'JUSTIÇA PRECISA DE UM CORPO?' 12.02.2026 | 06h40

mariana.lenz@gazetadigital.com.br
Reproduçao
Medo e angústia voltaram a fazer parte da rotina da personal trainer Débora Sander após receber a notícia de que o ex-namorado e policial Sanderson Ferreira de Castro Souza, preso em 1º de setembro de 2024, por espancá-la, será solto após decisão da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) nessa terça-feira (10). O policial havia sido condenado a 15 anos de prisão em regime fechado e teve pena reduzida a 1 ano e 9 meses em regime aberto, ao ser reformada a decisão que o condenava por crime de estupro.
Ao
, Débora conta que ficou sabendo pela imprensa sobre o fato envolvendo o ex-companheiro. Ao acordar na manhã desta quarta-feira (11) recebeu diversas notícias de colegas questionando sobre o caso. Segundo a personal, a rotina agora tem sido tomada novamente pelo medo constante de novas ameaças e até mesmo retaliações.
"Eu entrei em pânico, inclusive agora estou indo ao Ministério Público para entender os motivos, soube que foi por falta de provas, então o que a Justiça precisa é de um corpo para ter provas, porque diante de tantas provas que tinham no processo, ele continua na polícia, continua recebendo o salário dele e agora vai estar solto sem tornozeleira para ser monitorado", desabafa.
Débora ainda cita que o processo até então tramitava em segredo de Justiça, mas diante do resultado pretende expor prints e fatos que estavam no processo para que a população veja a violência que passou enquanto estava com o ex. A personal ainda cita que não consegue entender a decisão e crítica o fato de ter sido tomada por 3 magistrados homens.
"Sempre luto para que as mulheres denunciem, para a gente criar rede de apoio, para que a Justiça funcione e agora 3 homens deram o veredito, então tem algo de estranho nisso tudo. Vou continuar cobrando e vou atrás das instâncias superiores, o próximo passo é recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não me importo mais de ser exposta, não vou ficar esperando ele me matar", complementa.
A personal teme que o ex volte a procurá-la ou que faça algo pior. "Ele não tem mais nada a perder, imagina ele, novamente com uma arma... A Justiça só está mostrando o caminho para onde ele vai, me matar ou alguém da minha família".
A decisão foi relatada pelo desembargador Lídio Modesto da Silva Filho, e acompanhada pelos desembargadores Juvenal Pereira da Silva e Jorge Luiz Tadeu Rodrigues em sessão virtual. A pena do policial foi reduzida de 15 anos e 9 meses para 1 ano e 9 meses de prisão em regime aberto, podendo ser solto.
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