDAGEM? ATÉ QUANDO DESEMBARGADORES, JUÍZES VENDERÃO SENTEÇA, PROTEGERÃO SUAS PROLES, PERSEGUIRÃO SEUS ALGOZES, MESMO SABENDO QUE VIOLAM AS LEIS DESTE PAIS? SERÁ QUE MAIS UMA VEZ AS AUTORIDADES COMPETENTES JOGARÃO O LIXO PRA BAIXO DO TAPETE E DIRÃO VAMOS POR UM FIM NESSA HISTÓRIA E RECOMEÇARÃO TUDO COMO SE NADA TIVESSE OCORRIDO? ATÉ QUANDO Ó SENHORES? ATÉ QUANDO?
7 comentários